Edição 29

Sugestão de Atividades

O teatro na sala de aula

Você sabe o que é folclore?
Vou lhe dar a explicação:
É tudo aquilo que vem do povo [bis]
E nasce livre no coração.
Tem a lenda da Mãe D’água,
Tem a lenda do Saci,
Do Curupira, Vitória Régia,
Cateretê, Jurupari.
Tem as danças e tem os cantos,
Que até hoje vê o carnaval,
Festa junina, a capoeira, maculelê.

teatro

Música: Asa Branca Autor: Luiz Gonzaga Adaptação da letra: Jocineide Bento Meirelis
Retirado do livro Crianças Negras: deixei meu coração embaixo da carteira – Yvone Costa de Souza – Porto Alegre: Mediação, 2002.

Profa. Zélia Maria Wanderley Dantas*

A volta às aulas, no mês de agosto, traz à lembrança de cada um de nós, professores, a importância de bem planejar os aspectos da nossa cultura popular, tão rica de manifestações, que poderão ser vivenciados com os alunos.

Essa importância deriva da necessidade de se manterem vivas, na memória coletiva e também na individual, as nossas raízes culturais, aquelas que nos dão identidade e marcam as nossas referências como povo brasileiro.

Não esqueçamos que estamos imersos na “aldeia global”, que vivemos a contemporaneidade, tão marcada pela tecnologia e por suas maravilhosas contribuições em todas as áreas do conhecimento humano. Mas faz-se necessário, também, preservar, de geração a geração, tudo o que representa a nossa tradição.

Sugerimos, como uma das atividades para o mês do folclore , uma peça de teatro, para que a representação artística possa se concretizar através de várias formas de expressão: os brinquedos dramatizados, as pantomimas (representação de idéias e emoções através de gestos) e a dramatização. Por outro lado, a representação de histórias oferece ao professor a oportunidade de conhecer interesses e aptidões de seus alunos, pois, ao vivenciar uma cena, a criança não representará, mas será ela mesma no mundo do “faz-de-conta”, dando vida a uma personagem.

NO MUNDO DOS BRINQUEDOS

teatro1

Cenário 1 – Quarto de criança.

Em uma prancha, entre jogos eletrônicos, estão: bonecos do Mestre Vitalino (Boneco Tocador de Zabumba, Boneco Sanfoneiro), um pião, João-teimoso (boneco sempre-em-pé), carros e aviões movidos a pilha, caixas com lego, etc.

Cena 1 – Criança, em seu quarto, demonstra aborrecimento porque seu videogame deu problema. O s bonecos, “vendo” o sofrimento do menino, ganham vida e falam:

teatro2Zé Zabumba
Amigo sanfoneiro,
“devagar se vai ao longe”,
e… “quem espera sempre alcança”.
Mostre a ele quanta beleza,
mais parecem uma festança,
as brincadeiras de criança.

Boneco Sanfoneiro
— João-teimoso, se levante,
você não é o “ sempre-em-pé”?
Alegre este menino,
que “tristeza não dá pé”!

Boneco Sanfoneiro
— H ei, nem tudo ‘stá sempre azul!
Seu brinquedo já era… Mas… “não
faça tempestade em copo d’água”.

teatro3Zé Zabumba
(Toca e vai dizendo):
— Pra tudo, dá-se um jeito
nessa vida tão cheia de
“qüiproquó”.
Quebra aqui, emenda ali,
mas… não dê ponto sem nó.

Boneco Sanfoneiro
— Deixa de prosa, Zé Zabumba…
“Pelo afinar da viola,
se conhece o tocador.”
Não vê logo qu’esse menino
só quer o computador?…

teatro4Zé Zabumba
— Chamem a pipa, o papagaio ou a
curica.
Chamem a borboleta.
Chamem o cavalinho-de-pau.
Dêem a todos as asas da fantasia.
Vamos mostrar que, na nossa terra,
há tanto brinquedo quanto alegria!

Cenário 2 – Grande mapa do Brasil que vai se formando de peças de um imenso quebra-cabeça armado por crianças.

Cena 2 – Entram em cena outras crianças; algumas sentam em cima do mapa e vivenciam brincadeiras populares; outras, em volta do mapa, também brincam. Os bonecos mostram ao menino as crianças:

Jogando bola de gude.
Pulando amarelinha.
Jogando pião.
Dizendo adivinhações.
Brincando de boca-de-forno.
Brincando de barra-bandeira.
Brincando de telefone-sem-fio.
teatro5Andando em cavalo-de-pau.
Jogando com bola de meia.
Brincando de esconder a peia.
Brincando de passar o anel.
Brincando de escravos de Jó.

Ouve-se uma música de roda.
Todos se dão as mãos e saem.

Cena 3 – O menino continua triste, mas admirado. Trava-se o seguinte diálogo:

João-teimoso
— Por que essa tristeza,
depois de ver tanta algazarra,
tanta beleza,
tanta folia?
Em cada canto, quanta alegria!

teatro6Boneco Sanfoneiro
— Parece que você não entendeu
mesmo nada, João-teimoso!…
O menino viu, mas não brincou.
Só se mostrou a ele a belezura
dos brinquedos e do brincar!

Cenário 3 – Quarto do menino.

Cena – 4

João Teimoso
— Quanta confusão, Boneco Sanfoneiro!
É melhor puxar o fio desse novelo e desatar esse nopró.

Boneco Sanfoneiro
(Pára… imaginando o trançado que se faz nas mãos com cordões (imagens))
— Você, agora, me lembrou uma brincadeira.

Zé Zabumba
(Ouvia a conversa e diz
pausadamente):
— Vem, menino,
vem falar.
Diga logo-logo
a razão do teu pesar…

teatro7O Menino
(Deixa escapar palavras):
— Os quintais…
A rua…
As brincadeiras…
A amarelinha…

João-teimoso
(Pula e diz, entregando ao menino
um caleidoscópio):
— Veja cores,
veja brilho,
veja formas,
sonhe, crie,
use a fantasia…

Cena 5 – Os espelhinhos do caleidoscópio encantam a criança, que se senta olhando o brinquedo.

teatro8Boneco Sanfoneiro
(Vendo a criança brincar, diz):
— A criança tinha um outro jeito
de brincar,
de criar,
de sonhar…
O mundo muda…
A vida corre…
Roda o ponteiro do relógio,
roda o pião.
Se vê toda essa transformação,
mas não esqueça o que é bonito
e tem a nossa tradição!

Cena 6 – Os bonecos vão voltando aos seus lugares, e o menino brinca alegremente, carregando, em um caminhão de madeira, super-heróis e caixas de jogos eletrônicos.

teatro9

* Zélia Maria de Matos Wanderley Dantas de Oliveira é graduada em Pedagogia — habilitação em Magistério e Supervisão Escolar —, com larga experiência como professora, supervisora e diretora na rede particular de ensino. Atualmente, trabalha prestando serviços de assessoria pedagógica. É autora da Coleção Historiando, publicada pela Editora Construir.

E-mail : luzelia@hotlink.com.br

cubos