Edição 119

Refletindo...

A loucura de assumir que não se sabe…

Dayana Cardoso

Quem você tem sido? Que educador você entrega ao mundo? Aquele que guarda velhos pensamentos e hábitos ultrapassados? Comportamentos e falas do início da sua carreira acadêmica? Crenças obtidas com seus professores que já até se aposentaram (nada contra esses grandes educadores, foram excelentes na sua época)? Ou você tem sido um professor inspirador?

Hoje, mediante a rapidez com que as inovações e transformações acontecem no mundo, inerentes à nossa vontade e que nos entorpecem e atropelam por maior que seja a nossa resistência, não faz sentido parar no tempo e insistir em segurar os doces (modelos de ensino) que sequer podem ser consumidos, pois a validade não permite mais que essa ação seja realizada. 

Insistir em comê-los é se expor a uma indigestão que nos deixará doentes e pode até nos levar a óbito. Sim, o que mais vemos são professores mumificados em seus paradigmas retóricos, que se recusam a abrir as mãos para o novo, que preferem se agarrar a mais do mesmo, não irrompendo em novas travessias, que, com certeza, causariam muito mais emoção e gozo no fazer e no ser professor. 

Aquele que se joga no chão para agarrar o novo mesmo sem saber como este o é, mesmo sem ter entendido as suas nuances ou preparando-se totalmente para fazê-lo, entende que o processo que envolve o seu segmento de atuação nunca o permitirá estar pronto, pois a volatilidade infinita com que novos métodos e teorias se apresentam a todo instante não permite nunca chegar a esse saber absoluto.

Sócrates já nos alertou sobre isso quando, mesmo diante de sua sabedoria, irrompeu uma frase curta, porém cheia de significado, que nada tem a ver com falsa modéstia, e sim com a clareza da existência de uma imensidão de coisas e fatos que ele, mesmo tendo uma vida infinita, não conseguiria ver, compreender, descobrir e perceber, pois, para o conhecimento, não existe um fim em si mesmo, uma vez que este se refaz sempre que um novo ser com ele se encontra.

“Só sei que nada sei” deve ser bradado do alto dos telhados com impostação de voz e verdade na fala por cada professor, para que este compreenda que a pretensão de saber a ponto de estar apto a ensinar de forma individual, sem a participação do seu aluno como parceiro construtor do conhecimento, só demonstra o quanto esse pobre professor nada sabe daquilo que diz que sabe.

Assumir que não sabemos é a melhor forma de começarmos a saber… 

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