Edição 30

A fala do mestre...

Leonardo da Vinci

da_vinciLeonardo da Vinci (Anchiano, 15 de abril de 1452 – Cloux, 2 de maio de 1519) foi pintor, arquiteto, engenheiro, cientista e escultor à época do Renascimento italiano. É considerado um dos maiores gênios da história da humanidade.

Nascido num pequeno vilarejo, próximo ao município toscano de Vinci, Leonardo era filho ilegítimo de Piero da Vinci, um jovem notário, e de Caterina. A mãe de Leonardo era provavelmente uma camponesa, embora seja sugerido, com poucas evidências, que ela fora uma escrava judia oriunda do Oriente Médio comprada por Piero. O próprio Leonardo da Vinci assinava seus trabalhos simplesmente como Leonardo ou Io Leonardo. A maioria das autoridades refere-se aos seus trabalhos como Leonardos e não da Vincis. Presume-se que ele tenha usado o nome do pai por causa do estado ilegítimo.

Foi considerado por muitos o maior gênio da história, devido à sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, à sua engenhosidade e à sua criatividade. Num estudo realizado por Catherine Cox, em 1926, seu Q.I. foi estimado em cerca de 180. Outras fontes mencionam 220.

A vida

Na adolescência, Leonardo foi fortemente influenciado por duas grandes personalidades da época, Lourenço de Médici e o grande artista Andrea del Verrocchio.

Lourenço de Médici, um grande humanista e comunicador, inspirou Leonardo na parte da comunicação, fazendo com que começasse a fazer seus quadros mais “parlantes”, com maior animação gestual, o que o levou a se tornar mestre nessa arte. Em toda sua obra, pode-se notar a iconografia das figuras ou dos personagens de seus quadros.

Em 1468, com dezesseis anos, Leonardo mudou-se para Florença e iniciou seu aprendizado no ateliê de Verrocchio. O artista, de grande prestígio na época, ensinou-lhe toda a base que mais tarde o levaria a se tornar um grande pintor. Leonardo também aprendeu escultura, arquitetura, óptica, perspectiva, música e até botânica.

Em 1472, com vinte anos, já era membro do grêmio dos pintores florentinos (Corporação de São Lucas), e sua carreira começava a ficar independente do mestre Verrocchio. As pessoas da corte faziam encomendas diretamente a Leonardo. Leonardo da Vinci trabalhou para Ludovico Sforza, Duque de Milão, e manteve o próprio seminário com aprendizes. Foram usadas setenta toneladas de bronze — que tinham sido colocadas à disposição de Da Vinci para o Grande Cavalo, estátua eqüestre do duque — em armas, em uma tentativa de salvar Milão de ser subjugada pelo francês Carlos VIII em 1495.

Em 1498, Milão caiu em uma batalha para o francês Luís XII. Da Vinci ficou em Milão durante algum tempo, até que viu arqueiros franceses usando seu modelo de cavalo de barro em tamanho natural para o Grande Cavalo, como alvo para treinamento. Partiu logo com o amigo Luca Pacioli para Mântua, mudando, depois de dois meses, para Veneza e se mudando novamente, então, para Florença, no final de abril de 1500.

Em Florença, ficou a serviço de César Bórgia (também chamado de Duca Valentino e filho do Papa Alexandre VI) como arquiteto militar e engenheiro. Em 1506, voltou a Milão, então nas mãos de Maximiliano Sforza, depois que mercenários suíços expulsaram os franceses.

De 1513 a 1516, morou em Roma, onde os pintores Rafael e Michelangelo eram, na ocasião, muito requisitados; porém Da Vinci não teve muito contato com esses artistas.

Em 1515, Francisco I, da França, retorna a Milão, e Da Vinci foi designado para fazer a peça central de um leão mecânico para as negociações de paz, em Bolonha — onde provavelmente conheceu o rei —, entre o monarca francês e o Papa Leão X. Em 1516, ficou a serviço de Francisco I como primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do Rei. Foi dado a ele o uso do Castelo Cloux Lucé, próximo ao Castelo de Amboise, residência real, junto com uma pensão generosa. Da Vinci e o rei ficaram bons amigos.

Leonardo da Vinci morreu em Cloux, França, e, de acordo com o seu desejo, sessenta mendigos seguiram seu caixão. Foi enterrado na Capela de São Hubert, no Castelo de Amboise.

Obra

da_vinci1

A Última Ceia (L’ultima cena ou Cenacolo) é uma das mais conhecidas pinturas atribuídas a Da Vinci, exposta no Convento de Santa Maria delle Grazie (Refectory), em Milão.

da_vinci2A Mona Lisa, outra das
mais famosas pinturas
atribuídas a Da Vinci, é
também conhecida como
La Gioconda e está
exposta no Museu do
Louvre, em Paris

 

 

 

Mona Lisa (1503–1507)

Só dezessete de suas pinturas, e nenhuma das estátuas, existem atualmente. Da Vinci planejou freqüentemente pinturas grandiosas, com muitos desenhos e esboços, mas deixou inúmeros projetos inacabados.

Da Vinci passou muitos anos planejando o modelo de uma monumental estátua (sete metros) de um cavalo em bronze (o Gran Cavallo, ou Grande Cavalo), para ser erguido em Milão. Por causa de guerra com a França, o projeto nunca foi concluído. Com iniciativa privada, uma estátua semelhante foi feita em Nova York em 1999 e doada a Milão, sendo erguida no hipódromo de San Ciro. O Museu de Caça em Limerick, na Irlanda, tem um cavalo de bronze pequeno, possivelmente feito por um de seus aprendizes.

Antes, em Florença, ele foi designado para fazer um grande mural público, a Batalha de Anghiari; e seu rival, Michelangelo, para pintar a parede oposta. Depois de produzir uma variedade fantástica de estudos em preparação para o trabalho, ele deixou a cidade, com o mural inacabado, devido a dificuldades técnicas.

Curiosidades

da_vinci3A personalidade de Da Vinci sempre foi cercada por uma aura de mistério. Engenhosidades foram vistas com suspeita, em uma época crua e com ideologias rigorosas.

Em um ambiente ainda muito influenciado pela Igreja Católica, era fácil trocar um estudo científico aprofundado por uma heresia. Logo, especula-se que Da Vinci acabou optando pela clandestinidade para expressar aquilo em que realmente acreditava. Muitos sustentam que Da Vinci era pagão e que só explorou as instituições religiosas para tirar lucro das incumbências delas. Alguns simbolistas dizem que há mensagens escondidas em seus trabalhos, o que reforça essa idéia. Apesar disso, há diversos estudos contemporâneos que atestam que Da Vinci era ateu.

As lendas sobre Da Vinci são múltiplas e ainda inspiram a imaginação acima de todo limite. O Código Da Vinci é o exemplo contemporâneo mais evidente de que a história do artista ainda desperta numerosas curiosidades e muita polêmica. Os textos são analisados do ponto de vista simbólico de seus trabalhos mais importantes.

Há teorias de que a Mona Lisa seria um auto-retrato, mas com feições femininas, explicando, assim, o sorriso ambíguo. No entanto, a idéia mais aceita é de que o retrato ilustraria a esposa do comprador, Francesco Bartolomeo del Giocondo — daí o nome La Gioconda. Mas, mesmo assim, ainda há o simbolismo por trás do nome: Mona Lisa poderia ser um anagrama de duas divindades egípcias da fertilidade, Amon e L’Isa, muito reverenciadas pelos pagãos da época.

Talvez até mesmo mais impressionantes que os seus trabalhos artísticos sejam os estudos em ciências e as engenhosas criações, registrados em cadernos que incluem umas 13 mil páginas de notas e desenhos que fundem arte e ciência.

Da Vinci tentou entender os fenômenos descrevendo-os em detalhe extremo e não enfatizou experiências ou explicações teóricas. Ao longo de sua vida, ele planejou uma enciclopédia com desenhos detalhados de tudo. Como não dominava o Latim e a Matemática, o Leonardo da Vinci cientista era ignorado pelos estudiosos da sua época.

Ele participou em autópsias e produziu muitos desenhos anatômicos extremamente detalhados, planejando, inclusive, um trabalho com humanos e anatomia comparativa.

Por volta do ano 1490, produziu um estudo das proporções humanas baseado no tratado recém-redescoberto do arquiteto romano Vitruvius. Leonardo debruçou-se sobre o que foi chamado o Homem Vitruviano, o que acabou se tornando um dos seus trabalhos mais famosos e um símbolo do espírito renascentista. O desenho reproduz a anatomia humana, conduzindo, eventualmente, ao desígnio do primeiro robô conhecido na história, chamado de O Robô de Leonardo.

Homem Vitruviano

Fascinado pelo fenômeno do vôo, Da Vinci produziu detalhado estudo sobre o vôo dos pássaros e planos para várias máquinas voadoras, inclusive um helicóptero movimentado por quatro homens e um planador que, comprovadamente poderia ter voado. Em 3 de janeiro de 1496, testou, sem sucesso, uma máquina voadora que tinha construído.

Em 1502, Leonardo da Vinci produziu o desenho de uma ponte como parte de um projeto de engenharia civil para o Sultão Beyazid II, de Constantinopla. Nunca foi construída, mas a visão de Leonardo foi ressuscitada em 2001, quando uma ponte menor, baseada no projeto dele, foi construída na Noruega.

Os seus cadernos também contêm várias invenções no campo militar — canhões, um tanque blindado movimentado por humanos ou cavalos, bombas de agrupamento, etc. —, embora considerasse a guerra a pior das atividades humanas. Outras invenções incluem um submarino e um dispositivo de engrenagem que foi interpretado como a primeira calculadora mecânica. Durante os anos no Vaticano, Da Vinci planejou um uso industrial de poder solar, empregando espelhos côncavos para aquecer a água.

Em Astronomia, acreditou que o Sol e a Lua giravam ao redor da Terra e que a Lua refletia a luz do Sol porque seria coberta por água.

Da Vinci não publicou nem distribuiu os conteúdos de seus cadernos. A maioria dos estudiosos acredita que ele quis publicá-los e fazer com que as suas observações fossem de conhecimento público, porém eles permaneceram obscuros até o século XIX.

da_vinci4A influência de Leonardo na história da arte européia é bastante profunda. Algumas técnicas desenvolvidas por ele, destacadamente o sfummato e o chiaroscuro, tornaram-se uma regra para a pintura dos séculos vindouros.

É considerado por muitos como o arquétipo do Homem do Renascimento.

Grande inventor de sua época, Leonardo da Vinci era um homem à frente de seu tempo. Seu interesse e sua criatividade em vários campos de estudo deram origem a invenções como salva-vidas, pára-quedas e bicicleta, entre outras.

Principais características das pinturas de Da Vinci:

Utilização da técnica artística da perspectiva.

Uso de cores próximas da realidade, figuras humanas perfeitas e temas religiosos.

Uso da matemática em cálculos artísticos.

Imagens principais centralizadas.

Paisagens de fundo.

Figuras humanas com expressões de sentimento.

Detalhismo artístico.

 

Principais trabalhos de Da Vinci

Trabalhos de Pinturas
La Gioconda (Mona Lisa)
Leda
Dama do Arminho
Madonna Litta
Anunciação
A Última Ceia

Trabalhos de Invenções
Máquina voadora
Máquina escavadora
Isqueiro
Pára-quedas
Besta gigante sobre rodas

Trabalhos Científicos
Homem vitruviano
Anatomia do tronco
Estudo de pé e perna
Anatomia do olho
Estudo da gravidez

Projetos de Arquitetura
Projeto arquitetônico de uma cidade
Projeto de um porto
Templo centralizado

cubos