Edição 46

Matérias Especiais

O que o professor do seu filho gostaria de lhe dizer

Dos professores, 33% gostariam de dizer: “Crianças precisam se distrair depois do colégio. Tudo bem se ele quiser assistir a um pouco de TV ou jogar videogame.”

“Não tem como uma criança passar o dia todo estudando. A brincadeira a deixa motivada e favorece resultados positivos na escola”, afirma Medel. Mas fique atento se a diversão do seu filho limitar-se a televisão, videogames ou computador. “São atividades que só devem ser permitidas em doses homeopáticas”, defende o professor Antônio Zuin.

Dica: A hora da brincadeira é sagrada, de preferência depois de cumpridos os deveres de casa.

Dos professores, 32% gostariam de dizer: “Você não está sendo realista quanto às verdadeiras habilidades de seu filho”.

“É natural que os pais tenham expectativas exageradas e avaliações generosas em relação aos filhos, mas isso gera conflitos quando são apontados defeitos e dificuldades reais dos alunos”, relata o professor José Carlos. Também há pais que projetam carreiras para os filhos, como a de advogado ou de engenheiro, e lotam a agenda deles com atividades extracurriculares. “O melhor é procurar observar as aptidões da criança e optar por uma escola que desenvolva suas potencialidades”, aconselha a professora Maria Ângela Barbato Carneiro, da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo.

Dica: Encoraje seu filho e comemore as boas conquistas dele. Ajude-o com estratégias para aumentar a autoconfiança. Mas não queira transferir para ele suas expectativas e frustrações profissionais. Seja realista.

Dos professores, 30% gostariam de dizer: “Por que eu deveria abrir mão do meu tempo livre para uma reunião de pais quando você mesmo não tem interesse em participar?”.

Nas reuniões de pais e professores, fica visível a falta de participação dos responsáveis na vida escolar dos filhos. “Nos corredores, é comum ouvirmos que nas reuniões comparecem apenas os pais dos alunos que não têm problemas. Talvez estejamos diante de uma geração de abandonados”, arrisca o professor José Carlos.

Dica: Encare a reunião como uma oportunidade de ouvir quem mais convive com seu filho além de você.

Dos professores, 16% gostariam de dizer: “Seu filho é tão bagunceiro! Você não deveria esperar que eu conseguisse educá-lo”.

“A falta de limites em casa se reflete na sala de aula. E, se os pais discordam da punição e teimam em defender os filhos, estes percebem e não respeitam mais o professor”, diz a psicopedagoga Marisa Rosa Knob. Há alguns anos, a professora Maria Ângela conta que repreendeu um aluno durante a aula e ouviu dele: “Meu pai paga a escola, e você é minha funcionária”.

Dica: Confie na escola e valorize o trabalho do professor. “Hoje conhecemos mais os alunos que seus próprios pais. Sem parceria não vamos a lugar nenhum”, acredita Marisa Knob.

Dos professores, 15% gostariam de dizer: “Por favor, certifique- se de que seu filho toma banho antes de ir à escola”.

“Não temos como fazer de conta que problemas como este não existem. Embora em número reduzido, dois ou três alunos numa turma de 30, é uma questão delicada, que precisa ser abordada”, revela a orientadora Cássia Medel. “O ideal é, em vez de chamar a atenção do aluno individualmente, abordar o tema da higiene de forma geral, durante a reunião de pais”, aconselha ela.

Dica: Banhos diários e roupas limpas são cuidados que crianças e adultos devem ter.

Outras observações importantes que alguns professores gostariam de fazer:

Trate seu filho como gente, e não como uma máquina que precisa ser alimentada com presentes.

• O professor é fundamental na formação intelectual, mas são os pais que têm o dever de educar.
• Participe mais e faça seu filho ser mais responsável. Isso também é uma demonstração de amor.
• A ausência dos pais na educação dos filhos não deve ser compensada com aparelhos eletrônicos.
• Não podemos cobrar aquilo de que não damos exemplo na nossa conduta diária.

Revista Seleções. O que o professor do seu filho gostaria de lhe dizer. Rio de Janeiro: 2009, p. 86-91.

cubos