Edição 15

Projeto Didático

Vamos brincar de poesia?

Uma palavra de esclarecimento

Certamente algumas intenções permeiam a realização deste recital temático, além da feição ilustrativa que lhe conferimos em relação ao 7º Encontro de Literatura Infanto-juvenil – 2001: noites de histórias e ao III Encontro Luso-brasileiro: alternativas luso-brasileiras para a educação da criança, realizados na Fafire.

Em princípio, partimos da crença de que toda forma de expressão do ser conduz à compreensão do mundo, gera conhecimento/autoconhecimento e propicia ações transformadoras da realidade em que vivemos.

Numa segunda instância, considerando o processo de organização dos eventos, vimos que a oportunidade de o aluno vivenciar textos poéticos da Literatura Infanto-juvenil acarretaria também a interação com outras formas de linguagem, num contexto eivado de intertextualidade, historicidade e ludismo, abrindo-se um viés para a articulação de idéias, como reflexão, pesquisa, senso metodológico e ação comunitária. Tais procedimentos, além de tudo, contemplariam fatores como dialogismo e ressignificação no processo ensino–aprendizagem.

Numa outra visualização, e para reforçar nossa prática pedagógica, conferimos a coesão entre os blocos temáticos do recital, com a mediação da Teoria da Arte, ensejando uma melhor assimilação de certos conteúdos de disciplinas como Teoria da Literatura, Literatura propriamente dita e Língua Portuguesa. Entre esses comportamentos, perpassaria o trabalho com os objetivos do curso de Letras, no tocante às questões da comunicação e expressão de forma mais ampla.

Para ilustrar nossas reflexões, citamos Octavio Paz, em O Arco e a Lira: “A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo. A atividade poética é revolucionária por natureza. A poesia revela este mundo, cria outro. Voz do povo, coletiva e pessoal”.

Como se percebe na palavra do autor mexicano, que tão bem integra a reflexão teórica e o tom poético, é imprescindível que, em nossa prática acadêmico-pedagógica, a leitura do mundo se dê em sua plenitude, equilibrando conhecimento e sensibilidade como fatores necessários ao crescimento humano.

(Liliane Jamir e Norma Godoy)

Música: Aquarela
(Toquinho e Vinicius de Moraes)

No cenário, os participantes se movimentam de forma descontraída em meio a objetos ilustrativos do aspecto lúdico, pertinente ao contexto do recital.

Personagem – (Em tom de encantamento)
— Às vezes fico pensando como o mundo seria melhor se todos gostassem de poesia, acreditassem na poesia que habita as coisas: um olhar, uma paisagem… um objeto qualquer.

Personagem – (Em tom de ironia)
— Ah! Mas o mundo não precisa de poesia. Nos tempos de hoje, temos que pensar em dinheiro e sucesso para mandar nas pessoas e decidir tudo sozinho. Isso, sim, é que é poesia!

Personagem – (Retrucando)
— Você diz isso porque não tem sensibilidade nenhuma.

Personagem – (Em tom de gracejo)
— Tudo isso que vocês estão falando é bobagem, nada disso existe. Parece até coisa de gente boba, de gente romântica. Não vai nem vem… não vai nem vem. Ah! Ah!…

Personagem – (Em tom de convicção)
— Eu concordo com Fulano. A poesia é algo especial, melhora os homens, faz com que eles se voltem para o infinito, para as coisas essenciais. É o que eu digo, vamos ler poesia todo dia… Todo dia…

Personagem – (Em tom de reflexão)
— O melhor é deixar esta prepotência de lado e pensar seriamente na poesia, que é vida e mistério, faz parte do mistério da vida, dessa grandeza que a gente não atinge, mas sente a beleza. Quem sabe dizer melhor são os poetas, através de seus versos carregados de poesia…
Música: Aquarela (Toquinho e Vinicius de Moraes)No cenário, os participantes se movimentam de forma descontraída em meio a objetos ilustrativos do aspecto lúdico, pertinente ao contexto do recital.

Colaboração: Afrânio Cavalcante Silva (datashow/convidado), Ângela Torres (sonoplastia/aluna), Daniel Augusto (sonoplastia/flauta/aluno) e Maria Gisélia Silva (reprografia/funcionária).

Coordenação: (Professoras do curso de Letras/Fafire), Liliane Maria Jamir e Silva e Norma Maria Godoy Faria.

Intérpretes: Alunos do curso de Letras/Fafire: Alessandra Martins, Aline Leal, Ana Cláudia Leite, Anna Cecília Prado Gama, Carolina Karla, Carolina Rolim, Daniel Augusto, Eduardo da Cruz, Erika Barros, Evânia Santos da Silva, Isia Maria Lemos, Jurandir F. Dias Júnior, Kleyton Ricardo, Márcia Xavier, Maria das Graças Lessa, Maria Stella Freire, Maria Olindina Silva, Nathaly Caldas, Renata Gonçalves Muniz, Renata Walmsley Morais, Viviane Figueira e Valquíria S. Valadares.

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