Edição 57

A fala do mestre...

Libere sua motivação

Armando Correa de Siqueira Neto

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Uma das maneiras de se compreender a motivação é relacioná- la à autonomia do pensamento e da reflexão crítica e, consequentemente, da maior liberdade de ser e agir. Trata-se, afinal, de um processo psicológico que interage com o meio social. Isto é, se o ser humano deposita o desenvolvimento da sua motivação na figura de outrem ou de uma dada circunstância e não a assume como uma responsabilidade pessoal, percebe-se, em tal atitude, dependência e limitação. Vale ressaltar que nos influenciamos mutuamente ao estimular a motivação. Contudo, ela só se desenvolve por meio da permissão íntima (consciente ou inconsciente) e, portanto, é intransferível por seu caráter particular.

Há três aspectos maléficos que merecem atenção nessa análise: a falta de conhecimento sobre o tema, a herança sócio-histórica acerca da dependência e da submissão e a acomodação natural existente em nossa espécie animal. Segue-se, então, que o antídoto a ser prescrito é composto de saber, libertar e agir.

Quanto mais o homem conhece a si mesmo, tanto maior é a sua chance de evoluir e fazer melhores escolhas durante a vida. Quanto melhor escolher, tanto menor será a sua dependência exterior a questões que lhe são interiores, como a motivação. Por conseguinte, conquistará mais independência e interdependência ao formar parcerias motivadoras que prezam o dar e receber com maturidade, equilíbrio e justiça.

Todavia, para alcançar uma dimensão de maior autonomia, é essencial que se concentre uma parte dos esforços no rompimento dos elos da corrente histórica que se mantém presente até o momento. A monarquia que ajudou a construir a personalidade e o perfil brasileiros (escravidão, subserviência e passividade profundas) acabou há considerável tempo, mas as suas articulações psicológicas ainda reinam sobre incontáveis súditos contemporâneos.

O modelo de educação ancestral transmitido permite tal manutenção, estendendo boa parte dessa aprendizagem ao século XXI. Os pais ou pessoas próximas com as quais mantemos contato desde a infância nos bombardeiam, sem que percebamos (eles próprios nem sequer fazem ideia), de impressões e convicções que estimulam a dependência e a contenção do uso da motivação, elemento poderoso se bem desperto e direcionado. Eis alguns exemplos usados comumente: quando arrumar um emprego, não abra a boca; cuidado com o que você pensa; manda quem pode, obedece quem tem juízo; mais vale um pássaro na mão do que dois voando; entre outros. Assim, vestimos máscaras sociais restringentes não apenas em nome da necessidade de sobrevivência, mas, sobretudo, em face da falta de liberdade autoimputada.

Entretanto, sem que se perceba, somos coniventes com tal situação aprisionadora, haja vista ser conveniente não ter de pensar a respeito, pois dá trabalho e nos colocaria, cada vez mais, frente a um paradigma bastante revelador: somos responsáveis pelo estado de nossas vidas. Recebemos pelo que fazemos. Deixar por conta da sorte pode resultar em miséria. Tais ideias não são inovadoras, elas se encontram claramente expostas na Bíblia Sagrada, em Mateus 7:7: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á”. Sob tal perspectiva, resta-nos empreender e assumir cada pensamento e cada ato e mais: enfrentar as suas consequências em vez de se esconder na sombra de ilusórias justificativas.

É uma situação cômoda. Mas hoje é percebida uma inquietação. Um incômodo revela-se em uma parcela da população, esboçando um importante despertar que demanda transformação. É hora de esforço, de mudança e de maior propriedade sobre si. A motivação pode ser liberada das amarras impostas pela nossa permissão inconsciente se dermos o passo na direção que nos permita ampliar a consciência e desenvolvê-la. É uma decisão singular. Você está disposto?

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637), diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas, professor e Mestre em Liderança pela Unisa Business School. É coautor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006.
E-mail: selfcursos@uol.com.br.

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