Edição 67

Gestão Escolar

Salve os 110 anos da Congregação da Sagrada Família no Brasil!

Irmã Fátima Dantas, RSF.

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29 de maio de 1902 – 29 de maio de 2012.

No começo do século passado, na França, leis anti-clericais fechavam todas as escolas confessionais, de qualquer origem. Muitas religiosas de várias congregações eram voluntárias em outros países, a fim de salvar a vocação religiosa, quase sempre voltada para a Educação.

Foi por ocasião de uma viagem à França do Sr. Carlos Alberto de Menezes, um dos fundadores e diretores da Cia. Industrial Pernambucana – Fábrica de Tecidos de Camaragibe e Usina de Açúcar de Goiana, que tudo começou: esse fervoroso empresário brasileiro, adepto da Doutrina Social da Igreja, procurava uma congregação religiosa que aceitasse assumir a educação dos filhos dos operários. Na França, entrou em contato com a Madre Marie Léocritie, então Superiora Geral da Congregação da Sagrada Família de Villefranche de Rouergue, fundada por Santa Emília de Rodat, em 1816.

A boa organização do serviço religioso por padres franceses na Cia. Industrial Pernambucana foi um dos motivos que fez a Superiora Geral da Sagrada Família enviar as irmãs ao Brasil; os padres do Sagrado Coração de Jesus poderão sempre ser contados entre os benfeitores da nova fundação.

O acordo foi firmado. Então, as primeiras irmãs chegaram da França, no dia 29 de maio de 1902. Tendo desembarcado no Porto do Recife, foram acolhidas, em Camaragibe, pelas famílias Menezes e Collier.

As irmãs vieram para ajudar na educação das crianças filhas dos operários e também dos filhos do senhor diretor de Camaragibe e do senhor engenheiro de Goiana. Vieram também para as obras de perseverança, canto e ofícios religiosos, cursos de adultos para mulheres, etc. Eram sete irmãs: Marie Cornelie, Superiora, Maria Jeanne, Benjamine Marie, Maria Josepha, Maria Regina, Maria Tarcisius e Marie de Jesus. Inicialmente, elas tiveram oito meses de estudo da língua portuguesa. Em 11 de fevereiro de 1903, dia de N. Sa. de Lourdes, foram iniciadas as aulas, na Escola de Camaragibe.

Em 25 de junho de 1903 chegaram como reforço as Irmãs Maria Itha e Maria Hilarian, e, em março de 1905, a Irmã Maria Eleonora.

Nas suas Memórias, as irmãs não se cansam de lembrar e repetir o acolhimento que receberam, nessas terras hospitaleiras do Brasil, por parte das famílias Menezes, Collier, Muniz Machado, Brito e de todos os que faziam a Corporação Operária de Camaragibe. Estes, seguindo o exemplo dos seus chefes, cercaram sempre as irmãs de estima e veneração.

8_fmtA Educação foi a primeira missão da Congregação, assim como a missão principal para a qual foram enviadas ao Brasil. Começando por Camaragibe, as irmãs educaram crianças em outros colégios: em Pernambuco: Sagrada Família de Casa Forte, no Recife e em Goiana; na Paraíba: em João Pessoa, no Colégio N. Sa. das Neves e Externato Sagrada Família (bairro de Jaguaribe); na cidade de Areia, interior da Paraíba, no início do século passado, a Escola funcionou por pouco tempo. No Estado de Alagoas foi aberta uma escola, que também durou pouco tempo.

No Estado de Goiás, as irmãs também atuaram numa escola pública, na cidade de Mineiros.

Paralelamente à missão de educação formal nas escolas Sagrada Família, as irmãs também trabalharam como educadoras em escolas públicas, particularmente nas cidades do interior, nos lugares onde estavam inseridas, e com o ensino alternativo ou religioso, nas comunidades e nas paróquias.

Outra missão também foi assumida no Brasil: a saúde. As irmãs assumiram o trabalho de enfermagem e administração no Hospital Santa Isabel, da Santa Casa de Misericórdia, em João Pessoa. Também fundaram a Escola Superior de Enfermagem Santa Emília de Rodat, ao lado do hospital, e que foi dirigida por elas até a década de 1980. As irmãs residiram no próprio hospital até 1998; atualmente, o hospital foi municipalizado, e a Escola de Enfermagem está sob a direção de uma ex-aluna. Também dedicadas à saúde, algumas irmãs trabalharam em hospitais públicos e nas comunidades carentes como enfermeiras, parteiras ou com tratamentos alternativos, com plantas naturais.

Na década de 1970, após as reformas na Igreja, com o Concílio Vaticano II, outras formas de presença e atuação das religiosas foram aparecendo, como sua inserção nos meios populares e nas atividades paroquiais nos Estados da Paraíba, do Maranhão e de Goiás. Em Goiás, durante umas três décadas, dedicaram-se ao ensino e ao cuidado com idosos no Abrigo dos Vicentinos, na Vila dos Pobres/Goiânia e também na inserção. No Maranhão, igualmente, dedicaram-se ao trabalho pastoral, de promoção, evangelização e também de ensino.

Atualmente, a Congregação está presente em Nova Mamoré, em Rondônia (há 11 anos); e em Oeiras do Pará (há 11 anos). Após 10 anos que havia se encerrado a missão no Maranhão, recentemente foi reaberta, por insistência do bispo, do clero e do povo, uma comunidade inserida na mesma diocese anterior (Zé Doca), numa pequena cidade do interior. Também no interior do Paraná iniciaram uma missão em 2003, tendo sido encerrada no ano passado. Essa missão tinha uma característica especial: atendia aos apelos do povo do pequeno vilarejo, onde existe uma forte devoção à Santa Emília. Em todos esses lugares, procuraram viver a inserção no meio do povo, dos mais simples e carentes.

No dia 1° de setembro, fizeram a abertura do mês de Santa Emília com uma celebração eucarística festiva, na capela do Colégio da Sagrada Família de Casa Forte, em ação de graças pelos 110 anos de sua presença no Brasil. Louvemos ao Senhor por todas as graças concedidas à Congregação e à Província do Brasil nesses anos de missão. Um destaque para a presença das cinco provinciais, que desde 1969 conduziram e conduzem a Província. No início, o governo se fazia diretamente da Casa-mãe, na França; depois passou à Região. A partir do capítulo geral de 1968/69, houve uma mudança, na Congregação, com a criação de Províncias, passando-se a ter mais autonomia. Irmã Gabrielle Trézières, que fez a transição de Região para Província, atualmente com 91 anos de idade, é muito lúcida e sempre dá testemunho de tudo que vivenciou aqui desde a sua chegada, há 62 anos.

A Eucaristia foi presidida pelo Padre Renato Maia, SCJ, ex-aluno da Escola da Fábrica de Camaragibe, e concelebrada pelos padres: Marcelo Barros, OSB, também ex-aluno; Luís Carlos, SCJ; ex-educador nas Escolas de Camaragibe e Casa Forte; André Vital, SCJ; Padre Mário, CssR (nosso capelão); Padre Sebastião, vigário de Goiana; e Padre Célio (arauto do Evangelho, de Casa Forte). Padre Marcelo fez a homilia, onde expressou bem seus sentimentos de gratidão pela formação que recebeu na Sagrada Família e destacou a atuação da Palavra de Deus na sua vida.

Após a celebração eucarística, houve um momento muito especial, na quadra do Colégio, com a apresentação do cantor popular Zé Vicente e sua equipe. Ele é um místico, apaixonado pela natureza e pela arte, um homem de Deus, dedicado à evangelização pela música, profundo nas suas mensagens. Assim ele nos levou a rezar, dançar, louvar… Por tudo isso, louvamos e agradecemos ao Senhor!

Essa festa contou com a forte presença da vida religiosa, não só da Congregação, mas de diversas congregações do Recife e de outros lugares, dos religiosos (padres e seminaristas) e também de nossas aspirantes, vocacionadas, leigas(os) da Sagrada Família, ex-alunos(as), amigo(as).

Obrigada Senhor! Enfim, a presença amiga de tantos religiosos(as) nos foi muito gratificante e mostrou que a mística e o encantamento pela vida continuam como marca na vida consagrada na Igreja. Louvemos ao Senhor por todas as graças concedidas e pelo bem que Ele permitiu que a Congregação fizesse em benefício das crianças, dos jovens, dos idosos, de doentes, dos desamparados e das famílias nesses 110 anos de missão no Brasil.

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