Edição 11

Matérias Especiais

Que homens são esses?

Estava em um final de semana na minha casa de campo e, enquanto trabalhava, um trânsito enorme foi se formando numa avenida em frente ao condomínio onde estava. Uma coisa estapafúrdia: gente buzinando, formando filas triplas, um verdadeiro alvoroço!

Mas, o que mais me chamou a atenção foi o momento em que um carro, com aqueles sons de estremecer qualquer cristão, tocou uma música (se é que se pode chamar aquele ruído sonoro de música!) que até hoje não consegui identificar quem gravou aquele troço.

Ela dizia assim: “Estrupa! Estrupa! Estrupa!” Isso mesmo! Com erro de português e tudo. Não consegui ouvir mais nada. Uma raiva, uma indignação, me tomou por completo! Na verdade, tive até vontade de bater naquela criatura, que, ainda por cima, dançava no meio de trânsito com um copo de bebida à mão.

Tomei aquele fato como a banalização de um ato de violência extremo. O pior de tudo é que isso começou com “Um tapinha não dói” (lembram?!). E olha que as feministas foram muito criticadas quando colocaram a boca no trombone reclamando da vulgarização que estava por trás da letra.

Então, resolvi escrever este artigo pensando nos pais de hoje (O que não quer dizer que as mães não possam ler, ou melhor, espero que leiam também.).

Diante dessa decisão, comecei a refletir sobre os valores e conceitos com os quais estamos lidando no nosso cotidiano. As pessoas estão, a cada dia, se importando menos com valores éticos e morais, o que acarreta uma perda inestimável para a formação de uma sociedade sólida.

Por que isto tem acontecido? Você já pensou em qual o sentido e o valor dado à família atualmente? Como as pessoas têm utilizado a tolerância e a paciência?

O mundo mudou, as pessoas mudaram, porém algo não mudou: todos querem que seus filhos sejam bem-sucedidos e que consigam viver melhor, não é verdade?! Para isso, é preciso que as nossas crianças tenham referências em suas vidas. A criança procura se “espelhar” nos adultos e isso não é novidade para ninguém. O problema é: qual o tipo de pai e mãe que ela tem para se espelhar?

Hoje em dia são pais e mães de família que escutam Eguinha Pocotó e ainda acham liiiiiindo quando seus filhos dançam, um verdadeiro “mimo”. Realmente é algo que não dá para entender! Querem que seus filhos sejam a “lacraia” quando crescer?

Portanto, é bom ser cauteloso com o que selecionamos para nossos filhos e para nós mesmos, pais e mães, pois tudo que é produzido e colocado na mídia tem uma ideologia por trás. Qual a concepção de mulher que estas músicas defendem?

O importante é decidirmos o que permitiremos que nossos filhos entrem em contato, pelo menos no período em que podemos ainda intervir, para que eles comecem a saber respeitar limites. É difícil, sei que é muito difícil, mas não é impossível.

Para retratar isso lembro muito bem que, aos 16 anos, eu e meu irmão (somos gêmeos) estávamos no ano de vestibular, tínhamos aulas aos sábados e domingos. Meus pais viajavam nos finais de semana para uma cidadezinha do interior perto. Sempre deixavam a chave e o outro carro na garagem e nunca, em hipótese alguma, pegamos escondido o carro para ir às aulas, mesmo tendo que pegar quatro ônibus (dois para ir e dois para voltar), pois morávamos muito distante e eles não permitiam. E olha que já tínhamos a carteira provisória de motorista!

Portanto você, pai e mãe, pode intervir no que seu filho “consome” da mídia. Não estou pregando a volta da censura, mesmo que doméstica, mas um mínimo de bom senso diante de tanta baboseira que estamos acostumados a lidar veiculada pelos meios de comunicação.

Sei que muitas mulheres têm se desdobrado para trabalhar sem deixar de dar atenção aos filhos, mesmo fazendo três expedientes e cometendo excessos, porque hoje, principalmente nas escolas, estamos lidando mais e mais com crianças sem limites. Mas, acredito que quem está frito mesmo é o homem, pois, além de também ter uma sobrecarga de trabalho, precisa se posicionar diante de novos paradigmas sociais.

Ele passou a não incorporar apenas o papel de provedor, mas a ter necessidade de se fazer presente, de participar da educação do filho, dividir responsabilidades (muitas vezes por causa do divórcio, algo muito comum), ser um bom amante, aprender a escutar, ser companheiro e a “discutir” a relação (mesmo sem paciência para isso).

Entretanto, a “troca” de uma vida como a descrita no começo desse artigo por uma mais serena e dedicada à família, à convivência com seus filhos, vale à pena?! Você não acha que presenciar, repartir e impor limites nos momentos certos são atitudes importantes para a formação dos pequeninos? Assim como fazer um ente querido sorrir, lembrar das pessoas que gostamos ao passar por um mercado e comprar um “saquinho” de frutas que gostam também faz as pessoas felizes?

Bem, isso quem vai responder é você mesmo, com o passar do tempo e de acordo com as escolhas que você fizer para si e para seu filho.

cubos