Edição 149
Prazer de ler
Apresentamos, nesta edição, a autora GLAUCE FRAGOSO, publicada pela Editora Prazer de Ler.
Glauce Fragoso

Capas: Reprodução
Existem vocações que não escolhemos, mas que nos escolhem. Para mim, o chamado da educação ecoou muito antes dos bancos universitários. Ele nasceu no quintal de casa, nas tardes em que as brincadeiras de “escolinha” eram o meu universo favorito. Ali, organizando bonecas e com as amigas, eu já descobria que ensinar era a minha forma mais genuína de estar no mundo.
Em 2002, o sonho ganhou contornos oficiais com a minha formação em Pedagogia. Desde então, as salas de aula tornaram-se o meu laboratório de afeto. Foi nesse cotidiano que me vi completamente arrebatada pelo poder das histórias infantis. Percebi que um livro aberto nas mãos de uma criança é mais do que um papel colorido cheio de letras; é uma ponte para a empatia, o letramento, o conhecimento e grandes descobertas.

Com o tempo, as histórias de outros autores passaram a ser o combustível das minhas aulas, pois sempre contei histórias. Cada vez mais me encantando pelas narrativas, em 2007 resolvi mergulhar no curso de Contação de Histórias na Fundação Gilberto Freyre, o que me deu mais amplitude para as contações, mas algo pulsava dentro de mim pedindo passagem. Eu sentia que precisava dar voz às minhas próprias narrativas, aos personagens que habitavam minha imaginação e às lições que só o dia a dia com os pequenos consegue ensinar.
Decidi, então, transbordar: de leitora e mediadora, tornei-me escritora. Escrever para crianças é, para mim, um exercício de tradução. É pegar sentimentos complexos e transformá-los em palavras leves, cores vibrantes e rimas que abraçam. É honrar aquela menina que brincava de professora, mantendo vivos o brilho no olhar e a crença inabalável de que a literatura é a ferramenta mais poderosa para transformar o futuro.

As histórias vieram da experiência como professora e como mãe. Minha primeira história foi baseada nas descobertas da minha primeira filha Gabriele, que tanto me inspira, mas, como tive outra filha, quem sabe não haverá alguns contos baseados na minha Giovana também?
Hoje, ainda atuando na educação, sigo acreditando que educar e encantar são sinônimos. E que cada história que escrevo é um convite para que uma criança, em algum lugar, também descubra que o mundo é um livro esperando para ser lido.

Glauce Fragoso
