Edição 45

LEI No 45.649/08

Palmares para sempre

Nelson Rios

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Trezentos e sete anos depois da morte de Zumbi, os brasileiros ganham oficialmente o maior monumento à memória, à história e à preservação da cultura negra no País. Construído no mesmo local que, nos últimos 300 anos, tornou-se símbolo maior da resistência dos negros e marco de brasilidade, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um referencial para a valorização e o conhecimento da história negra brasileira.

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O parque está pronto e aberto à visitação pública. Fica na cidade de União dos Palmares, a 80 quilômetros de Maceió, capital de Alagoas, na histórica Serra da Barriga, onde o maior quilombo das Américas tinha a sua capital e que se tornou cenário de uma das mais importantes histórias de luta pela liberdade em todo o continente.

A implantação do parque foi resultado de uma mobilização de 20 anos das entidades do movimento negro, que queriam dar ao local uma dimensão proporcional à importância de Palmares na História do Brasil.

Palmares não é apenas o primeiro parque temático cultural afro-brasileiro. É também o primeiro complexo cultural-histórico com uma arquitetura inspirada na africanidade, erguido em todo o continente americano, cujos países foram o centro da diáspora que se estabeleceu a partir da escravidão. A história do Quilombo e dos seus personagens está presente no memorial, ao lado das manifestações de fé e cultura afro-brasileira, no simbolismo de que a história ali vivida transcendeu os mais de 300 anos da morte de Zumbi.

Atrações turísticas

No cenário representativo da capital de Palmares, os visitantes conseguem se transportar no tempo. Lá estão a paliçada, chamada de Cerca Real dos Macacos, que os quilombolas construíam como defesa contra os seus agressores; as ocas, que os negros aprenderam a construir com os índios e que se tornaram as habitações no Quilombo; e o muxima (que, na língua quimbundo, significa coração), o local onde se reunia o “conselho de líderes”, reconstituído como homenagem a todos os seus comandantes (Zumbi, Ganga Zumba, Acaiene, Acaiuba, Acotilene, Amaro, Andalaquituche, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, Osenga, Subupira, Toculo, Aqualtune, Banga, Camoanga e Mouza).

Assim como as ocas, a casa de farinha, também assimilada da cultura indígena pelos quilombolas, está presente no Memorial Palmares. Há também um complexo multiuso, o baticajé (dança ao som dos tambores), com ponto de informações, espaço para apresentação de grupos de capoeira e o restaurante Kúku-wáana (banquete familiar), com um cardápio de culinária afro-brasileira, incluindo itens resgatados dos hábitos alimentares dos primeiros quilombolas, que chegaram à Serra da Barriga, em 1595, guiados pela Princesa Aqualtune, avó do guerreiro Zumbi. A fé está representada arquitetonicamente por três construções: onjó cruzambe (casa do campo santo), oxile das ervas (terreiro das ervas) e o iroco (gameleira sagrada). O onjó é um espaço aberto para os cultos de matrizes africanas; o oxile resgata as plantações de ervas utilizadas medicinalmente e nas oferendas aos orixás; e o iroco é o local sacro para a purificação.

Mas o encontro mítico com a realidade do passado acontece de forma mais intensa nos seis espaços contemplativos do parque. Neles, os visitantes não apenas veem a história, como também a ouvem através de textos interpretados pela atriz Chica Xavier, a cantora Lecy Brandão e os cantores Djavan, Toni Garrido (interpretando Ganga Zumba) e Carlinhos Brown (Zumbi). No último espaço contemplativo, dedicado à reflexão, meditação e oferenda, a palavra é cantada pela voz de Leila Pinheiro.

Fonte: www.palmares.gov.br

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