Edição 63

Como mãe, como educadora, como cidadã

Pingo, o peixinho

pingo_o_peixinho

A morte é uma experiência de grande perda, e diariamente convivemos com situações de morte. Seja a morte de um vizinho, parente, amigo ou até mesmo na TV, estamos sempre rodeados de notícia sobre a morte.

Querido leitor/ Queirda Leitora,

Cada vez que perdemos alguém, estamos diante de um luto. A dor, o sofrimento, a sensação de solidão que a perda do ente querido nos traz é, sem dúvida, o que há de mais doloroso. Como superar, como aceitar, como amenizar essa dor? Acredito que o modo como reagimos e a fé em Deus de que, para tudo isso, há um propósito maior é o que vai nos dar conforto e o que nos conduzirá para sermos, nas mãos de Deus instrumentos eficientes para ajudar e conduzir pela mão pessoas com uma compreensão bem mais limitada do que a nossa.

Falar de morte para crianças é algo difícil, mas muito importante já, que a morte mal digerida e mal acolhida gesta o medo. Medo de defunto, medo de morte, medo de ir ao velório, medo de passar perto de cemitério. É comum também o medo de perder o outro e o medo da própria morte. Não existe nenhuma outra forma de enfrentar esses traumas senão assumindo-os, compreendendo-os e superando-os.

Gostaria de ilustrar este artigo contando uma história bem engraçada que aconteceu com uma sobrinha minha, Juliana, na época com 5 anos.

Juliana sempre gostou muito de animais, em especial de seu peixinho Pingo. Pingo era um grande companheiro de Juliana. Todos os dias, quando chegava da escola, corria para conversar e contar as novidades para ele. Falava de suas brincadeiras, seus amigos, da professora e das tarefas que gostava de fazer. Eram momentos especiais para ela.

Um dia, quando chegou da escola, correu para junto do aquário e, para sua surpresa, Pingo estava morto.

Juliana não se conteve de tanta tristeza. Foram muitos os porquês. Não tínhamos respostas. Foi consolada por Vó Zélia, pela mãe, Celina, pelas tias Nane e Jane e pela sua irmã Carolina. Depois de muito choro, beijos e abraços, resolvemos enterrar o peixinho com todas as honras fúnebres. Vó Zélia levava Pingo com as mãos abertas, Juliana ao lado da Vó, e todos os outros seguiam em cortejo, cantando como Juliana havia pedido.

Foi a forma que achamos para viver junto com ela seu momento de perda. Vivenciar aquele momento foi importante, e mais importante ainda foi não substituir a perda de Pingo por outro animal. A dor, o luto precisavam ser vivenciados e acreditamos ter um tempo certo.

Essa experiência fez uma grande diferença na vida de Juliana. Hoje ela é enfermeira e lida todos os dias com vida e morte.

O engraçado dessa história é que, quando chegou seu tio Cau, Juliana levou-o no quintal e desenterrou o peixinho Pingo, dizendo:

— Tio Cau, meu peixinho Pingo morreu.

E assim passou o dia enterrando e desenterrando Pingo, o peixinho, cada vez que chegava uma pessoa em sua casa.

Um grande abraço,

Zeneide Silva

cubos