Edição 67

Ambiente-se

Qual a melhor escola para o meu filho?

Gabriel Chalita

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“A educação é o grande legado que os pais deixam para os seus filhos.” Foi o que disse, com grande perspicácia, a autora dos sublimes Poemas dos Becos de Goiás, Cora Coralina, numa frase inspirada. Disse isto, segundo Olympia Salete Rodrigues, uma de suas biógrafas, quando tinha já o rosto enrugado, o corpo alquebrado e maltratado pela vida, mas tinha a alma lisa e pura. Com essa longa experiência, Cora sabia, ao conceber essa frase, que a primeira etapa da educação se dá em casa, e não importa a idade de quem assume a tarefa de educar. E é em casa que os filhos começam a absorver as virtudes e os vícios dos pais ou avós. Porque, mais do que as palavras, as atitudes falam alto na história das crianças.

Depois vem a escola. E, nesse momento, surgem numerosas dúvidas para que se consiga escolher a melhor escola. Alguns pais não se interessam tanto e relegam essa tarefa para terceiros. Outros até exageram, perguntando a todo tipo de especialista ou a qualquer outra pessoa em que escola devem matricular os seus filhos.

Hoje, é comum a mídia oferecer, com base em alguma pesquisa ou avaliação, um ranking com as melhores e as piores escolas. Não acho que esse seja um critério interessante para se basear no momento da escolha, até porque esses critérios são muitas vezes duvidosos e nem sempre conseguem mostrar o que é uma escola de qualidade.

Há alguns aspectos, entretanto, que podem ser observados e que ajudam na escolha:

1. Os pais devem visitar a escola com os filhos e perceberem o seu ambiente. É fundamental que a criança goste da escola em que estuda.

2. O aspecto físico é importante. Salas de aula agradáveis, biblioteca, espaço de cultura, lazer, esporte. Não é necessário que o prédio seja luxuoso, mas que seja limpo e digno de um espaço em que se educa.

3. É importante avaliar o quanto a escola investe na formação de seus professores, que são a alma da escola. Se o espaço físico for suntuoso, mas o corpo docente despreparado e desmotivado, é preferível procurar outra escola.

4. Mesmo que os pais não sejam especialistas em Educação, é recomendável saber a linha pedagógica da escola, o seu projeto de ensino-aprendizagem e as formas de avaliação.

5. Deve-se analisar o currículo da escola cuidadosamente para verificar se há preocupação com temas do cotidiano, como ética, cidadania, respeito ao meio ambiente, diversidade cultural, entre outros. Os pais não devem ter vergonha de perguntar tudo ao orientador que os receberá na escola. E, durante a conversa, é possível reparar no preparo dele ao dar as respostas.

6. Os pais devem observar os funcionários e, se possível, o diretor da escola. Uma regra básica é que todo educador deve ser educado. Uma escola que preza por esse valor investe na capacitação de todas as pessoas que nela trabalham.

Yuri Arcurs_shuttersto_fmt7. Um aspecto essencial a ser observado é se a escola prepara para a cooperação ou apenas para a competição. Cuidado. Pode ser que os pais queiram apenas que o filho ingresse depois em uma faculdade, sendo aprovado no exame vestibular. Isso é importante, mas a escola tem que preparar para a vida toda, e não apenas para um exame.

8. Uma alternativa interessante é questionar alguns pais que frequentam a escola para ver se o discurso dos educadores é condizente com a prática.

9. Os pais devem avaliar se o preço da mensalidade é compatível com o seu salário. A mesma avaliação deve ser feita em relação à localização, para que não vire um transtorno o caminho de ir e vir.

10. Os pais devem decidir junto com o seu filho, não importa qual seja a idade dele. É importante que ele sinta que ajudou a escolher a escola em que estuda.

Essas são algumas dicas. Há outras. O mais importante é que o pai, a mãe, o avô ou a avó levem a sério a educação da criança. Em casa, na escola, na vida.

Outra dica: por melhor que seja uma escola, ela nunca vai suprir a carência de uma família ausente. Portanto, a família deve participar de verdade do processo educativo de seus filhos. Esta nem é uma dica minha. É de Cora Coralina, quando, na sua grande sabedoria, disse isto: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

Artigo publicado no jornal O Popular, Goiânia (28/10/2007).

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