Edição 96

Lendo e aprendendo

O conto e o reconto de histórias: um diálogo com Paulo Freire

Rosa Costa

Introdução

“Pedro viu a uva”, ensinavam os manuais de alfabetização. Mas o professor Paulo Freire, com o seu método de alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças, no Brasil e na Guiné-Bissau, na Índia e na Nicarágua, descobrirem que Pedro não viu apenas com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se uva é natureza ou cultura. Pedro viu que a fruta não resulta do trabalho humano. É criação. É natureza. Paulo Freire ensinou a Pedro que semear a uva é ação humana e sobre a natureza.

Agora Pedro vê a uva, a parreira e todas as relações que fazem do fruto festa no cálice de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no amor na manhã de 2 de maio. Deixa-nos uma obra inesquecível e um testemunho admirável de competência e coerência

É a mão, multiferramenta, despertando as potencialidades do fruto. Assim como o próprio ser humano foi semeado pela natureza em anos e anos de evolução do cosmo. Colher a uva, esmagá-la e transformá-la em vinho é cultura, assinalou Paulo Freire. O trabalho humaniza a natureza, e, ao realizá-lo, o homem e a mulher se humanizam. Trabalho que instaura o nó de relações, a vida social. Graças ao professor, que iniciou a sua pedagogia revolucionária com os operários do Sesi de Pernambuco, Pedro viu também que a uva é colhida por boias-frias, que ganham pouco, e comercializada por atravessadores, que ganham melhor. [...] Pedro viu a uva, e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Pedro que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto do autor e do leitor. É dessa relação dialógica entre texto e contexto que Pedro extrai o pretexto para agir. No início e no fim do aprendizado, é a práxis de Pedro que importa. [...] Agora Pedro vê a uva, a parreira e todas as relações que fazem do fruto festa no cálice de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no amor na manhã de 2 de maio. Deixa-nos uma obra inesquecível e um testemunho admirável de competência e coerência. [...] (FREI BETTO, 1997).

7_paulo_freireComo Pedro também, bebemos no cálice que transbordava o vinho daquela uva. Vamos a essa fonte beber e até nos embriagar com o vinho extraído de parreiras que contaram e contam muitas histórias do mestre Paulo Freire como um grande contador de histórias que semeou seus conhecimentos por meio de suas histórias de vida e amor à sua terra, como todo bom nordestino.

O artigo trata das questões que envolvem o conto e o reconto. Nessa perspectiva, vamos introduzir um tema inquietante no que podemos chamar de reconto. Recontar histórias de vidas, por meios de relatos do cotidiano. Desenvolver um diálogo com Paulo Freire será viajar no movimento cultural que busca no reconto atitudes reflexivas com uma visão voltada ao social. Começamos pela peculiar história que articula entre teoria e prática, ensino e aprendizagem por meio do diálogo.

O mestre Paulo Freire, ao contar em seus livros como foi alfabetizado embaixo de uma mangueira, deixa a luz, um início de contação que vai até sua intenção de interpretar o mundo por meio da leitura desse mundo. Suas histórias contadas por ele e por diversos autores deixam momentos vividos com certo gosto nordestino da sua origem sertaneja. Buscaremos nessas histórias e em suas entrelinhas o resgate de uma vida, idas e vindas dentro e fora do seu país, mas sempre recontadas com alegria. Ele nos deixou “raízes, asas e sonhos”.

Também apresentaremos sua história de vida, por entender que foi o início de tudo, de uma vida pautada na simplicidade e humanização de um cidadão que buscou viver intensamente as histórias que nos fazem reviver sua importância na construção do nordestino. Tão importante quanto Paulo Freire, temos Monteiro Lobato, Câmara Cascudo, Theobaldo Santos e muitos outros que cultivaram o conto e reconto folclórico e fictício ou leituras e releituras de sua vida.

A história que mostramos da “uva”, sua função, seu recurso, pessoas que podem usar o fruto para manutenção e alimento, pode demonstrar a quantidade de pessoas que dependem de um determinado parreiral. As questões pedagógicas, políticas e sociais que perpassam no texto, dando vida e movimento a todo um contexto.

Temos como objetivo geral: navegar nas entrelinhas das histórias desses autores, dialogando com seus contos e recontos que contribuíram para a leitura de mundo. Como objetivos específicos: ressaltar o folclore da região, com contos africanos, indígenas, mal-assombrados, fictícios, jocosos e reais; apresentar o conto e reconto como prática social e leitura de mundo; desenvolver estratégias que definam o contar ou narrar uma história, por meio da oralidade ou narrativas. Para tal, apresentamos o conto e reconto como resgate da prática milenar de contação de histórias. Por este texto de abertura e os demais, vamos trilhar nas fontes de autores comprometidos com o conto e reconto, buscando, nas histórias de vida, razões que os levaram a desaguar no rio de águas cristalinas, igual ao que desaguava próximo à mangueira sob a qual Paulo Freire foi alfabetizado.

Viajaremos pelo mundo do encantamento, buscando o registro do que falamos, acreditando que contar histórias é uma arte milenar. Sendo uma arte milenar, devemos perpetuá-la e recontá-la para todos os que acreditam que, por trás de cada história contada, existe um sonhador, esperançoso por fazer o reconto de uma história verdadeira, sonhada, imaginada por um autor compromissado com a formação do cidadão.

Referencial Teórico

Quem conta um conto aumenta um ponto, Paulinho: o menino que escreveu uma nova história, com autoria de Abramowicz e Casadei (2010), traz a história de vida de Paulo Freire; reconto agora para vocês:

8_paulo_freireMenino cheio de anúncios de que seria professor: cheio de curiosidade, inquietação por saber, gosto de ouvir, vontade de falar [...]. Brasileiro e nordestino com asas de anjo, cabeça de professor, mãos de escritor-poeta e coração de frade franciscano. Na terra, suas estrelas-guias foram os pais, Joaquim e dona Edeltrudes. Paulinho era o caçula de quatro filhos. Nasceu no Recife, PE, em 19/09/1921. Aprendeu a ler e escrever com gravetos no chão de terra, à sombra das mangueiras, perto das bananeiras, dos cajueiros, da árvore que dá fruta-pão. [...] Paulinho caminhou lendo muito, ouvindo as histórias que as pessoas contavam e gostando demais das palavras ditas, escritas e lidas. Na década de 1940, Paulo casou; foi pai de cinco filhos. Na mesma época, nasceu também o Projeto A Educação Alfabetizadora de jovens e adultos. Ele sempre dizia: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si”. E perguntava a seus alunos: “Mas por que para nós a palavra tijolo é importante?” “É que ‘nós’ só ‘pensa’ em tijolo. Fizemos mil hoje.”. “Vamos conversar sobre o quanto trabalharam? Por que será que nunca conseguiram ir à escola?” (1964). As ideias de Paulo Freire não mais foram aceitas, e o projeto de alfabetização foi abandonado. Ele também foi perseguido, preso e exilado. A voz de Paulo Freire se calou na partida. A voz que foi calada no Brasil foi respeitada, ouvida e repetida no mundo todo. “Cheguei ao Chile de corpo inteiro. Paixão, saudade, tristeza, esperança, desejos, sonhos rasgados, mas não desfeitos, ofensas, saberes acumulados, [...] disponibilidade à vida, vontade [...] de viver e de amar. Esperanças, sobretudo. Escolhi a sombra desta árvore para repousar do muito que farei, enquanto esperarei por ti. Quem espera na pura espera vive um tempo de espera vã. Por isso, enquanto te espero, trabalharei os campos e conversarei com os homens” (1980). Na volta ao Brasil, a sua vida acadêmica volta a florescer. Paulo sofre mais uma grande perda. Sua companheira de 42 anos partiu para não mais voltar. Amei durante 42 anos intensamente! “Ela não morreu em mim” (Elza Maia Costa Oliveira). O tempo passou, Paulo casa novamente e diz: “Tive a coragem de casar, de amar outra vez! [...] Quem não é capaz de amar tem que se rever”. Freire faleceu em 02/05/1997 aos 75 anos. “Qual a herança que posso deixar? Penso que poderá ser dito quando já não estiver no mundo [...]. Que não podia compreender a vida e a existência humana sem amor e sem conhecimento. Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida. Comunhão com as diferentes expressões de vida [...].” A vida em plenitude. A comunidade freiriana reúne instituições e pessoas em mais de 90 países de todos os continentes. E você? Qual é a sua palavra para o mundo?

Assim me contaram e assim vos contei. Aqui termina o era uma vez

O reconto de vida e histórias do mestre Paulo Freire se apresenta por metáforas, desejos e sonhos, bem característico do autor, ao falar:

“Menino cheio de anúncios de que seria professor: cheio de curiosidade, inquietação por saber, gosto de ouvir, vontade de falar [...]. Brasileiro e nordestino com asas de anjo, cabeça de professor, mãos de escritor-poeta e coração de frade franciscano”.

Esse menino era corajoso e curioso, buscava na adolescência ouvir muitas histórias, contadas pelos moradores da redondeza, e de tanto ouvi-los foi aguçando seu desejo pelas letras, palavras escritas e vividas, e dizia: “Com eles aprendi o que significava comer pouco ou nada comer”. Sua visão de mundo foi se ampliando, seu discurso em prol do proletariado ia tomando corpo; e seus pensamentos, evoluindo com sua formação acadêmica.

Uma das impressões mais visíveis da minha trajetória profissional é a busca consistente pela unidade entre teoria e prática. É nesse sentido que meus livros, bons ou ruins, são crônicas teóricas “dando que foi feito”, ligadas aos eventos nos quais estive envolvido. (FREIRE, 2001, p. 5).

Freire fazia do seu discurso um recontar da sua trajetória, como não chamá-lo também como contador de histórias, um encantador com suas belas histórias. Há uma história que ouvimos de seus seguidores sobre sua vida profissional em que acrescentava: “A nossa convicção é a de que, quanto mais cedo comece o diálogo, mais revolução será” (Freire, 2001, p. 4). E nesse discurso revolucionário temos a história do seu primeiro cliente na função de advogado:

“Me emocionei muito esta tarde”, disse Paulo Freire a Elza. “Já não serei advogado.” [...] Falei então do havido, das coisas vividas, das palavras, dos silêncios significativos, do dito, do ouvido. Do jovem dentista diante de mim a quem convidara a vir ter uma conversa comigo enquanto advogado de seu credor. O dentista instalara, senão totalmente, pelo menos em parte, seu consultório e não pagará seus débitos. “Errei”, “ou fui demasiado otimista quando assumi o compromisso que hoje não posso honrar. Não tenho como pagar o que devo. Por outro lado”, continuava o jovem dentista, em voz lenta e sincera, “segundo a lei, não posso ficar sem os instrumentos de trabalho. O senhor pode providenciar a tomada de nossos móveis — a sala de jantar, a sala de visita…”, e, rindo um riso tímido, nada desdenhoso, mais do que com humor do que com ironia, completou: “Só não pode tomar minha filhinha de ano e meio”. Ouvi calado, pensativo, para, em seguida, dizer: “Creio que você, sua esposa, sua filhinha, sua sala de jantar e sua sala de visita vão viver uns dias como se estivessem entre parênteses com relação aos vexames de seu débito”. Só na próxima semana poderei ver o credor a quem devolverei a causa. [...] Gostaria de lhe dizer também que, com você, encerro minha passagem pela carreira nem sequer iniciada. Obrigado”. (FREIRE, 1921, p. 17/18)

Assim me contaram e assim vos contei. Aqui termina o era uma vez

O relatado trata de uma experiência vivida, “o dito e o ouvido” do mestre que vivenciava uma injustiça social tão grande que desistiu de exercer a sua carreira por amor à pedagogia do saber, do entender, da solidariedade e do entendimento do sofrimento do outro. O rapaz monta seu consultório e, não conseguindo pagar sua dívida, precisa acordar do seu sonho de odontologista, que lhe daria condições de sobrevivência e ainda fazer sua parte atendendo a comunidade carente daquele lugar. O sonho acabou, teria que devolver o material do seu consultório por falta de recursos para honrar seu compromisso. E assim a história se repete em toda sociedade mal estruturada, com distribuição desigual na economia do País. E Freire nos convida a uma leitura crítica do mundo. Gadott (1960) diz:

Paulo Freire foi chamado certa vez de andarilho da utopia. A utopia estimula a busca: ao denunciar uma certa realidade, a realidade vivida, temos em mente a conquista de uma outra realidade, uma realidade projetada. Esta outra realidade é a utopia. A utopia situa-se no horizonte da experiência vivida. Em Paulo Freire, a realidade projetada (utopia) funciona como um dínamo de seu pensamento agindo diretamente sobre a práxis. Portanto, não há nele uma teoria separada da prática (GADOTT, 1996, p. 78).

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Freire não podia nos convidar a fazer uma leitura crítica de mundo e despejar ou mesmo tirar daquele pai de família seu único sustento. Logo, a sua atitude solidária e o compromisso com sua ideologia fez com que logo desistisse da sua formação em Direito, o direito não era para todos, e sim para os mais favorecidos financeiramente. O pensamento utópico nos leva a pensar e desejar o que pode ou não ser realizado. Mas nada pode nos impedir de sonhar com um mundo melhor, um mundo justo com todas as crianças na escola, ouvindo e contando histórias. Freire (1992, p.18) também traz no seu discurso que: “Nunca um acontecimento, um feito, um gesto de raiva ou de amor, um poema, uma tela, uma canção, um livro tem por trás de si uma única razão”.

Trazemos um reconto que proporcionou a Paulo Freire (1992, p. 27) uma reflexão sobre suas falas “[...] para a necessidade de que, ao fazer o seu discurso ao povo, o educador esteja a par da compreensão do mundo que o povo esteja tendo”. Permitindo-o entender aquele operário que falava em nome de um grupo de “gente” que também queria ser entendido. Vamos ao discurso do operário (desconhecido), recontado por Paulo Freire (1992, p. 26/27):

Em Pedagogia da Esperança, Paulo Freire faz o reconto de um homem de aparentemente 40 anos, de quem não conseguiu saber o nome, que pediu a palavra e lhe deu talvez a mais clara e contundente lição que já havia recebido na sua vida de educador. “Agora, eu queria dizer umas coisas ao doutor que acho que os meus companheiros concordam.” Fitou-me manso, mas penetrantemente, e perguntou: “Dr. Paulo, o senhor sabe onde a gente mora? O senhor já teve na casa de um de nós?”. Começou então a descrever a geografia precária de suas casas. A escassez de cômodos, os limites ínfimos dos espaços em que os corpos se acotovelam. Falou da falta de recursos para as mais mínimas necessidades. Falou do cansaço do corpo, da impossibilidade dos sonhos com uma manhã melhor. Da proibição que lhes era imposta de ser felizes. De ter esperança. Acompanhando seu discurso, eu adivinhava os passos seguintes, sentado como se estivesse, na verdade, me afundando na cadeira, que ia virando, na necessidade de minha imaginação e do desejo de meu corpo em fuga, um buraco para me esconder. Depois, silencioso por uns segundos, passeou os olhos pelo auditório inteiro, me fitou de novo e disse: “Doutor, nunca fui à sua casa, mas vou dizer ao senhor como ela é. Quantos filhos tem? É tudo menino?”. “Cinco — disse eu, mais afundado ainda na cadeira. — Três meninas e dois meninos.”

“Pois bem, doutor, sua casa deve ser uma casa solta no terreno, que a gente chama casa de ‘oitão livre’. Deve de ter um quarto só para o senhor e sua mulher. Outro quarto grande, para as três meninas. Tem outro tipo de doutor que tem um quarto pra cada filho e filha. Mas o senhor não é desse tipo, não. Tem outro quarto para os dois meninos. Banheiro com água quente. Cozinha com a linha Arno. Um quarto de empregada bem menor que os dos filhos e no lado de fora de casa. Um jardinzinho com grama ‘ingressa’ (inglesa). E deve ter ainda um quarto onde bota os livros — sua livraria de estudo. Tá se vendo, por sua fala, que o senhor é homem de muitas leituras, de boa memória. Não havia nada a acrescentar nem a retirar. Aquela era a minha casa. Um mundo diferente, espaçoso, confortável. [...] “Mas — continuou — uma coisa é chegar em casa, mesmo cansado, e encontrar as crianças tomadas banho, vestidinhas, limpas, bem comidas, sem fome, e outra é encontrar os meninos sujos, com fome, gritando, fazendo barulho. E a gente tendo que acordar às quatro da manhã do outro dia para começar tudo de novo, na dor, na tristeza, na falta de esperança. Se a gente bate nos filhos e até sai dos limites não é porque a gente não ame eles, não. É porque a dureza da vida não deixa muito para escolher.” Isso é saber de classe, digo eu agora. [...] nas metáforas tão comuns ao discurso popular, ele chamava a atenção do educador ali em frente, sentado, calado, afundando-se em sua cadeira.

Assim me contaram e assim vos contei. Aqui termina o era uma vez

O discurso do operário mostra a Paulo Freire as diferenças de classe, na vida que cada um leva e como o contexto da realidade de cada um pode fazer a diferença. Uma casa com quatro quartos e oitões livre é bem diferente de uma casa, às vezes ou sempre, alugada, com um único vão para todos e banheiro do lado de fora da casa. Quando Paulo Freire falava no seu discurso dados de sua pesquisa (Educação e atualidade brasileira, 1959), como trabalho acadêmico, buscando respostas dos porquês das crianças e famílias pesquisadas, alegava a falta das aulas como opção de liberdade que lhes era oferecida. A forma como as crianças das famílias pesquisadas eram tratadas, o descaso aos estudos e a valorização do castigo para as crianças, deixando de ver o contexto da vida daquela gente. Mas um operário de nome desconhecido, cabeça erguida, olhos vivos, voz forte, clara, seguro de si, com uma fala lúcida e coerente, mostrou seu valor. Em discurso pautado no senso comum, recheado de argumentos sólidos, levando o mestre Paulo Freire a repensar sua pesquisa, sua pratica pedagógica, percebendo e integrando no seu discurso um olhar amoroso.

Não tem como não trazer as possibilidades de um contador de história e seu discurso. Para esse contexto, fazemos uma breve retrospectiva do contador de história. Falamos das ações do contar e recontar, traços fundamentais na oralidade daqueles que buscam na contação de suas histórias ou histórias de outros autores um bem querer pelo saber fazer. O reconto dos causos e outros diversos gêneros são fontes de conhecimentos e análises do mesmo como prática de liberdade e exercício de relações pedagógicas, políticas e sociais.

Considerações finais

O conto e o reconto da literatura tem toda uma estrutura de contação que ludicamente envolve e possibilita que esse momento mágico e encantador possa desencadear uma aprendizagem satisfatória, um repensar da nossa literatura, que desperta um sonho adormecido dentro de cada um de nós.

Trazer o mestre Paulo Freire nessa prática é mais um caminho a ser percorrido no mundo da contação e resgates das histórias contadas e recontadas em cada foro de debate da prática pedagógica. E lendo o mundo estamos fazendo uma reflexão social, cultural, política e pedagógica do mundo que queremos, com a vasta esperança de ter um planeta melhor.

Rosa Costa é Mestra em Ciências da Linguagem (Universidade Católica de Pernambuco) especialista em Recursos Humanos (UFPE), pedagoga (UFPE), professora em cursos de formação de professores (UPE), professora convidada de pós-graduação (Fafire e UPE), membro do grupo de estudos do Centro Paulo Freire Estudos e Pesquisa – Recife/PE, contadora de histórias, escritora de literatura infantil e coordenadora do grupo O Reino dos Contos e Recontos. E-mail: rosacostaf@ig.com.br

Referências

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1997.

___. A arte de contar história. Rio de Janeiro: Cortez, 2000.

ABRAMOWICZ, Mere. Paulinho: o menino que escreveu uma nova história. Godoy. São Paulo: Cortez, 2010.

FREIRE, P.R. Pedagogia da indignação. São Paulo: Unesp, 2000.

___. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

___. Pedagogia da esperança – um reencontro com a pedagogia do oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

___. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1987.

LIMA, Maria Nayde dos Santos. Rosas, Argentina (Org.). Paulo Freire – quando as ideias e os afetos se cruzam. Recife: UFPE, 2001.

MATOS, Gislayne Avelar. SORSY, Inno. O ofício do contador de histórias: perguntas e respostas, exercícios práticos e um repertório para encantar. 3º Ed. São Paulo. Editora WMF, Martins Fontes, 2009.

WAINER, Julio. Paulo Freire: um educador do povo. (Movimento de trabalhadores rurais sem-terra). Veranópolis: Peres, 2001.

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