Edição 58

Matérias Especiais

Repensando a avaliação escolar

Clarice Borges da Silva Oliveira

Avaliação é um tema que perpassa todo o processo educacional e constitui-se ainda em uma grande interrogação para os profissionais da Educação. Para desmistificar este nó que é a avaliação, faz-se necessário enfatizar que o processo avaliativo deve ocorrer paralelamente ao desenvolvimento das aprendizagens dos educandos.

Os registros oficiais dos conceitos ou notas sobre o desempenho bimestral, trimestral ou semestral dos estudantes são momentos em que o professor evidencia o caminho percorrido pelo educando dentro de determinado espaço de tempo. Mas esse registro, e o que foi observado, não é o suficiente para a promoção da aprendizagem.

Na avaliação escolar, é preciso enfatizar momentos distintos: observação, análise e compreensão das estratégias de aprendizagem, bem como a tomada de decisão favorável ao desenvolvimento do educando. Então, é relevante a intervenção do professor em decorrência da análise da atividade realizada. Essa ação é a ponte para que ocorra a superação intelectual, ou seja, a aprendizagem efetiva.

Tipos de avaliação

Em uma concepção progressista de educação, torna-se imprescindível a realização de avaliação inicial, ou diagnóstica. Esta consiste na análise preliminar para identificar ou avaliar os conhecimentos específicos dos alunos antes de iniciar as atividades ou mesmo no início do ano letivo. Com tal procedimento, o educador pode saber quais são os conhecimentos prévios de seus alunos. A partir dessas informações, o planejamento poderá ser mais objetivo, atendendo, de fato, às reais necessidades dos alunos, além de ser uma excelente oportunidade para que posturas pedagógicas sejam repensadas.

Outra compreensão importante é a avaliação formativa, que estabelece, com sincronismo, a conferência em tempo real da apropriação do conteúdo pelos alunos. Sendo assim, mostra concretamente o desenvolvimento do processo e ainda permite a intervenção do professor para que sejam feitos os ajustes necessários. Essas intervenções podem ser inclusive na ação pedagógica do professor. Em sala de aula, pode ocorrer através da aplicação de diferentes instrumentos de avaliação: autoavaliação do desempenho do aluno, avaliação dos problemas, avaliação do estudante por outro estudante, elaboração de um portfólio com os trabalhos que o aluno considera relevantes, escrita de diários de classe, apresentação de seminários, entre outros.

A avaliação somativa, que ocorre ao final do processo de ensino, estabelece um balanço do que foi aprendido por todos os alunos, não exclui as outras propostas, pois todas devem ser complementares. Ela consiste, na maioria dos casos, na aplicação de testes e provas.

Amplitude e abrangência

Pensar um processo avaliativo requer compreendê-lo em sua amplitude. Nele e dele fazem parte alunos, professores, sistemas municipais ou estaduais de ensino, instituições mantenedoras com suas concepções, enfim, a comunidade escolar.

Por um lado, o sistema tradicional de avaliação possibilita uma direção, organiza o tempo escolar em bimestres, semestres, períodos, oportuniza pontos de referência, mostra claramente os avanços quantitativos da tarefa (medido por meio de notas). Por outro lado, a avaliação ocorre também de forma processual, a partir de concepções dos professores, que se firmam de acordo com seus valores e suas expectativas individuais e subjetivas, somados aos critérios administrativos e burocráticos. Também acontece a partir das determinações de cada rede de ensino ou instituição.

O mais importante é que alunos e professores percebam que a avaliação da aprendizagem existe para possibilitar o melhor desenvolvimento dos educandos, e não para excluí-
-los. Nesse sentido, a finalidade da avaliação é: conhecer melhor o aluno, constatar o que está sendo aprendido, adequar o processo de ensino e julgar globalmente um processo de ensino e aprendizagem.

Atividade

Para a reunião de professores

As reuniões de professores são momentos importantes para repactuar nossos compromissos com a construção de uma educação emancipatória. Após o debate em grupo das questões propostas neste artigo, sugerimos que sejam registradas metas individuais e coletivas para o aprimoramento dos processos avaliativos da escola.

Questões para debate

Como estamos realizando os processos de avaliação em nossa escola?
Em quais momentos priorizamos a avaliação somativa em detrimento das demais?
Compartilhar com os colegas momentos em que a avaliação foi realmente formativa.
O que pensamos sobre a frase “Quando um aluno não aprende, a responsabilidade é do professor.”?

Sugestões de leitura:

Avaliação: Mito e Desafio – uma Perspectiva Construtivista, de Jussara Hoffmann. Porto Alegre: Mediação, 2000.

O Jogo Contrário em Avaliação, de Jussara Hoffmann. Porto Alegre: Mediação, 2005.

Avaliação: da Excelência à Regulação das Aprendizagens – entre Duas Lógicas, de Philippe Perrenoud. Porto Alegre: ArtMed, 1999.

Revista Mundo Jovem – um Jornal de Ideias. Edição n. 414, ano 09, março 2011.

Clarice Borges da Silva Oliveira é pedagoga, especialista em Psicopedagogia e Metodologia do Ensino Superior e atualmente professora nas redes municipal e estadual, Colinas do Tocantins/TO. Endereço eletrônico: clajoci@hotmail.com.

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