Edição 37

Matérias Especiais

Movimento Armorial e o Festival Junino

A arte armorial brasileira tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos “folhetos” do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a música de viola, rabeca ou pífano, que acompanha seus cantares, e com a xilogravura, que ilustra suas capas, assim como o espírito e as formas das artes e dos espetáculos populares.

Ariano Suassuna
Jornal da Semana, Recife, 20 de maio de 1975

O Educandário Beatriz França, nesses oito anos de festival, vem trabalhando na temática da cultura popular por entender que um povo que não conhece sua cultura não conhece suas raízes.

No ano do seu 15° aniversário, a Escola vai mais além: investiga, pesquisa, estuda e resolve assumir o Movimento Armorial como pano de fundo para a construção do IX Festival Junino, abordando o popular com traços do erudito, através das manifestações populares que serão apresentadas pelas equipes, disseminando um novo saber cultural, com o tema Erudito e Popular em Ritmo Armoriá.

Movimento Armorial

O Movimento Armorial nasceu e desenvolveu-se numa demanda poética e artística apoiada no imaginário popular, usando livremente seu direito de transformar e criar uma nova linguagem artística, uma nova arte brasileira. Nessa relação artística, está Ariano Suassuna.

O conjunto constituído pelas manifestações tradicionais, orais ou escritas, impõe-se através da obra inteira de Ariano Suassuna como objeto artístico.

Nessa perspectiva, a relação com a cultura oral e popular nordestina brasileira, em vez de limitar a arte armorial a um regionalismo ou nacionalismo estreito, incentiva a uma verdadeira viagem dentro das culturas brasileiras e universais.

A Arte Heráldica

A Heráldica é uma ciência e uma arte que produz e estuda os brasões, interpreta as origens e os significados simbólico e social da família, do grupo, da nação ou da instituição. Estuda, portanto, a genealogia da família, seu brasão e significados.

Dentre as suas regras, a Heráldica considera como metais o ouro (amarelo) e a prata (branco), além de algumas cores denominadas esmaltes (vermelha, azul, verde, laranja, vinho, marrom, púrpura, pele e escarlate).

Ainda na Heráldica, ilustrando brasões e escudos, encontramos símbolos como:

Animais: o leão, o leopardo, a águia…
Adornos: o elmo, a coroa, a torre, a flor-de-lis…
Figuras quiméricas: a fênix, o grifo, a sereia, o dragão…

Hoje, a arte heráldica possui o maior acervo de brasões e registros históricos internacionais da América Latina.

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Educação Infantil

O Poeta e a Viola

A viola foi difundida na Europa no século XIV. Ela surgiu depois da rabeca medieval e antes da atual família dos violinos. É possível que tenha sido o primeiro instrumento de cordas que o Brasil conheceu, importado de Portugal.

De acordo com Ariano Suassuna, “Os cantadores de viola, emboladores e outras formas de poetas populares estão diretamente ligados ao povo. Estes fazem a verdadeira música popular brasileira”.

Baseados em pesquisas, visitas, investigações, os alunos dessa equipe, coordenados pelas professoras, apresentarão um belíssimo trabalho, destacando os tipos de cantoria e seu significado. Destacarão ainda cantadores que marcaram época, assumindo lugar de destaque Ivanildo Vila Nova, a quem tiveram o prazer de visitar, e também o Professor Luiz Lopes, que também deixou, em tempos passados, sua marca com a viola.

2ª, 3ª e 4ª Séries – Mão Mole, Mão Molenga

O mamulengo, forma teatral que prescinde das aparições do homem no palco, é um dos mais típicos exemplos da cristalização de cultura. É derivado da marionete.

Dentro do repertório do teatro de mamulengo, encontram-se peças que lembram a literatura de cordel.

O mamulengo sempre lembra, ligeiramente, a Commedia dell’Arte, gênero de teatro de rua italiano em que a ação termina com pancadaria.

Os bonecos são conhecidos por diversos nomes em várias regiões do Brasil: briquela ou joão-minhoca, em Minas Gerais, São Paulo, no Rio de Janeiro e Espírito Santo; joão-redondo, no Rio Grande do Norte; mané-gostoso, na Bahia; babau, na Paraíba e em alguns locais da Zona da Mata de Pernambuco; e também benedito, em outras partes do estado pernambucano.

Durante a Idade Média, a Igreja Católica usou o teatro de marionetes para difundir o espírito religioso, criando uma forma de espetáculo que foi também denominado de Presépio. Pernambuco é o único estado onde se pode acompanhar com mais precisão a história do desenvolvimento do mamulengo no Brasil.

Essa equipe, após visitar os bonequeiros/mamulengos Miro (Carpina) e Zé Lopes (Glória de Goitá), se encantou e apresentará para todos vocês um trabalho de qualidade dentro das suas limitações de infância, aprendendo a manusear de forma prazerosa os bonecos de mamulengo.

5ª Série – A Magia do Romanceiro Popular

A literatura de cordel pode ser definida como poesia narrativa, popular, impressa.

Produzido por poetas populares, o cordel transformou-se num instrumento do pensamento coletivo, apresentando diversos temas.

A literatura de cordel, tanto pela sua parte poética quanto pela arte de xilogravura, constitui uma das mais interessantes páginas do folclore brasileiro.

O cordel foi e continua sendo uma das formas de comunicação mais autênticas.

No Nordeste, a arte alcançou tal destaque que muitos xilogravuristas se tornaram famosos e conhecidos mundialmente. Aqui, destacamos J. Borges e Gilvan Samico.

A equipe responsável por esse trabalho retrata a figura do cordelista numa feira, divulgando seus cordéis, até que surge um personagem característico, o vendedor de maxixe, e a partir daí segue todo o desenrolar dessa magia popular.

Equipe de Coordenação-geral e Apoio

Antônio Fernandes, Carmem Daniele, Charlon Cabral, Fábio André, Izabela Cristina, José Roberto, Karina Patrícia, Manoel Luís, Marcelo Santa, Maria Antônia, Rosineide Gomes, Sandra Fragoso, Simel Vieira, Socorro Souza, Talita Nery.

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