Edição 64

Ambiente-se

Muito mais que sucesso, endomarketing é responsabilidade!

Marcos Tonin

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A comunicação organizacional está assumindo uma intensidade cada vez mais dinâmica, a qual nos leva a desenvolver e a gerar informações para diversos níveis corporativos e para todos os tipos de público que uma empresa atende. Sendo exigidas cada vez mais por capilaridade, garantias, normas, preços, qualidade, satisfação e tecnologia, as empresas dependem muito da qualidade e da forma como a informação é trabalhada. Nesse momento, a comunicação interna é convocada para se posicionar e para direcionar a informação aos clientes, acionistas, funcionários, comunidade e todos os públicos que estão “na vida” da organização. Para que essas informações sejam passadas com qualidade, a empresa deve escolher os meios mais eficientes para cada tipo de público. No caso do público interno, são utilizados jornais, Intranet e eventos, ou seja, estratégias do endomarketing.

Mas, afinal de contas, o que é o endomarketing? Esse termo foi criado por Saul Bekin, autor do livro Conversando sobre Endomarketing, e se refere a nada mais do que o marketing interno nas organizações.

É uma ferramenta da administração que utiliza ações de marketing previamente conhecidas para o público interno de uma organização. Essas ações visam aumentar a fidelidade do funcionário à empresa, contribuindo para seu reconhecimento, crescimento e, consequentemente, para tornar seus comportamentos e suas ações mais responsáveis. Na prática, levantamos perguntas muito interessantes, como, por exemplo: Nossos colaboradores sabem qual a missão da empresa? Eles sabem onde ela quer estar daqui a cinco anos?

Obviamente, tudo isso se reflete no clima organizacional da empresa, bem como nos resultados que a área de recursos humanos vem revelando. Altos níveis de absenteísmo, insatisfação, fortes índices de fofocas e bochichos, comprometimento da saúde mental dos colaboradores, estresse demasiado e mais uma porção de situações dessa natureza podem ser fortes indicadores de que as empresas vêm falhando no seu endomarketing.

Em uma organização, os públicos interno e externo têm diferentes necessidades no que diz respeito à comunicação e devem ser tratados de acordo com sua particularidade. A falta de informação e de zelo pelos funcionários faz com que a equipe se desmotive e transfira, de alguma forma, essa insatisfação para o cliente, seja no atendimento, no tempo de espera, na logística e, principalmente, na imagem e nos resultados da empresa como um todo. Ou seja, falhas na forma de comunicação em qualquer um desses níveis afetarão o resultado final do negócio.

Certa vez, fomos procurados pelo dirigente de uma empresa cujos funcionários apresentavam um alto índice de reclamações de dores de cabeça e um turn over muito elevado. Após a análise científica, identificamos que 32% dos empregados estavam de alguma forma “doentes” ou desenvolvendo algum tipo de vício, como o alcoolismo ou tabagismo, e doenças como depressão, síndrome do pânico e síndrome de Burnout (esgotamento emocional, de característica ocupacional em resposta à cronificação do estresse, que apresenta três fases: esgotamento emocional, despersonalização e envolvimento com o trabalho). Esses funcionários não sabiam qual a missão e a visão da empresa, e o pior: não sabiam qual o valor de seu trabalho para a organização. Isso fazia com que a desmotivação e a insatisfação por estarem ali, trabalhando todos os dias, fossem aumentando com o passar do tempo.

Alguma semelhança com o local no qual você trabalha? Alguém já reclamou disso para você? Gosto muito de um exemplo que ilustra, de maneira clara, os benefícios da aplicação do endomarketing. Peço agora o uso de sua imaginação para seguirmos.

Imagine se uma escola fosse uma empresa; e os alunos, os funcionários. Nesta escola:

Todas as crianças a partir do 4º ano sabem cantar o Hino Nacional inteiro, com seus significados e importância.

Existem aulas de educação cívica de forma ativa, ensinando o processo de responsabilização de cada cidadão pelo sucesso ou fracasso do país em que vive.

São executadas ações práticas de desenvolvimento participativo e incentivo a cada fase do aprendizado.

A clareza de informação está entre todos os professores e nas salas de aula.

A diretoria se reúne semanalmente com os alunos e professores para escutar realmente quais os pontos de melhoria, na visão de cada classe.

Existe a preparação para a vida universitária, deixando claro o papel do aluno na sociedade, respeitando seus limites, valores e condições individuais.

Como você imagina que seria o nível de comprometimento de cada um dos alunos no processo escolar? Quantos vão querer faltar à aula? Como essas crianças estarão preparadas para agir em sociedade? Qual professor se dará ao luxo de não preparar uma boa aula? Se a Educação é um processo de aprendizado, o que eles aprendem realmente com isso? Belas questões, não?

Utopia? Quem sabe? Mas isso funciona nas empresas e faz com que os funcionários saibam sua importância no processo de produção ou execução e agreguem vida, valor e força ao que estão produzindo, sentindo-se parte do sistema organizacional. Perceberá que pessoas juntas, formando um só time, com objetivos e visões únicas são muito mais produtivas e criativas do que departamentos separados, que só se encontram em festas de confraternização de final de ano.

Durante a revisão de um processo de endomarketing, resolvemos colocar à prova o que estávamos fazendo com um cliente. Chamamos a diretoria e solicitamos uma avaliação com as famílias dos funcionários para saber se houve algum impacto dentro da casa de cada um deles. Os principais pontos observados pelas famílias foram:

Menor irritabilidade.

Melhora de humor e saúde física.

Maior satisfação de dizer onde trabalha.

Maior responsabilidade com a família.

É preciso coragem para implantar um endomarketing participativo eficaz, mas, acima de tudo, possível. Saber tratar o profissional com respeito e igualdade incondicional faz com que isso se reflita na opinião do público interno e, consequentemente, no externo, atraindo investimento, reconhecimento, retorno e satisfação à organização.

O funcionário que sabe qual o seu papel dentro de uma empresa, seus valores, suas responsabilidades e, principalmente, que é reconhecido faz toda a diferença no sucesso de uma organização. Imagine então uma estrutura de negócios inteira nessa situação?

Investir no endomarketing, além de reforçar e garantir o sucesso organizacional com funcionários capacitados, ajuda a desenvolver melhores cidadãos, profissionais, pais, mães, filhos e até um país melhor.

Pense sobre isso!

Marcos Tonin é consultor de desenvolvimento pessoal e profissional, especialista em treinamentos comportamentais na área de gestão de vendas, relacionamento com cliente, negociação e liderança. É sócio-diretor da Apoema Inteligência em Pessoas.

Revista Panorama Editorial. São Paulo: Câmara
Brasileira do Livro.

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