Edição 105

Como mãe, como educadora, como cidadã

Preparai o Caminho

Zeneide Silva

Na religião católica, durante quatro domingos ficamos reunidos para a preparação do Natal de Jesus, época que chamamos de Advento. Nesse período, não se reza o Glória (exceto nas festas em que é prescrito), evita-se o excesso de flores e enfeites no ambiente litúrgico.

Providencia-se uma coroa do Advento, com quatro velas, nas seguintes cores: a verde, que significa esperança; a vermelha, o amor; a roxa ou rósea, que significa alegria; e a última vela, acesa no último domingo do Advento, aquele que antecede o Natal, é a vela branca, símbolo da paz.

A cor da liturgia é roxa (ou rósea), acesa no terceiro domingo, quando são escolhidos músicas e cantos apropriados para esse tempo.

No segundo domingo, o evangelho de Lucas (3, 1-6) procura situar no tempo e no espaço os acontecimentos que antecedem a aparição de Jesus, inserindo-os na história humana. Foi nesse contexto que surgiu João Batista, filho de Isabel e Zacaria e primo de Jesus. Ele preparava o caminho do Senhor convocando todos a uma conversão para uma mudança radical de vida.

Durante a homilia do padre, fiquei a meditar que caminho estou preparando em minha vida: minha saúde, meu casamento, meus filhos e meu ambiente de trabalho. Foi um domingo cheio de questionamentos que me fez refletir e me reportar ao evangelho do domingo anterior: Lucas 21, 34-35, que diz: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a Terra”.

Enfim, resolvi listar algumas ações para as quais muitas vezes não preparamos o caminho.

1. Uma mãe chorando porque sua filha, na adolescência, não a tinha como amiga. Será que essa mãe preparou o caminho desde a sua infância, sendo aquela pessoa que escutava (sem criticar), ou muitas vezes a deixava só e não foi presente nas atividades e festas escolares, por achar que o conforto e o bem-estar financeiro iriam suprir todas as necessidades? Com certeza, não está preparando o caminho. Seu destino, lutar para conquistar a confiança da filha.

2. Um casal que não tirou a máscara no casamento e não se abriu por completo um para o outro, com certeza, não está preparando o caminho para a velhice, para a chegada da síndrome do ninho vazio. Seu destino, viver o silêncio e a ansiedade pela chegada dos filhos e netos nos fins de semana.

3. Um professor que não se preocupa com sua formação continuada, não estuda, não lê, não participa de debate, acha que suas aulas são excelentes e fica na esperança de sua aposentadoria, com certeza, não está preparando o caminho. Seu destino, viver a incerteza de seu trabalho a cada ano.

4. Uma gestora que não se preocupa em dar continuidade ao seu projeto, centralizando tudo para si, com certeza não está preparando o caminho. Seu destino, ver seus projetos fora de seus sonhos.

5. Uma vizinha que não fala com ninguém, ou que só fica fofocando, criando intrigas, com certeza não está preparando o caminho. Seu destino, a solidão.

6. Uma pessoa que só vive em farras e bebendo sem controle, com certeza, não está preparando o caminho. Seu destino, uma cirrose ou um outro final difícil.

Preparar o caminho é muito difícil, mas é fundamental. Nas sessões de coaching, falamos muito sobre os prazeres momentâneos e as suas consequências tardias. Precisamos preparar o caminho, sempre, em nossa vida.

Como João Batista, vamos gritar para nos despertar da sonolência e da acomodação de aceitar o orgulho, o egoísmo, o individualismo, a prepotência, a injustiça, a intolerância — tudo o que precisa ser removido de cada um de nós com o objetivo de preparar o caminho.

Estamos já no mês de março, mas resolvi escrever este texto, pois, no momento em que escrevo, estamos vivendo essa preparação, para que possamos, no Natal e em todo o ano de 2019, termos a certeza de que vale a pena preparar o caminho.

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