Edição 53

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O conhecimento a um clique de distância

Patrícia Lopes Pinto da Silva

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Não é novidade que a tecnologia e a Internet têm contribuído muito para que o conhecimento não fique somente guardado nas estantes das bibliotecas. No entanto, esse saber à disposição não terá utilidade se não soubermos como acessá-lo. Desenvolver as habilidades de pesquisa nos estudantes é um dos grandes desafios do professor atualmente.

Especialmente no âmbito escolar, a informática tem mudado bastante a forma como interagimos com o conhecimento. O professor deixou de ser aquele que articula os saberes, fazendo com que o aluno relacione fatos e consiga construir sua opinião através do senso crítico. O educador deve ser aquele que está disposto a ajudar o estudante a trabalhar em grupo e a construir seus próprios conhecimentos, como disse Piaget.

Diante dessa nova realidade, faz-se cada vez mais necessária a busca por capacitações e aperfeiçoamento para que nos apropriemos do mundo digital e, consequentemente, para que o aprendizado, através das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), seja efetivo e traga bons resultados para o âmbito escolar. A conexão com os acontecimentos contribui muito para o aprendizado, pois, através de um clique, podemos saber o que acontece no mundo todo em fração de segundos.

Uma nova forma de ler

A Internet é um vasto mundo, tem tanto conteúdos positivos quanto negativos. Se o professor e os alunos não se ajudarem, poderão se perder, pois ainda não estamos acostumados ao tipo de leitura que é feito em meios digitais. Em um livro, a leitura é linear, ou seja, viramos as páginas em sequência e lemos. Dificilmente conseguiremos entender a história se pularmos alguns capítulos, porque há ligação entre as partes.

Na Internet é bem diferente: estamos em um site e, durante a leitura, há um link. Se clicarmos nesse link, vamos parar em outro site, que pode não ter nada a ver com aquele texto inicial. É a chamada leitura não linear ou, como Pierre Lévy disse, um texto caleidoscópico, móvel, que gira e se descobre à nossa frente. Esse texto, em que se agregam conjuntos de informação na forma de imagens, palavras ou sons, cujo acesso se dá por links, é conhecido como hipertexto. Trabalhar com esse formato, hoje em dia, é fundamental na formação do aluno.

Outros jeitos de navegar

Muitas vezes se criticam os jovens que passam muito tempo em lan houses, jogando ou interagindo em redes sociais. É um dado realmente preocupante; entretanto, o interesse pela pesquisa e pelo conhecimento precisa ser despertado. A escola é uma das responsáveis pela formação do indivíduo, portanto é o maior estímulo para que o aluno busque aprender. O aluno não considera que a Web é um vasto mundo de informações, no qual ele pode conhecer e aprender de tudo. A maioria das crianças e dos jovens considera apenas o lazer que ela pode propiciar, muitas vezes por não saber como lidar com a grande quantidade de informações. Cabe ao professor contribuir com a mudança de tal mentalidade, propiciando atividades de pesquisa que possibilitem a descoberta do mundo digital.

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Se os jovens gostam tanto de ficar no Orkut ou no MSN, pode-se provocá-los a desenvolver atividades diferentes, mostrando uma outra forma de navegar por essas redes. Por exemplo, descobrir comunidades e blogs interessantes ou criar fóruns de discussão são algumas ideias que os professores podem trabalhar em sala de aula. Já que os alunos são tão fissurados nisso, por que não os despertar para o aprendizado através dessas ferramentas?

Pelo MSN, é possível entrar em contato com pessoas de todo o mundo. Se há uma língua estrangeira na escola, pode- se ter uma interação com escolas de outro país, para que os estudantes conversem em inglês ou espanhol. Isso será muito importante para a formação do aluno, e a escola é que vai possibilitar essa atividade.

Na minha escola, iniciaremos um projeto, junto com a professora de Espanhol, em parceria com uma escola da Argentina. Os alunos vão enviar mensagens por e-mail, em espanhol, e os de lá vão responder. Se mostrarmos o outro lado daqueles sites e programas que os estudantes já conhecem, eles sairão da escola com outra postura, entendendo o computador como uma ferramenta não só de lazer, mas também de aprendizado. Terão mais vontade de buscar o conhecimento que está a um clique de distância.

Patrícia Lopes Pinto da Silva é graduada em Pedagogia, pós-graduanda em Tecnologias (PUC-RJ) e professora de Informática no município de Santa Gertrudes/SP.
E-mail: paty_silva22@yahoo.com.br.

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