Edição 13

Professor Construir

Quem foi que disse que aprender matemática é chato?

As professoras Simone Ferreira e Saline Laranjeira, do Colégio Exponente, fundamentadas por Kizzi/Haydt (1987), Makarenko (1981) e Rego/Rego (1999), ousam, em sua rotina de sala de aula, incluir o lúdico nas práticas escolares, através de jogos e material concreto no ensino da Matemática. Trata-se de uma experiência que vem dando bons resultados, e as autoras decidiram compartilhar com os profissionais da área, através da revista Construir Notícias.

Em seu histórico cultural, a Matemática carrega o estereótipo de ser uma disciplina “temida” por alunos e professores de outras áreas. São paradigmas formados pelo pensamento de uma prática do ensino da Matemática resumido em “transmissão de conteúdos”, para os quais os alunos são apenas meros receptores de informações, além de serem induzidos ao trabalho repetitivo e mecânico da aprendizagem de regras. Acreditando numa possível mudança desse quadro, as professoras do ensino fundamental, pautadas na teoria de Rego/Rego (1999) respaldadas pela direção do colégio, realizaram a experiência através de uma proposta pedagógica de inclusão do lúdico nas aulas de Matemática. “Sabemos que significados matemáticos não são transmitidos, cada aluno realiza uma construção pessoal. Esse significado não é arbitrário, sendo estruturado, passo a passo, em um processo contínuo de erros e acertos”, afirmam.

Nessa proposta, as professoras definiram como objetivo geral o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático e de habilidades matemáticas com segurança de atitudes, através da construção e realização de jogos interativos, buscando favorecer as relações afetivas em sala de aula, a elaboração de estratégias de soluções de problemas, a tomada de decisões e um despertar do interesse pelas aulas de Matemática.

A proposta foi desenvolvida em três etapas:

1ª Planejamento, seleção e confecção dos jogos – Essa etapa consta da verificação de possibilidades de aplicação, baseada na análise do tempo, do conteúdo, do nível de maturidade e de compreensão dos alunos.

2ª Aplicação do jogo ou material concreto – Nessa etapa, é importante decidir em que momento poderá ser aplicado o jogo ou o material concreto, sendo importante considerar a análise diagnóstica da turma para definir o momento adequado da aplicação: no início, para verificar o conhecimento prévio, ou no final, após ter trabalhado o conteúdo, para diversificar a aula e ampliar a aprendizagem.

3ª Avaliação com os resultados da aplicação – Junto com os alunos, nessa etapa, analisam-se os pontos positivos e negativos observados no processo. Os pontos positivos são discutidos e mantidos com a turma; já os pontos negativos serão repensados com base nas novas construções dos alunos. Esse é um momento rico, por favorecer uma observação da dinâmica da turma e o desempenho individual do aluno.

Considerações:

As professoras, após anos de aplicação dessa metodologia, avaliam positivamente a proposta pedagógica, com base nos depoimentos dos alunos, na mudança de postura da turma em relação às aulas de Matemática e na avaliação das aulas como estímulo facilitador de ampliação da aprendizagem.

Consideradas professoras Construir, Simone e Saline celebram essa experiência citando Sales (1997): “Quando professor e aluno participam de atividades lúdicas em sala de aula, estão reciprocamente se beneficiando enquanto sujeitos interativos, dinâmicos e transformadores do processo do ensino–aprendizagem, buscando sempre ultrapassar barreiras e construindo novos conhecimentos em benefício da educação”.

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