Edição 100

Matérias Especiais

Interdisciplinaridade – Um novo paradigma curricular

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Introdução

A interdisciplinaridade se refere a uma nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência entre os diversos ramos do conhecimento.

Paradigma (modelo, padrão) é um conceito atualmente usado para designar a forma de estruturação e funcionamento do cérebro humano. Nesse sentido, paradigma é uma estrutura-modelo, um modo de pensar.

Nossa perspectiva é de que o atual currículo escolar deve sofrer algumas alterações, passando do modelo multidisciplinar para o interdisciplinar.

Pretendemos fazer uma análise histórica da instituição escolar, buscando entender por que a escola tem hoje um projeto pedagógico multidisciplinar. A proposta interdisciplinar será justificada por uma reflexão teórica que explique por que a escola deve ter um currículo interdisciplinar. Finalmente, serão sugeridas algumas estratégias para uma transformação curricular, rumo a um novo paradigma, mais dinâmico e compatível com o avanço acelerado que têm hoje a ciência e a tecnologia, a partir das invenções e descobertas que o ser humano tem feito, cada vez com maior rapidez. É nossa intenção analisar o atual currículo escolar para reorientá-lo rumo à nova proposta a partir das constatações feitas. Esperamos, assim, deixar clara a necessidade da mudança antes de abordar a questão da operacionalização, do como fazer essa passagem, essas mudanças.

A fundamentação da nossa proposta é claramente construtivista. Acreditamos que já superamos tanto o modelo de estrutura escolar inatista como o empirista. O modelo construtivista, que faz uma síntese dos dois modelos anteriores, é o mais adequado ao momento atual.

Segundo o construtivismo, o ser humano nasce com potencial para aprender. Mas esse potencial ­— essa capacidade — só se desenvolverá na interação com o mundo, na experimentação com o objeto de conhecimento, na reflexão sobre a ação. A aprendizagem se organiza, se estrutura num processo dialético de interlocução. Por isso, a escola utiliza hoje as dinâmicas de grupo, que possibilitam a discussão, o diálogo. É preciso haver o elemento dialogante para que o saber se construa. Nossos pontos de vista e nossas ideias se clareiam quando temos com quem discuti-los. A interação social no grupo de sala de aula é, pois, fundamental para que a aprendizagem circule, movida pelas relações afetivas. A organização acadêmica tradicional, com os alunos fechados em si mesmos, pensando e produzindo sozinhos, deve abrir espaço para que aconteça a polifonia, o debate, o trabalho coletivo, a interlocução. Por outro lado, uma aprendizagem significativa exige, além da interlocução e da experimentação, o movimento do corpo no espaço e a utilização das estruturas mentais para relacionar os estímulos recebidos, formando conceitos claros. Conceituar é, para os filósofos gregos antigos, a primeira operação da mente — o ato pelo qual o espírito produz ou representa em si mesmo alguma coisa, compreendendo-lhe o significado.

Para discutirmos o tema interdisciplinaridade, começaremos pela compreensão de alguns termos específicos, conceituando-os com clareza.

Interdisciplinaridade deriva da palavra primitiva disciplinar (que diz respeito a disciplina) por prefixação (inter — ação recíproca, comum) e sufixação (dade — qualidade, estado ou resultado da ação).

Disciplina refere-se à ordem conveniente a um funcionamento regular. Originariamente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior. Significa também “matéria (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo) tratada didaticamente, com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais”. É uma palavra muito presente em instituições como o exército, a fábrica e a Igreja, que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal.

A utilização dessa mesma palavra para denominar os conteúdos escolares se refere tanto à necessidade de se submeter a mente à mesma ordem que controla o corpo dos educandos quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria escolar.

De posse desses conceitos básicos, vamos analisar os diversos tipos de composição curricular:

MULTIDISCIPLINAR - modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas, sem relação aparente entre si.

PLURIDISCIPLINAR - modelo em que justapõem disciplinas mais ou menos vizinhas nos domínios do conhecimento, formando-se áreas de estudo com conteúdos afins ou coordenação de área, com menor fragmentação: por exemplo, anatomia, fisiologia.

INTERDISCIPLINAR - modelo com nova concepção de divisão do saber, que frisa a interdependência, a interação, a comunicação existentes entre as disciplinas e busca a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo.

TRANSDISCIPLINAR - modelo em que há coordenação de todas as disciplinas num sistema lógico de conhecimentos, com livre trânsito de um campo de saber para outro. A transdisciplinaridade é uma abordagem mais complexa, em que a divisão por disciplinas, hoje implantada nas escolas, deixa de existir. Essa prática somente será viável quando não houver mais a fragmentação do conhecimento.

O modelo multidisciplinar, presente na escola ainda hoje, desconsidera as características e necessidades do desenvolvimento cognitivo do aluno, dificultando a percepção da inteireza do saber e do ser humano. Para resgatar essa inteireza perdida e possibilitar uma visão da totalidade do conhecimento é que estamos propondo o modelo interdisciplinar.

Quanto mais se acelera a produção do saber humano, mais se faz necessário garantir que não se perca a visão do todo. E hoje o acervo de conhecimentos da humanidade é dobrado a cada dois anos.

As escolas, de modo geral, trabalham com coordenação de área, numa tentativa de superar as deficiências do currículo multidisciplinar. Mas, na prática, o que vemos acontecer é a simples “coordenação de matéria” (reuniões de professores que lecionam o mesmo conteúdo em séries distintas), garantindo-se, assim, a integração vertical — de uma série para outra —, mas não a superação do modelo multidisciplinar. No entanto, a coordenação de área, bem conduzida, poderia ser o primeiro passo para a transformação curricular, rumo a um modelo interdisciplinar. A verdadeira coordenação de área consistiria em reunirem-se os professores de conteúdos afins para planejarem em conjunto seu programa a partir de um eixo comum, teórico ou metodológico. Por exemplo, a coordenação de área de línguas poderia ser estabelecida a partir do eixo da linguística, que é a base do ensino e da aprendizagem do Português e do Inglês, e/ou do eixo metodológico, pela didática do texto. O que não é possível é submetermos os alunos a uma aprendizagem tradicional da língua estrangeira, quando o professor de Português já avançou em sua proposta metodológica — ou vice-versa.

Na medida em que garantimos a integração dos conteúdos, estamos garantindo também sua significação para os alunos. Consequentemente, crescerá o interesse dos alunos pela escola, que, cada dia mais, perde espaço para a mídia e para todos os atrativos tecnológicos e eletrônicos dos meios de comunicação, computação e diversão.

Um grande problema da transformação curricular é que a escola é hoje uma das instituições sociais mais resistentes à mudança. Talvez, em parte, isso se deva ao fato de serem os professores os únicos profissionais que “nunca saem da escola”. Nela, eles se formam, como os demais profissionais, e, nela, eles permanecem atuando, repetindo o mesmo modelo de seus antigos professores, enquanto os demais profissionais deixam a escola para atuar em outros locais de trabalho.

Na medida em que garantimos a integração dos conteúdos, estamos garantindo também sua significação para os alunos

O novo modelo curricular, de base interdisciplinar, exige uma nova visão de escola: criativa, ousada e com uma nova concepção de divisão do saber. Pois a especificidade de cada conteúdo precisa ser garantida, paralelamente à sua integração num todo harmonioso e significativo.

Num currículo multidisciplinar, os alunos recebem informações incompletas e têm uma visão fragmentada e deformada do mundo. Num currículo interdisciplinar, as informações, as percepções e os conceitos compõem uma totalidade de significação completa e o mundo já não é visto como um quebra-cabeça desmontado.

A nossa dificuldade em admitir a possibilidade de um modelo curricular diferente se prende à questão dos paradigmas (modelos de estruturas mentais), que nos imobilizam, condicionando nossa maneira de ver as coisas. Tanto é assim que as grandes mudanças costumam acontecer a partir de pessoas que atuam em outra área de conhecimento, estando, portanto, de fora do paradigma em questão.

Se quisermos avançar para um currículo interdisciplinar, temos que começar a pensar interdisciplinarmente, isto é, ver o todo não pela simples somatória das partes que o compõem, mas pela percepção de que tudo sempre está em tudo, tudo repercute em tudo, permitindo que o pensamento ocorra com base no diálogo entre as diversas áreas do saber. É esse estabelecimento de relações que nos possibilitará analisar, entender e explicar os acontecimentos, fatos e fenômenos passados e presentes, para que possamos projetar, prever e simular o futuro.

POR QUE A ESCOLA É MULTIDISCIPLINAR

Segundo Aristóteles, “nada melhor para compreendermos um tema em sua extensão do que historicizá-lo”. Vamos, pois, fazer uma retrospectiva histórica, para tentar descobrir a razão de ser do atual modelo do sistema escolar. Usando o referencial de Alvin Toffler, autor dos livros O Choque do Futuro e A Terceira Onda, podemos dizer que a história da humanidade evolui em “ondas”, situando-se a primeira grande onda na Pré-história, com o surgimento da agricultura e o poder centrado na posse da terra. O advento da Revolução Industrial (Idade Moderna) marca a passagem para a segunda onda, com o poder centrado no capital. É nesse contexto que surge a escola pública, não a serviço do Homem, mas da fábrica, com o objetivo de preparar mão de obra para a indústria, de treinar, disciplinar, subjugar o homem, para torná-lo operário.

Enquanto instituição social, a escola é sempre orientada pelo tipo de homem que deseja formar. Portanto, para o século XVIII, esse era o modelo de escola necessário. Mas hoje, no limiar do século XXI, quando vivemos a terceira onda, a Era da Informática, em que é a posse da informação que garante o poder, precisamos de um novo modelo de escola.

Tendo situado a gênese da escola no tempo, podemos entender melhor as influências que marcaram sua origem e evolução, determinando suas características estruturais e funcionais. Seu currículo foi planejado para formar pessoas disciplinadas, submissas, obedientes, organizadas, metódicas, nada criativas ou questionadoras. Daí o uso do uniforme, da fila, do horário e da disciplina rígidos, do silêncio e da passividade em sala de aula, do trabalho individual e isolado.

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Essas influências se fazem sentir também na terminologia específica do vocabulário escolar, de seus instrumentos, usos e costumes, como: formatura, matéria, sirene, cópia de modelos, programas previamente determinados, aprendizagem delimitada, caderneta escolar (cartão de ponto), comportamento controlado, carteiras fixas — e até mesmo em sua arquitetura.

Paralelamente à Revolução Industrial, o século XVIII é marcado também pelo surgimento do Positivismo, corrente filosófica iniciada com A. Comte, em oposição à Filosofia Clássica, por ele considerada pré-histórica e “negativa”. Reagindo às tendências iluministas, o Positivismo prega a objetividade, a universalidade e a neutralidade como exigências do conhecimento científico. Para os positivistas, só é positivo o que é certo, real, verdadeiro, inquestionável, que não admite dúvidas, que se fundamenta na experiência, sendo, portanto, prático, útil, objetivo, direto, claro.

Foi na escola que o impacto do Positivismo se fez sentir com maior força, em parte devido à influência da Psicologia e da Sociologia — ciências auxiliares da educação e nascidas sob a égide do Positivismo —, gerando o pragmatismo e o empirismo nas práticas e instituições escolares e atendendo aos interesses da classe social dominante.

Na gênese desse modelo de escola, destacam-se ainda as influências marcantes da Igreja — com seus dogmas e sacramentos, sobretudo a penitência, determinando práticas como a avaliação, as punições e proibições e a apresentação de verdades prontas e definitivas — e da ideologia política dominante. Fragmentando-se o conhecimento acumulado através de um currículo multidisciplinar, fragmenta-se o próprio Homem (o aluno e o professor), que fica então fragilizado e é facilmente dominado.

POR QUE A ESCOLA DEVE SER INTERDISCIPLINAR

A proposta de currículo interdisciplinar se justifica a partir de razões históricas, filosóficas, sociopolíticas e ideológicas, acrescidas das razões psicopedagógicas.

Historicamente falando, temos de considerar que vivemos hoje a Era da Informática, com suas contradições, seus paradoxos. Como já afirmava Heráclito, o filósofo grego pré-socrático, “No mundo, tudo flui, tudo se transforma, pois a essência da vida é a mutabilidade, e não a permanência”. Assim, aquela escola, que era boa para o momento da Revolução Industrial, já não atende às necessidades do Homem do século XXI. Nossa era é a da pós-modernidade (ou neomodernidade, como querem alguns autores), em que, à lógica formal, clássica, normativa e maniqueísta (bivalente), impõe-se a lógica dialética, fundamentada na noção de contradição, dialógica. Paralelamente, a luta pela igualdade de direitos, pela supremacia da liberdade e pelo resgate da democracia e a revisão do conceito de poder deram novo sentido à noção de cidadania, de coletividade, de valores cívicos. Entre as razões que temos para buscar uma transformação curricular, passa também uma razão política muito forte: hoje vivemos numa democracia e queremos formar pessoas criativas, questionadoras, críticas, comprometidas com as mudanças, e não com a reprodução de modelos.

Questões histórico-filosóficas e sociopolítico-ideológicas vêm exigindo, há muito tempo, uma total revisão na instituição escolar.

Mais recentemente, com a divulgação dos trabalhos teóricos sobre a psicologia genética e sua aplicação ao campo da pedagogia, tornou-se imperiosa essa necessidade de mudanças na estrutura escolar, visando, sobretudo, o resgate da inteireza do ser humano e da unidade do conhecimento.

A rapidez das mudanças em todos os setores da sociedade atual (científico, cultural, tecnológico ou político-econômico), o acúmulo de conhecimentos, as novas exigências do mercado de trabalho, sobretudo no campo da pesquisa, da gerência e da produção, têm provocado uma revisão didático-pedagógica do processo de educação escolar.

Surge, assim, uma nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência entre os diversos campos de conhecimento, superando-se o modelo fragmentado e compartimentado de estrutura curricular fundamentada no isolamento dos conteúdos.

Temos de considerar ainda as razões psicopedagógicas que nos levam a propor um currículo interdisciplinar e que estão relacionadas com os conhecimentos já adquiridos sobre o funcionamento do cérebro humano e os processos de conhecimento e de aprendizagem. Os avanços significativos da psicologia genética nos permitem hoje conceituar, com Piaget, inteligência como a capacidade de estabelecer relações; confrontar, com Vigotsky, o desenvolvimento de conceitos espontâneos e científicos; admitir, com Gardner, a ideia de inteligência múltipla, o que implica em uma série de competências a serem desenvolvidas pela escola: competência linguística, lógico-matemática, espacial, sinestésica, musical, pictórica, intrapessoal e interpessoal.

Ora, todos esses avanços exigem um repensar do currículo escolar, baseado na ideia de rede de relações, eliminando-se os “redutos disciplinares” em prol de uma proposta interdisciplinar. Um currículo escolar atualizado não pode ignorar o modo de funcionamento da mente humana, as necessidades da aprendizagem e as novas tecnologias informáticas, diretamente associadas à concepção de inteligência. É preciso hoje pensar o conhecimento (e o currículo) como uma ampla rede de significações e a escola como lugar não apenas de transmissão do saber, mas também de sua construção coletiva. Eis, pois, a grande razão para termos um currículo interdisciplinar: é preciso resgatar a inteireza do ser e do saber e o trabalho em parceria.

COMO A ESCOLA PODE SE TORNAR INTERDISCIPLINAR

O primeiro passo rumo à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos professores.

A função da escola já não é integrar as novas gerações ao tipo de sociedade preexistente, pela modelagem do comportamento aos papéis sociais prescritos e ao acervo de conhecimentos acumulados. Segundo Caniato (1989), “O objetivo do Ensino Fundamental é dar ao educando uma ideia integrada da vida e das relações dos seres vivos entre si e com a natureza. [...] O mundo não está dividido em Física, Química, Biologia. A formação de conceitos exige que se respeite a unidade do conhecimento. [...] Ciência é o conhecimento organizado, de modo sistemático, sobre nossa interação com a natureza”.

No novo conceito do papel social da educação, a escola tem a função de construir, pela práxis, uma nova relação humana, revendo criticamente o acervo de conhecimentos acumulados e tomando consciência da participação pessoal na definição de papéis sociais.

Para que esse novo papel social da educação se cumpra, é preciso rever o funcionamento da escola, não só quanto a conteúdos, metodologias e atividades, mas também quanto à maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular, como: a autoexpressão (livre, crítica, criativa, consciente); a autovalorização (reconhecimento da própria dignidade); a corresponsabilidade (iniciativa, participação, colaboração); a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento (estabelecendo rede de significação interdisciplinar), entre outros.

A qualidade da educação, grande preocupação dos administradores escolares hoje, será alcançada via gestão participativa, trabalho de equipe (parceria, cooperação) e currículo interdisciplinar — todos esses mecanismos que superam o modelo individualista, fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber.

O segundo passo rumo à operacionalização do currículo interdisciplinar é, pois, a administração e a metodologia participativas.

Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou “pistas” para uma transformação curricular e que exigem mudanças de atitude, procedimento, postura por parte dos educadores:

• Perceber-se interdisciplinar, sentir-se [...] “parte do universo e um universo à parte” (FAZENDA, 1991) – (resgatar sua própria inteireza, sua unidade).

• Historicizar e contextualizar os conteúdos (resgatar a memória dos acontecimentos, interessando-se por suas origens, causas, consequências e significações: aprender a ler jornal e a discutir as notícias).

• Valorizar o trabalho em parceria, em equipe interdisciplinar, integrada (tanto o corpo docente como o corpo discente), estabelecendo pontos de contato entre as diversas disciplinas e atividades do currículo.

• Desenvolver atitude de busca, de pesquisa, de transformação, construção, investigação e descoberta.

• Definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar, seja ideológica (que tipo de homem queremos formar), seja psicopedagógica (que teoria de aprendizagem fundamenta o projeto escolar), seja relacional (como são as relações interpessoais, a questão do poder, da autonomia e da centralização decisória na escola).

• Dinamizar a coordenação de área (trabalho integrado com conteúdos afins, evitando repetições inúteis e cansativas), começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas, analisando e refazendo os programas em conjunto, atualizando-os, enriquecendo-os ou “enxugando-os”, iniciando-se, assim, uma real revisão curricular.

• Resgatar o sentido do humano, o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: “O que há de profundamente humano neste novo conteúdo?” ou “Em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos?”.

• Trabalhar com a pedagogia de projetos, que elimina a artificialidade da escola, aproximando-a da vida real e estimulando a iniciativa, a criatividade, a cooperação e a corresponsabilidade. Desenvolver projetos na escola é, seguramente, a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar. Um projeto surge de uma situação, de uma necessidade sentida pela própria turma, e consta de um conjunto de tarefas planejadas e empreendidas espontaneamente pelo grupo em torno de um objetivo comum.

Para Jolibert (1994), “A pedagogia de projetos permite viver numa escola alicerçada no real, aberta a múltiplas relações com o exterior: nela a criança trabalha “pra valer” e dispõe dos meios para afirmar-se como agente de seus aprendizados, produzindo algo que tem sentido e unidade”.

Realiza-se, assim, a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser.

Referências

CANIATO, Rodolfo. Com Ciência na Educação. São Paulo: Papirus, 1989.

FAZENDA, Ivani C. A. (Org.) Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1991.

JOLIBERT, Josette. Formando Crianças Leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

TOFFLER, Alvim. O Choque do Futuro. São Paulo: Record, 1970. Disponível em: http://www.suigeneris.pro.br/edvariedade_interdisciplin1.htm.

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