Edição 57

Texto para reunião de pais e mestres

Reunião de pais na escola: para quê?

Marise Nancy de Alencar

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Certo dia, ouvi de um funcionário de uma grande empresa privada que sobrava pouco tempo para que ele, de fato, pudesse trabalhar em sua função. O motivo? Grande parte do seu dia era preenchida por reuniões das quais deveria participar. E na escola? Quantas reuniões fazemos? Com qual finalidade? Com que duração? Reuniões de professores, de gestores, reuniões sobre os alunos, com os alunos e, uma das mais comuns, a reunião de pais!

Ao longo de minha trajetória como docente, fui percebendo muitos acertos e desacertos inerentes à tarefa de realizar reuniões com a família dos alunos. Uma das falhas comuns que percebia era a falta de clareza em relação ao objetivo de se reunir com os pais. Como o fator tempo espremendo a vida de quase todos tem sido um grande justificador de ausências, para chamarmos alguém na escola, devemos ter objetivos muito bem-definidos. Qual é mesmo o motivo para a reunião? Respondida essa questão, passa-se ao planejamento. Ele visa direcionar, com a maior consciência possível, o que vai ser dito, os acordos a serem feitos e, principalmente, o espaço para ouvir os participantes. Hoje, há uma carência grande para trocas de experiências, para falar sobre o que se vive e para ser ouvido com a atenção devida. Nós, da escola, precisamos também aprender a ouvir.

Muitos pais, ao chegarem com seus filhos ainda na Educação Infantil, cheios de expectativas, querem falar e perguntar detalhes sobre a vida escolar de seus pequenos. Depois, por um ritmo que muitas vezes a própria escola imprime, param de falar e passam, pouco a pouco, a ser apenas ouvintes. É claro que há muito a dizer sobre o que os filhos fazem, aprendem e precisam desenvolver. Costumo dizer aos professores com os quais trabalho que precisamos contar aos pais o que fazemos com seus filhos todos os dias e como realizamos essas coisas. É nosso dever informá-los! Mas também precisamos saber ouvir suas necessidades.

Algumas experiências têm mostrado que há formas inteligentes e sensíveis de apresentar aos pais o trabalho da escola. Dependendo da forma, os pais percebem o amor do docente pela profissão, a competência, a segurança e também a autenticidade do que é falado. No livro Reunião de Pais: Sofrimento ou Prazer? (Althun, Essle e Stoeber), há sugestões de muitos aspectos a serem contemplados, e um deles é a caracterização do grupo de pais. Da mesma forma que é preciso ter consciência do perfil do grupo de alunos, é preciso conhecer também os pais de cada grupo: se são inseguros, se reclamam com facilidade, se gostam das propostas, se são presentes na vida dos filhos, se são mais ou menos exigentes, etc. Muitos erros podem ser evitados quando nos colocamos no lugar do outro. O ponto de vista dos pais não é necessariamente o mesmo do professor. Ao fazer esse exercício de se colocar como pai, que quer ouvir sobre o seu filho, o docente pode escolher a melhor forma de dar uma notícia, explicar uma estratégia e estabelecer uma relação e um encontro de ideias para um só fim: o bem de seus alunos.

Saber falar tem a mesma importância de saber ouvir. E falar e ouvir com bondade e clareza faz toda a diferença quando se agrupam pessoas diferentes em suas características: na educação recebida, nos valores que possuem, nas expectativas que têm sobre a própria vida e a dos filhos. Ser eloquente não é tarefa fácil, pois as palavras, filhas de alguns pensamentos, nos traem, e, às vezes, é a falta delas que nos impede de levar a cabo o que gostaríamos de expressar.

Para a Pedagogia Logosófica, quando se fala conscientemente do vivido, as palavras saem com vida, são articuladas por pensamentos que passaram por uma experiência. Falar com os pais deveria ser tão natural quanto o nosso trato com os alunos. Assim, reunir os pais de nossos alunos para falar sobre eles e o trabalho que realizamos todos os dias em prol de seu desenvolvimento pode ser uma grata alegria, uma enorme oportunidade e também um dever da instituição escola frente à tão importante instituição família, que, diga-se de passagem, merece o nosso maior respeito.

Marise Nancy de Alencar é pedagoga, especialista em Educação Infantil e Alfabetização, pós-graduada em Docência do Ensino Superior e coordenadora pedagógica do Colégio Logosófico de Belo Horizonte.

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