Edição 19

Projeto Didático

Oficinas Optativas – Uma Nova Organização do Espaço/Tempo Escolar

Abigail de Cássia Damasceno Brito

Segundo a LDB n° 9. 394/96, a educação escolar deve vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social, tendo como finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho.

No Ensino Médio atual, qualificar para o trabalho significa desenvolver nos alunos as múltiplas potencialidades, sem restringir-se à simples preparação para um ofício específico, posto de trabalho ou profissão. Assim, a Escola reconhece sua função social e política, determinada pelo seu papel de formadora para o exercício da prática produtiva e da cidadania.

Os novos perfis ocupacionais requerem habilidades intelectuais e comportamentais que são desenvolvidas na educação básica, como: raciocínio lógico, capacidade de comunicação verbal e escrita, capacidade de resolução de problemas, trabalho em equipe, compreensão de textos, julgamento crítico, raciocínio abstrato, responsa-bilidade, equilíbrio emocional, relações interpessoais, iniciativa, dinamismo e outras tantas que constituem a formação do educando.

Qualquer que seja o setor onde o jovem atue ou pretenda atuar, desenvolver tais habilidades e competências significa estar em busca da empregabilidade, apesar disso não garantir o emprego muitas vezes desejado.

Considerando as novas competências exigidas do profissional da educação — como a de negociar novas maneiras de administrar o tempo e o espaço escolar, buscando a permanência do aluno na escola —, desenvolver oficinas optativas para os alunos do curso de Suplência-Fase III (equivalente ao Ensino Médio) tornou-se uma forma de atender não só à determinação da Secretaria Estadual de Educação, mas também às reais necessidades dos alunos trabalhadores.

As oficinas são organizadas conforme as habilidades dos professores e visam atender aos interesses dos alunos, visto que muitos já trabalham e outros pretendem ingressar no mercado.

No primeiro semestre de 2004, já desenvolvemos trabalhos como: Atendimento ao Cliente, Introdução ao Turismo, Matemática Financeira Básica, Raciocínio Lógico, Teatro, Artesanato, Inglês (conversação), etc. Os professores trabalham de forma cooperativa na organização dos trabalhos (outra nova competência do profissional da educação), e os alunos participam conforme seus interesses e suas aptidões.

No curso de Suplência, que atende alunos defasados na idade/série porque não tiveram acesso à escola ou porque não continuaram os estudos na idade própria, nota-se um grande interesse quando o assunto é trabalho. As questões da evasão escolar e da distância entre teoria e prática ficam mais fáceis de ser enfrentadas quando se propõem estudos optativos para os alunos.

É claro que a escola básica não vai resolver o problema do desemprego, como também não vai preparar mão-de-obra qualificada, mas, sem habilidades intelectuais e comportamentais desenvolvidas, a exclusão é maior.

A escola sozinha não garante nada, mas uma boa escola colabora para a inclusão social e a realização pessoal do ser humano.

Abigail de Cássia Damasceno Brito
Supervisora Escolar (Especialização em Psicopedagogia)
EPG Leandro Escobar – Guarapari – ES

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