Edição 56

Projeto Didático

Resgatando Valores Humanos na Escola para a Vida

Escola Estadual Augusto Severo – Natal

Local de realização: Escola Estadual Augusto Severo – Natal/RN.

Período de realização: todo o ano letivo de 2010.

Público atendido: todos os alunos do Ensino Fundamental II, dos turnos matutino e vespertino.

Idealizadora e responsável pelo projeto: Gilmara Chaves Valentim Silva (professora de Língua Portuguesa e especialista em Educação).

Apoio e colaboração: gestoras, Coordenação Pedagógica e demais professores dos turnos matutino e vespertino. Áreas do conhecimento: todas as disciplinas do currículo escolar.

Temas transversais: cidadania, ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, entre outros.

Mediadores: equipe gestora, corpo docente e demais funcionários dos turnos matutino e vespertino.

“Cada caminho é apenas um entre 1 milhão de caminhos. Portanto, você deve ter sempre em mente que um caminho não passa de um caminho. Faça uma pergunta a você, e só a você. É a seguinte: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos. Não levam a lugar algum. [...] A única pergunta é se esse caminho tem coração. Se tiver, o caminho é bom, se não, não tem utilidade.” Castañeda

I- Justificativa

De acordo com o diagnóstico realizado, observamos que é alto o índice de violência e desrespeito no relacionamento entre nossos alunos, de indisciplina com relação aos professores, de desrespeito aos demais funcionários da nossa escola e até mesmo aos próprios professores e à equipe pedagógica. E que toda essa violência implícita ou explícita torna o ambiente um lugar hostil e desinteressante para o aprendizado que todos desejamos.

Diante desse quadro e entendendo a escola como um espaço, principalmente, de integração social e desenvolvimento pessoal dos alunos, fez-se necessário criar estratégias com o intuito de melhorar essa situação, visando proporcionar um ambiente mais atrativo e acolhedor, para que eles possam repensar suas atitudes, desenvolvendo sua afetividade, seu senso de ética, cidadania e justiça, minando, aos poucos, a agressividade que costumam cultivar no dia a dia.

“A onipotência juvenil faz parte natural do desenvolvimento. Tanto mais grave será quanto mais baixa estiver a autoestima do adolescente.”
Içami Tiba

II – Introdução

A função maior da escola é contribuir para a construção da cidadania, formando cidadãos conscientes, participativos e com uma conduta pautada em valores sólidos. Os valores humanos, como decidimos chamá-los, andam um pouco esquecidos pela nossa sociedade capitalista, em que o “ganhar dinheiro” e o “levar vantagem em tudo” parecem importar muito mais que as relações de amor, respeito e responsabilidade entre as pessoas. Se a família deveria ser o porto seguro para a criança/aluno, essa se encontra, muitas vezes, desestruturada e corrompida pelas circunstâncias. Se, por sorte, o aluno tem uma família estruturada e consciente de seus deveres como pais e/ou responsáveis, por outro lado existe um mundo de violência e corrupção que o rodeia e que é tão atrativo quanto destrutivo.

Muito se fala que investir na Educação é o único meio para prosperarmos na vida. E que só através dela podemos mudar os quadros de miséria e criminalidade que vemos em nosso país, estado, cidade ou comunidade. Mas como fazer para convencer aquele aluno que vive em meio a tanta violência e descaso social, onde o crime é coisa corriqueira, quase normal, de que ele precisa estudar, se dedicar e se comprometer com a escola, para que, num futuro a longo prazo, ele seja recompensado por seus esforços? Como fazer isso se a vida ilegal lhe mostra que existem maneiras muito mais “fáceis” e “rápidas” de se conseguir o que se deseja materialmente?

Foi pensando nessas e em outras indagações que surgiu a ideia do projeto a seguir, que visa, primeiramente, resgatar os valores adormecidos, esquecidos ou abandonados por nosso aluno, para que então ele tenha consciência da necessidade do aprender, não só para a escola, mas, principalmente, para a vida.

III – Objetivo Geral

Proporcionar ao aluno condições para que ele se conscientize da necessidade de respeito entre todos através do reconhecimento, da aplicação dos direitos e deveres de cada um, formando valores éticos e morais para o exercício de sua cidadania e cumprindo, assim, com o maior papel da escola: favorecer uma aprendizagem realmente significativa na formação de seres humanos mais conscientemente participativos e responsáveis no convívio social.

IV – Objetivos Específicos

• Desenvolver a autoestima e o respeito.

• Formar consciência dos valores éticos e morais.

• Reconhecer que a paz é uma conquista diária por meio de nossas ações.

• Respeitar os diferentes.

• Identificar e repelir o bullying e/ou qualquer outro tipo de atitude de desrespeito.

• Proporcionar momentos com atividades lúdicas que desenvolvam a atenção, concentração e socialização dos nossos alunos.

• Promover encontros para troca de experiências e ideias entre os professores.

• Conhecer fatos e personalidades importantes de nossa vida social na construção da justiça.

• Possibilitar uma maior comunicação entre a escola, a família e a comunidade escolar como um todo.

• Envolver a comunidade escolar para colocar em prática os assuntos discutidos ou vivenciados.

• Resgatar atitudes de cooperação, participação, responsabilidade, altruísmo, tolerância, sensibilidade e comprometimento na escola para toda a vida.

V – Desenvolvimento Metodológico

O desenvolvimento do projeto acontece através de aulas quinzenais chamadas de aulas de Educação em Valores Humanos (EVH).

As aulas de EVH consistem em oficinas diferenciadas que se iniciam por um relaxamento ou “harmonização” para acalmar os alunos, melhorando a atenção e a concentração do grupo durante a realização das atividades. Essa harmonização deve ser acompanhada, preferencialmente, por uma música suave de fundo.

Após esse relaxamento, fazemos a leitura, interpretação e reflexão de um texto (como, por exemplo, uma fábula ou parábola) que se refira a algum dos valores/temas abordados pelo projeto, a saber: amor, paz, respeito, responsabilidade, verdade, justiça, ética e cidadania.

Durante a reflexão sobre o texto, os alunos são levados a expor suas opiniões e até a compartilhar experiências pessoais sobre o tema discutido, gerando uma maior integração entre todos os participantes. O encerramento dessas aulas ocorre com uma dinâmica de grupo relacionada ao tema do texto cujo objetivo é reforçar os aspectos mais importantes de forma lúdica e divertida.

Para a realização das aulas de Educação em Valores Humanos, fazem-se necessárias reuniões prévias com o corpo docente e a coordenação pedagógica para organização e elaboração das estratégias de cada nova aula, possibilitando também um momento favorável à troca de experiências e ideias entre os educadores.

Além das aulas de EVH, cada professor, em sua respectiva disciplina, desenvolve métodos para abordar e trabalhar os valores/temas do projeto no decorrer de todo o ano letivo do modo que achar melhor. As atividades são desenvolvidas de forma interdisciplinar, com a contribuição de todos os professores e envolvendo as diversas disciplinas.

Outras atividades relacionadas ao projeto:

Apresentação de filmes e palestras relacionados aos temas abordados.
Apresentação de seminários.
Debates em sala.
Trabalhos com cartazes.
Trabalhos com músicas.
Jogos e brincadeiras.
Produção de uma peça teatral sobre o bullying e suas consequências na escola e na vida.
Culminância do projeto ao final do segundo semestre, com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos sobre ele durante todo o ano letivo.

VI – Avaliação

Por considerar a avaliação como um processo contínuo, ela acontece através da verificação do desenvolvimento das atividades e das ações propostas para saber se estão ou não contribuindo para a mudança de atitudes de violência e comportamentos indisciplinares do alunado.

Cada professor, dentro das necessidades específicas de sua disciplina, determinará os aspectos avaliativos que deverá utilizar.

“Tentar e falhar é, pelo menos, aprender. Não chegar a tentar é sofrer a inestimável perda do que poderia ter sido.”
Geraldo Eustáquio

VII – Ações do Projeto

O projeto está sendo desenvolvido com todas as turmas dos turnos matutino e vespertino da escola, seguindo a programação abaixo:

• Apresentação do projeto ao corpo docente, à coordenação e à direção da escola nos turnos matutino e vespertino.

• Palestra sobre os valores humanos para professores e funcionários da escola.

• Realização de estudos quinzenais com o corpo docente e a coordenação pedagógica para fundamentação teórica e prática sobre cada tema escolhido e sobre a execução de cada aula.

• Aula inaugural do projeto com os alunos.

• Apresentação do projeto para os pais e a comunidade escolar.

• Desenvolvimento das atividades no decorrer de todo o ano letivo.

• Avaliação das atividades ao final de cada aula de EHV, durante atividades quinzenais em sala de aula, no quarto horário das aulas, em dias alternados, previamente determinados, envolvendo todos os professores e turmas em suas respectivas salas de aula.

• Culminância dos trabalhos desenvolvidos ao final do ano letivo com a Mostra de Arte, Cultura e Ciências de nossa escola.

• Avaliação final dos resultados obtidos no decorrer do ano letivo tendo como perspectiva a continuidade do projeto para o próximo ano letivo.

“Através desta coisa toda que estamos fazendo, esperamos que as crianças sejam felizes, deem muitas risadas, descubram que a vida é boa.” Rubem Alves

 

VIII – Referências Bibliográficas

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais. Ministério da Educação e do Desporto/Secretaria de Educação Fundamental, 1997.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários para a Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

QUEIROZ, Tânia Dias; BRAGA, Márcia Maria Villanacci e LEICK, Elaine Penha. Pedagogia de Projetos Interdisciplinares. São Paulo: Rideel, 2001.

REVISTA: Construir Notícias. Ano 04. Setembro/Outubro 2005.

REVISTA: Mundo Jovem: Educação para a Paz. Março/2000.

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