Edição 07

Matérias Especiais

O CONSUMISMO IRRESPONSÁVEL COMO UM DESCAMINHO PARA A PAZ

Dentre as proposta de globalização, deveríamos incluir a paz, mas não uma paz parcial uma paz também global. Todas as questões tratadas no processo de globalização tem uma estreita relação com a paz. Considerando que a paz inicia no respeito ao outro, seja a mesma espécie humana ao ambiente em que ele sobrevive, a paz está ligada diretamente a questão ética. Ou melhor, sem ética nas relações não encontramos paz, nem parcial nem global.

Valores e ética

Estamos vivendo um modelo de sociedade que privilegia a primazia da espécie humana dente todas as espécies vivas. A espécie humana, privilegiada, tem a natureza subordinada à sua vontade, caprichos e ganância, dando origem a um sistema de produção para satisfazer esse comportamento, cuja síntese é identificada com autoridade, poder e consumismo. O consumismo, neologismo associado ao consumo desenfreado e irresponsável, leva à exaustão dos recursos naturais, à inveja, arrogância e prepotência, à iniqüidade e à poluição e lixo incontrolável, o que representa uma crescente ameaça à sobrevivência das espécies. O homem declara-se em guerra com o ambiente, natural e cultural.

A não-satisfação de caprichos e ganâncias leva a uma auto-agressão destruidora. O indivíduo não se conforma com sua incapacidade de atingir metas perversas e colocar-se em guerra consigo mesmo.

Outro se identifica com a causa de seu insucesso e vê, nos recursos para a satisfação de sua vontade, caprichos e ganância. Coloca-se em guerra coma sociedade, procurando subordina-la à sua vontade, caprichos e ganância.

Guerra com o ambiente e consigo, com a sociedade sintetizam as causas do risco que paira sobre o planeta. É importante notar que as violações que dão origem a esse estado são, muitas vezes, aceitas pelos outros, desde que subordinadas a critérios acordados pela comunidade, que constituem um conjunto de valores.

Valores, parte integral de uma cultura, são os parâmetros que permitem determinar o aceitável e o não-aceitável no comportamento dos indivíduos, na busca de sua sobrevivência e de sua transcendência, na satisfação de suas necessidades materiais e espirituais.

Valores, assim conceituados, são manifestações culturais que relacionam os meios com os fins. Os fins constituem as grandes utopias de indivíduos de sociedades, dos sistemas de explicações e dos mitos, da cultura. Os meios dependem dos instrumentos materiais e intelectuais de que dispomos, também dependentes da cultura.

Uma excursão pela história revela que novos meios de sobrevivência e de transcendência, novos modos de satisfação de necessidades materiais e espirituais fazem com que valores mudem. Mas alguns valores devem permanecer, indo além das especificidades culturais. Essencialmente, o respeito pelo outro (diferente), a solidariedade com outro e a cooperação com o outro devem ser valores universais.

Esses valores universais constituem uma ética maior, sem a qual a qualidade de ser humano se dilui.
Uma proposta para essa ética maior é a ética da diversidade:

1. Respeito pelo outro com todas as suas diferenças;

2. Solidariedade com o outro na satisfação das necessidades de
sobrevivência e transcendência;

3. Cooperação com o outro na preservação do patrimônio natural e cultural comum.

Mas por que a humanidade caminha em direção contrária a essa ética, sem a qual a espécie humana não pode sobreviver?

Essa questão maior tem sido a motivação dos grandes modelos filosóficos, religiosos e científicos.

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