Edição 34

Matérias Especiais

Por um Projeto Melhor

Alessandra Medeiros

É necessário destacar o fato de que as diferentes fases e atividades que se devem desenvolver num projeto ajudam os alunos a serem conscientes de seu processo de aprendizagem e exigem do professorado responder
aos desafios que estabelecem uma estruturação muito mais aberta e flexível dos conteúdos escolares
(Hernández, 1998: 64).

Muitas perguntas surgem para nós, professores, quando estamos diante de uma alternativa de trabalho chamada projeto didático. Afinal, por onde se começa um projeto? Como se trabalha? Qual é a função desse tipo de trabalho? O que iremos ensinar? O que os alunos irão aprender?

Podemos até colocar uma lista do que devemos levar em consideração quando se trata desse tema ou até mesmo podemos definir várias formas de trabalho com projetos. No entanto, tudo estará diretamente ligado à percepção que temos sobre a função social da escola.

Nessa perspectiva, afirmamos que o grande desafio para o trabalho com projetos é o de nos dispormos a trabalhar com ele. Para isso, é preciso assegurar a qualidade das informações que irão circular, associando as atividades às situações reais, com coerência e flexibilidade.

É importante lembrarmos que o projeto deve estar voltado para melhorar o aprendizado dos alunos; por isso, nós, professores, devemos ter o domínio das disciplinas e dos procedimentos que envolvem as áreas de conhecimento tratadas no projeto.

O propósito aqui é o de sugerir a construção de projeto através de recomendações que possibilitam a organização das ações pedagógicas em sala de aula. Para que você, professor, encontre, nestas páginas, idéias que ajudem a produzir o projeto da sua sala de aula.

De onde vem essa idéia de elaborar projeto? Se buscarmos, em dicionários, o significado para projeto, podemos encontrar: idéia, intenção de fazer algo, plano do futuro. Nesse contexto, podemos dizer que elaborar projeto é o mesmo que elaborar idéias para serem realizadas.

O que prevê um projeto?

Numa breve orientação de projeto, elaborada pelo Ministério da Educação, podemos refletir sobre alguns caminhos que vêm sistematizar a prática.

Essa modalidade de organização do trabalho pedagógico prevê um produto final cujo planejamento tem objetivos claros, dimensionamentos de tempo, divisão de tarefas e, por fim, a avaliação final em função do que se pretendia. Tudo isso feito de forma compartilhada e com cada estudante tendo autonomia pessoal e responsabilidade coletiva para o bom desenvolvimento do projeto.

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Ensino Fundamental de nove anos. Brasília: FNDE, Estação Gráfica, 2006. p. 119.

O papel do professor no trabalho com projetos

O professor torna-se o facilitador. Ele não é a única fonte de informação, no entanto cabe a ele planejar as ações e permitir a negociação dos alunos em todo o processo, socializando as informações que serão usadas, buscando soluções e incentivando-os na busca de informações que se deseja obter. Para isso, é preciso estar “íntimo” dos alunos, no que diz respeito a conhecer como eles pensam e quais as estratégias que serão utilizadas para desafiá-los a irem além do que eles já construíram.

Quem faz o projeto?

Dificilmente escolheremos trabalhar com projeto se este não for uma extensão da nossa forma de trabalho na escola. Trabalhar com projetos exige muito mais do que dar aulas ou passar conteúdos, exige um envolvimento muito grande de todos da escola.

O papel do aluno no trabalho com projetos

O aluno passa a ser o informante. Para isso, ele precisa estar envolvido ativamente, como também conhecer todo o projeto e sugerir as etapas que serão vivenciadas, de forma a cooperar com interesse e curiosidade para realizar as pesquisas em diferentes fontes, podendo trabalhar individualmente, em grupos ou com toda a turma.

O que não pode faltar num projeto?

Além da disposição para fazer o projeto caminhar, torna-se importantíssimo que o professor tenha disponibilidade para registrar as práticas vivenciadas nas etapas. Observe como isso pode acontecer:

O Processo de Elaboração/Planejamento

Selecionando as informações que sustentem o projeto através do estabelecimento de objetivos e resultados esperados no ensino e na aprendizagem.

A Execução/Orientação

Desenvolvendo atividades coletivas que sigam uma seqüência gradual, bem como utilizando registros feitos pelo professor (passo a passo), a fim de organizar melhor o percurso das atividades propostas.

A Revisão/Avaliação

Através da auto-avaliação, dos alunos e do professor, em relação aos encaminhamentos utilizados no processo de aprendizagem, retomando as hipóteses iniciais dos alunos para relacioná-las aos conhecimentos adquiridos.

Quais as vantagens do trabalho com projetos didáticos?

- Produz atividades novas.
- Exige envolvimento dos alunos.
- Organiza e valoriza, ainda mais, o conhecimento escolar.
- Conscientiza os alunos do seu processo de aprendizagem.
- Vai além dos limites do currículo escolar.
- Permite a interdisciplinaridade de forma mais flexível.
- O professor é o pesquisador do seu próprio trabalho.

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Por onde começar um projeto?

Do início do projeto até chegar ao final, muito há de se fazer. Sabemos que não existe uma receita pronta, por isso é necessário colocar a “mão na massa”, ou seja, colocar as ações em prática. Para ajudá-lo, selecionamos algumas dicas que servem para elaboração de projetos didáticos.

1. Tema do Projeto
Tem a ver com o(s) assunto(s) que será(ão) abordado(s).

2. Ano/Ciclo
Localização de ano escolar e faixa etária dos alunos envolvidos.

3. Duração
É o tempo que será estabelecido para o estudo do tema. Este poderá ser variável, de acordo com os critérios previstos.

4. Área(s) de Conhecimento(s)
Diz respeito à(s) disciplina(s) que será(ão) contemplada(s) no projeto.

5. Apresentação/Justificativa
Explica, em linhas gerais, a escolha do tema e a forma de trabalho de acordo com os objetivos e os conteúdos do projeto.

6. Objetivos
Procuram levar em conta os conceitos, os procedimentos e as atitudes previstas para ampliar os conhecimentos dos alunos do Ano/Ciclo.

7. Etapas Previstas
Conduzem os processos didáticos que serão utilizados para determinar o que e como os alunos irão aprender.

Contrato didático: conta com o comprometimento dos alunos para se envolverem nas etapas do projeto, visando o produto final conhecido por eles.
Encaminhamento das atividades e cronograma: levantamento de hipóteses e questionamentos sobre o tema a partir de pistas oferecidas durante o processo, levando em conta os conhecimentos prévios dos alunos e suas dúvidas sobre o tema em estudo.
Rotinas de atividades a serem realizadas: elaboração de estratégias que permitam a busca de informações que estimulem a aprendizagem e a troca dos conhecimentos entre os alunos, a exemplo de pesquisas, filmes, debates, entrevistas, documentários, eventos, ensaios, visitas a exposições, experimentos, etc. Define os materiais necessários e explora as produções dos alunos em materiais confeccionados por eles: cartazes, livros, faixas, etc.
Produto final: exposição dos materiais ou vivência de atividades com destinatários reais (função social).

8. Resultados Esperados

Avaliação do processo de aprendizagem esperado para os alunos e dos procedimentos utilizados pelo professor durante todo o projeto, confirmando ou reformulando as etapas para garantir a compreensão de todos.

Por certo, o trabalho não termina aqui, ele pode estar apenas começando. De tudo, fica a idéia de que trabalhar com projetos desenvolve competências tanto para quem aprende como para quem ensina.

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