Edição 29

Projeto Didático

Projeto: Somos todos diferentes e iguais

janainaTrabalhando a Inclusão através da Literatura Infantil – Janaína S. Darós

Aqueles que são diferentes de mim não me prejudicam; muito pelo contrário, eles me enriquecem. Nossa unidade se fundamenta em algo mais elevado que nós mesmos — no ser humano…(Antoine de Saint-Exupéry)

Muito se fala e se discute sobre a Inclusão, mas quem, pelo menos uma vez, não já se sentiu excluído da sociedade? Apesar de este ano a inclusão estar em destaque, há muito a fazer para que ela aconteça realmente na prática educacional.

A Inclusão Social depende de mudanças na maneira de pensar e agir da sociedade. Só assim é possível possibilitar às pessoas com necessidades especiais a busca de seu desenvolvimento e o exercício da sua cidadania. Segundo Delval, o trabalho escolar enquanto instituição social deve ser baseado no tipo de cidadão que a sociedade deseja formar. Assim sendo, um dos pré-requisitos para a Inclusão Educacional é principalmente preparar a escola, o educador e o educando para receberem os alunos com necessidades especiais.

A proposta de uma oficina literária que aborde a questão da Inclusão Escolar visa incentivar os alunos a respeitarem e reconhecerem as potencialidades e necessidades individuais.

Objetivo geral: promover a leitura entre o público estudantil, vinculando o aspecto lúdico da atividade ao conhecimento da realidade das pessoas portadoras de necessidades especiais, e fazer uma reflexão sobre a situação das mesmas, fazendo com que os alunos aprendam a conviver com a diferença e se tornem cidadãos solidários.

Objetivos específicos:

•    Conscientizar professores, alunos, funcionários e os pais sobre o processo de Inclusão Educacional.
•    Apresentar a realidade das pessoas com necessidades especiais através da Literatura Infantil.
•    Trabalhar com sensibilização e vivências, experimentando o lugar do outro e suas necessidades específicas e refletindo sobre o preconceito e a aceitação pessoal e social dessas pessoas.

O trabalho de Inclusão Educacional não é um trabalho solitário do educador ou de uma classe, mas um trabalho coletivo, que deve ser compartilhado por todos na escola. Assim, seguem um planejamento elaborado para ser aplicado nas séries do primeiro segmento do Ensino Fundamental e os respectivos livros adotados em cada série.

1ª série – Ninguém é igual a ninguém, Regina Otero e Regina Rennó, Editora do Brasil.
2ª série – O menino que tinha rabo de cachorro, Maurício Veneza, Editora do Brasil.
3ª série – O olhar de pincel, Salvador Barletta Nery, Editora do Brasil.
4ª série – Balançando os sonhos, Salvador Barletta Nery, Editora do Brasil.
Alguém muito especial, Miriam Portela, Editora Moderna.

PASSOS DA OFICINA

1º Momento: Sensibilização

Leitura do livro Na minha escola, todo mundo é igual, de Rossana Ramos.
A professora deverá fazer a leitura do livro para os alunos no datashow, episcópio ou retroprojetor. É necessário que o aluno veja o livro, pois ele é todo permeado por belas e agradáveis ilustrações, sendo uma interessante ferramenta nas mãos do professor e um veículo objetivo e direto para alunos diferentes, com o fim de mostrar que todos somos iguais, mesmo tendo cada um o seu jeito de ser.
•    Debate sobre a mensagem do livro e registro, no caderno, das seguintes questões:
a)    O que você entende que é ser igual?
b)    O que o livro mostra, nas gravuras e no texto, que é ser igual?
c)    Você concorda com a visão da autora sobre igualdade? Justifique sua resposta.
Obs.: Nas 1ª e 2ª séries, o registro deverá ser elaborado coletivamente, com a ajuda do professor.

2º Momento: Apresentação da Oficina Literária

•    O professor deverá apresentar o livro a ser trabalhado em cada turma e explicar sobre o trabalho que será realizado.
•    Registrar, no caderno, as referências bibliográficas do livro adotado.
Pedir que os alunos leiam o livro em casa.

3º Momento: Análise do Livro

•    Após a leitura do livro, desencadear uma discussão sobre o mesmo:
a)    Qual o assunto do livro?
b)    Qual a relação do livro que você leu com a obra lida pela professora: Na minha escola, todo mundo é igual?
c)    Você conhece alguém que seja “diferente”, como mostra o livro?
•    Elaborar, com os alunos, uma seleção de palavras que expressem o tema central da obra.
•    Explorar com eles o significado de palavras como: inclusão, preconceito, igual, diferente, direitos, etc.

4 º Momento: Vivenciando

•    1ª e 2ª séries – Dividir a turma em dupla, vendar os olhos de um dos alunos da dupla e pedir que ele identifique os objetos que o colega lhe entregará. Cada aluno terá três objetos para descobrir o que é. Inverter o papel de cada aluno na segunda rodada.
Cabe ao professor selecionar, previamente, os objetos utilizados na brincadeira e dividi-los em duas caixas, uma para cada grupo.
•    3ª e 4ª séries – Levar a turma para um pátio e, em círculo, fazer a leitura do texto abaixo:

Dicas para ajudar um deficiente visual

•    Ao aproximar-se de uma pessoa cega, comunique-se dando um leve toque no ombro ou na mão, após pedir licença. Assim, ela saberá que você está dirigindo-se a ela.

•    Se estiver conversando com um deficiente visual, avise-o ao se afastar, principalmente se o local for muito barulhento, pois ele poderá continuar falando sozinho.

•    Ao guiar um deficiente visual, deixe que ele segure em seu braço acima do cotovelo, pois, pelo movimento do seu corpo, ele perceberá melhor o caminho a ser percorrido.

•    Para conduzir um deficiente visual ou mudar de direção, indique sempre para o lado que vocês estão seguindo: esquerda ou direita, de acordo com a posição da pessoa.

•    Ao passar por uma porta, procure sempre estar à frente da pessoa portadora de deficiência visual; em uma escada, fique sempre um degrau acima da pessoa, ao subir, ou um degrau abaixo, ao descer. Sempre avise antes de subir ou descer.

Texto adaptado do Centro de Integração e Apoio ao
Portador de Deficiência Rogério Amato – Cira

Dividir a turma em duplas e dar o seguinte comando:

Agora que você já sabe como ajudar uma pessoa que não enxerga, escolha um amigo para fazermos uma vivência dessa situação no pátio da nossa escola.
Um aluno da dupla será o guia, e o outro deverá vendar os olhos para ser guiado pelo trajeto determinado pelo professor.
    O professor deverá falar o trajeto a ser feito com os alunos-guias individualmente. Depois de realizado o trajeto, os alunos deverão trocar de papel: o que foi o guia agora será guiado pelo colega.
    Discussão após a vivência:
a)    Depois de ter vivenciado a experiência de andar ou pegar objetos sem enxergar nada, relate qual foi o seu sentimento.
b)    Você já sabe que nós possuímos cinco sentidos: visão, olfato, audição, paladar e tato.
Quando fizemos a vivência no pátio, quais os sentidos que mais o ajudaram a cumprir a tarefa?

Obs.: O professor poderá explorar outras vivências, de acordo com a sua turma e com os materiais disponíveis. (ex: com cadeira de rodas, muletas, pés amarrados com meias-calças, protetores auriculares). Os alunos visitarão todas as áreas da escola, sempre avaliando, ao final de cada situação, como eles se sentiram e quais as dificuldades que enfrentaram.

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5º Momento: Ensaio Fotográfico

Dividir a turma em grupos e distribuir revistas.
•    Cada grupo deverá selecionar figuras que mostrem as diferenças entre as pessoas. Pode ser figuras de pessoas com deficiência física ou mental, de pessoas muito ricas e pessoas miseráveis, de pessoas de outros países, de outras religiões, etc.
•    Em grupo, selecione as melhores gravuras para compor o ensaio fotográfico, colando-as de forma harmoniosa e criativa em uma folha de cartolina.
•    Nas primeiras séries, a professora pode sugerir o título do ensaio fotográfico, que pode ser Retratos da Diferença. Já nas 3ª e 4ª séries, peça que os alunos criem um título para o seu Ensaio Fotográfico.
    Os cartazes deverão ser colocados em algum lugar de destaque na escola, possibilitando que todos os vejam.

6º Momento: Aceitando as Diferenças

Orientar os alunos para produção de texto coletivo, dividindo a turma em grupos e distribuindo os comandos:
Crie, com seu grupo, um cartaz que combata o preconceito. Pense em um texto curto, que estimule as pessoas a aceitarem as outras como elas são. Use a criatividade. O seu cartaz deverá abordar o tema do deficiente físico e será veiculado nos ônibus da sua cidade.
Dono de uma agência de telemensagens, você foi contratado por um deficiente auditivo para sensibilizar as pessoas da sua escola para a situação dele. Escolha uma música bem legal e elabore um texto que será lido para todos no recreio. Seja criativo!
Imagine que vocês foram convidados para um programa de TV, no qual deverão falar sobre a importância de aceitar as pessoas como elas são. O texto, escrito por vocês, ficará disponível no mural da escola. Portanto, sejam claros e objetivos.
Após ler o livro adotado na sala, relacione a situação do livro com a situação real das pessoas portadoras de necessidades especiais em sua cidade. Escreva uma carta ao prefeito da sua cidade dando sugestões para melhorias que podem ser realizadas na cidade a fim de facilitar a vida dessas pessoas.

O professor deverá acompanhar sistematicamente cada grupo na feitura da tarefa.

7º Momento: Culminância do Projeto

•    A culminância do projeto acontecerá em uma noite de solidariedade, com apresentações dos alunos de nossa escola em conjunto com alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais — Apae. Os alunos farão apresentações a partir das linguagens artísticas — a dança, a música, o teatro e artes visuais — utilizadas de forma lúdica, buscando promover a ampliação do repertório cultural, a troca de experiências decorrente da observação das habilidades, facilidades, dificuldades, limites e adaptações de cada um. Entre as atividades propostas, os alunos deverão criar, em grupo, composições mostrando as linguagens teatral, corporal e musical, utilizando o corpo como suporte.
•    Será convidado um palestrante que possua alguma necessidade especial e que conseguiu vencer na sua profissão.
•    Cada pessoa que vier assistir ao evento deverá trazer um litro de leite Longa Vida, que, posteriormente, será doado a entidades que apóiam crianças com necessidades especiais.
•    Cada turma apresentará trabalhos resultantes das experiências com o livro literário.
•    Os alunos das 4as séries ficarão responsáveis pela apresentação do evento.

8º Momento: Avaliação

Avaliar, com os alunos, a oficina literária e o crescimento individual no decorrer do projeto.

Referências bibliográficas

DELVAL, J. Crescer e Pensar: a construção do conhecimento na escola. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
NERY, Salvador Barletta. O olhar de pincel. São Paulo: Editora do Brasil.
NERY, Salvador Barletta. Balançando sonhos. São Paulo: Editora do Brasil.
OTERO, Regina; RENNÓ, Regina. Ninguém é igual a ninguém. São Paulo: Editora do Brasil.
PORTELA, Miriam. Alguém muito especial. São Paulo: Editora Moderna.
RAMOS, Rossana. Na minha escola todo mundo é igual. São Paulo: Cortez, 2004.
SESI. Aprendendo a conviver. Belo Horizonte, Fiemg – Editoração e Arte, 2005.
VENEZA, Maurício. O menino que tinha rabo de cachorro. São Paulo: Editora do Brasil.
Janaína S. Darós – Formada em Letras, Habilitação Português/Literatura – São Camilo – ES
E-mail: jsdaros@uol.com.br

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