Edição 38

Matérias Especiais

Olinda Ontem, Hoje e Sempre

Eliane Maria Ferreira Chaves

olinda

Colégio Nossa Senhora do Carmo

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo facilitar a prática pedagógica dos professores e das professoras, servindo como mais uma ferramenta no ensino e na aprendizagem dos conteúdos de História e Geografia referentes à cidade de Olinda. Aspectos históricos, culturais, geográficos e socioeconômicos do município olindense são apresentados em temáticas, cujos blocos de conteúdos seguem uma trajetória cronológica e progressiva do processo histórico, oferecendo noções de decadência e de reconstrução, procurando acompanhar as mudanças fundamentais no ensino da História e da Geografia nos tempos atuais, quando se procura ressaltar o fato, o sujeito e o tempo históricos, como também a construção do espaço geográfico pelo próprio homem.

INTRODUÇÃO

Foi nos anos 1980 que aconteceram os questionamentos e as redefinições dos currículos, culminando em reformas curriculares marcantes, em razão da diversificação dos grupos sociais que compunham a clientela escolar. A escola não era mais aquele espaço no qual as informações dadas pelos professores e pelas professoras prevaleciam como verdades absolutas. O espaço escolar foi invadido pelas novas tecnologias de comunicação, como o rádio e a televisão, que, a partir de então, passaram a ser veículos de informação e formação, forçando modificações no currículo formal. Essas modificações foram alvo de discussões e estudos entre os docentes, numa conscientização unânime de que era necessária a inclusão dos meios de comunicação de massa nas estratégias de ensino, para a dinamização do saber escolar.

O ensino da História e da Geografia no Ensino Fundamental possui um objetivo específico e relevante: a construção da noção de identidade e a conscientização de que a ação humana constrói e transforma o ambiente.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) sugerem que os conhecimentos sejam significativos para os discentes e que contribuam para uma reflexão sobre as vivências, conquistas e produções do homem no espaço geográfico. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996, estabelece, no art. 26, parágrafo 4o, que o ensino da História do Brasil levará culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, enfatizando as matrizes indígenas, africanas e européias. Tudo isso fundamenta o objetivo principal deste trabalho, visto que a história e a cultura olindenses são partes fundamentais da história de Pernambuco e da própria história do País, reunindo costumes e crenças herdados dos portugueses colonizadores, dos indígenas (os primeiros habitantes desta terra) e dos povos africanos trazidos para o trabalho escravo nas plantações de cana e no fabrico de açúcar nos engenhos. Portanto, para conhecer e compreender a atual situação da Marim dos Caetés, faz-se necessário reportar aos longínquos acontecimentos e fatos dos quais resultaram os ritos religiosos, os costumes, os comportamentos, as criações artísticas e os ideais políticos do povo olindense.

BLOCO DE CONTEÚDOS

I. Aspectos históricos
Como surgiu Olinda.
Olinda no século XVI.
Olinda e a invasão holandesa.
O incêndio de Olinda.
O último quadro.
Um grito de liberdade.
Vultos importantes da história de Olinda.
Datas históricas olindenses.
Símbolos municipais.
As igrejas de Olinda.
Olinda, Patrimônio da Humanidade.

II. Aspectos culturais
Olinda, berço da cultura brasileira.
Olinda cantada em prosa e verso.
O carnaval de Olinda.
Manifestações folclóricas.
Os antigos jornais de Olinda.
Patrimônio musical de Olinda.

III. Aspectos geográficos e socioeconômicos
Olinda é assim.
Como Olinda é governada.
O farol de Olinda.
Indo e voltando para Olinda.

IV. Curiosidades sobre Olinda
Vale a pena saber.

V. Leituras Complementares
O farol de Olinda.
Os engenhos de açúcar.
Matias de Albuquerque.
Bernardo Vieira de Melo.
Dona Brites de Albuquerque.
O tombamento de Olinda.
O boi milagroso.
O último quadro.

METODOLOGIA

Ensinar e aprender História e Geografia constitui-se, atualmente, em ações educativas que ultrapassam:

Leituras de fatos isolados do contexto histórico em que viveram ou vivem seus personagens.
Concepções de ensino nas quais os fatos são acolhidos por professores e alunos para analisar determinados acontecimentos.
Estudo dos acontecimentos e fenômenos com identificação de datas, repassando erroneamente a compreensão de que há uma seqüenciação natural e lógica das ações humanas.
Uma abordagem que favorece a compreensão, por parte dos educandos, de que eles são partes integrantes, agentes passivos e ativos, das paisagens terrestres, como também sujeitos construtores do tempo histórico.
Não bastam os conhecimentos informados no livro básico ou nas aulas expositivas. É preciso trabalhar de forma mais dinâmica e instigante, observando, descrevendo e interagindo de maneira indireta — através de fotos, literatura, vídeos, relatos — e diretamente em excursões, aulas-passeio e pesquisas de campo.

A diversidade histórica e cultural do País favorece a dinamização do processo educativo: a extensão territorial, a história do povoamento e da colonização, as origens dos povos estrangeiros que aqui chegaram e se instalaram, os espaços que ocuparam, as atividades econômicas que desenvolveram, cada qual com seus diferentes hábitos e costumes. Buscar a relação entre a sociedade e a natureza, a territorialidade e a temporalidade dos fatos e fenômenos representa a possibilidade de orientar os trabalhos com a realidade presente, relacionando-a e comparando-a com momentos de grande significação do passado. Um trabalho interdisciplinar com a Literatura, as Ciências Naturais, a Matemática, a Cartografia e outros componentes contribui para reforçar as noções de sociedade, cultura, trabalho e natureza e para a melhor compreensão dos fenômenos naturais e dos fatos históricos que produzem as organizações políticas, sociais, econômicas, culturais e territoriais do País, dos estados e dos municípios.

Bibliografia consultada

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394, Brasília, 20/12/1996.
Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia. MEC, Brasília, 1997.

Elaine Maria Ferreira Chaves – Pós-graduada em Planejamento Educacional e Administração Escolar pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I do Colégio Nossa Senhora do Carmo, Recife/PE.

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