Edição 21

O livro da vez

O BORDADO ENCANTADO

livro_vez_01O Bordado Encantado, de Edmir Perrotti, projeto gráfico e ilustrações de Helena Alexandrino. São Paulo: Paulinas, 1996 (Coleção Lua Nova. Série Fadas & Lendas).

Edmir Perrotti, um dos mais ativos especialistas em literatura infantil, nos deu este belo “reconto”, como ele chama seu texto. “Tomei emprestado um argumento que, parece, vem lá do Tibete, e contei-o a meu modo. Ou melhor, recontei-o…”, segundo informa no paratexto. Trata-se de um conto maravilhoso, com a estrutura tradicional dessas histórias. Passemos à análise de sua estrutura.

É a história de uma “pobre viúva” que ganha a vida fazendo bordados, vendidos no mercado. Um dia, ela vê um tecido deslumbrante, que se transforma no seu grande sonho: fazer um bordado “tão lindo quanto esse”. O tecido acaba sendo bordado com as lágrimas e o sangue que vertem de seus olhos cansados: “sem se dar por vencida, ela continuou, usando, agora, as lágrimas para cobrir de vermelho as flores dos prados e os raios do Sol no horizonte”. O bordado entusiasmou o povo da aldeia, mas um vento forte acabou levando o tecido “feito pipa para além das montanhas”.

A situação inicial abrange o prólogo, que se inicia com o recorrente “Era uma vez…” e nos informa sobre a condição da mulher na aldeia: pobre, viúva, bordadeira e com três filhos. Os verbos estão no pretérito imperfeito, indicando uma situação habitual. Ainda no prólogo, estão anunciados os fatos que vão mudar essa situação de equilíbrio e serão contados no primeiro capítulo, O encontro. Abre-se, assim, com uma locução adverbial — “Certa vez” —, que interrompe o fluir do equilíbrio, e se iniciam as cenas que preparam o problema. Os verbos passam, dessa forma, a ser pontuais no passado, isto é, usando-se o pretérito perfeito do indicativo.

Essa parte do “reconto” apresenta três seqüências: (1) a mulher vai ao mercado e vê o tecido maravilhoso; (2) decide também fazer um bordado maravilhoso e se põe a trabalhar nele; (3) na praça, quando mostra o bordado aos vizinhos, o vento leva-o para longe, deixando a mulher triste e doente.

Embora a narrativa, pelas suas qualidades literárias, se sustente por si mesma, sem as ilustrações, o projeto gráfico e os desenhos de Helena Alexandrino só acrescentam elementos que ampliam a beleza da prosa de Perrotti.

Assim, o texto escrito por Perrotti em O Bordado Encantado e a imagem lírica de Helena Alexandrino dialogam, quase independentes, preservando as características de cada um dos artistas. A ilustração intensifica, plasticamente, o encantamento criado por este belo “reconto”.

Fonte: FARIA, Maria Alice. Como usar a literatura infantil na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2004. p.105 a 111.
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