Edição 58

Mensagem inicial

Prestar contas

Dizia Saint Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Uma das características de estar ligado a outras pessoas é a responsabilidade, a obrigação de prestar contas. Há um desconforto com a ideia de dar satisfações de nossa vida. Por que essa necessidade de saber da vida do outro? A prestação de contas torna-se uma bênção depois que nos sujeitamos a ela. Primeiramente porque é uma proteção para todos.

Se uma pessoa diz, antes de sair, para onde vai, o que fará e quando pretende voltar, ao acontecer algo inesperado com ela ou em sua casa, saberão onde procurá-la. Ela fica disponível para quem precisar dela. Outra bênção da prestação de contas é que ela aumenta a confiança mútua, que se conquista com transparência e honestidade.

Prestar contas traz descanso ao coração daqueles que nos amam, pois passam a saber tudo sobre nós. Relacionamentos verdadeiros só podem ser construídos com verdade e honestidade. Prestar contas é o reconhecimento de que o outro tem direito a participar de sua vida, o que inclui opinar e aconselhar quando as atitudes tomadas podem ser prejudiciais. Esta é outra grande proteção: a família nos orienta quase sempre para boas escolhas. Uma pessoa entregue a si mesma fatalmente tomará decisões erradas. Somos todos interdependentes e devemos tirar proveito disso.

As pessoas bem-sucedidas desde cedo aprenderam que precisam ter alguém de confiança a quem consultar. A Bíblia diz: “Há vitória na multidão dos conselheiros” (Provérbios, Cap. 24, Versículo 10). E mais: quando se levantarem falsas acusações, ao manter tudo sempre às claras a pessoa ficará protegida, pois há abundância de provas de seu proceder correto. Por isso, quando se administram valores comunitários, é sábio registrar tudo e apresentar relatórios. Casais que aprenderam a fazer isso com suas finanças têm bons relacionamentos e progridem financeiramente. Isso se aplica a todos os aspectos da vida.

O individualismo de nossos dias prega que “Ninguém é de ninguém”. Nada mais errado! Não pertencemos somente a nós mesmos. Somos parte de um todo; há coisas maiores que nós.

Somos todos interligados, e a minha ação, seja ela boa ou ruim, traz consequências para aqueles que me cercam. Lembremos que o primeiro crime violento praticado na história humana foi o de Caim, que disse, ao ser interpelado por Deus sobre Abel: “Acaso sou eu o guardador de meu irmão?”. A resposta é um sonoro “Sim! Somos todos responsáveis uns pelos outros perante o Criador!”.

Fonte: Calendário da Família 2011. Editora Luz e Vida.

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