Edição 44

Matérias Especiais

Sob o domínio da TPM

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Os professores são poetas da vida. A esperança do mundo está sobre os ombros da educação. Entretanto, a mais nobre das profissões tem se tornado uma usina de estresse. Por isso, a educação moderna tem de levar em alta conta o treinamento da emoção.

Uma estatística que acaba de ser divulgada coloca o Brasil na liderança de incidência de um dos males que mais atormentam a mulher moderna: a tensão pré-menstrual, ou simplesmente TPM. De acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva, também da cidade paulista de Campinas, oito em cada dez brasileiras em idade reprodutiva têm TPM. Isso equivale a 41 milhões. O índice extrapola a média mundial, estipulada em 35% de pacientes com sintomas moderados e intensos, e dá ao Brasil o título de país da TPM. A pesquisa envolveu 860 participantes, com idade entre 18 e 35 anos, de todas as regiões. Foi constatado que 80% padecem, mensalmente, de incômodos, como inchaço nas pernas, dores de cabeça e nas mamas e cólicas. Tudo isso é agravado por uma avalanche de manifestações emocionais pontuadas por crises de mau humor profundo, irritação, tristeza, ansiedade, tensão e até depressão. São reações que aparecem independentemente da vontade da mulher até catorze dias antes da menstruação e desaparecem com a chegada do fluxo menstrual. Duram, em média, seis dias, tempo suficiente para tornar a vida da mulher e dos que com ela convivem um verdadeiro tormento.

Algumas razões podem explicar a explosão da TPM no Brasil. Na avaliação do ginecologista Carlos Alberto Petta, coordenador da pesquisa, a diferença em relação à média mundial pode estar relacionada à metodologia aplicada na pesquisa ou ao fato de a brasileira se queixar mais dos sintomas. “Aqui, por exemplo, o inchaço é motivo para uma visita ao médico. Já, para a europeia, esse sintoma pode não ter a mesma importância”, explica o médico. O fato é que as conclusões expõem um problema há muito tempo conhecido, mas que só emergiu com a entrada da brasileira no mercado de trabalho. No passado, TPM não passava de um fricote de mulher. Mas essa opinião começou a ser revista à medida que a população feminina precisou conciliar trabalho, maternidade e atividades domésticas. À sobrecarga física e psíquica, que culmina em níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão, somou-se a influência da TPM.

O resultado não poderia ser outro. A síndrome ganhou contornos mais sérios. Tornou-se um problema de saúde com alto grau de interferência na vida das mulheres, como foi atestado pela pesquisa. Segundo o trabalho, a TPM afeta as relações amorosas de 56% delas e os relacionamentos familiares de 50%. “Outros 47% revelaram que os sintomas interferem no trabalho; e 46%, nas atividades de casa”, afirma Petta. Na prática, isso se traduz em situações que vão do cômico ao preocupante. Não são raros os casos de demissões do emprego, discussões com colegas de equipe e brigas com o parceiro e os filhos.

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RODRIGUES, Greice, e PRADO, Adriana. Revista Isto É. Maio 2008 Nº 2009 Ano 31 p. 85.

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