Edição 144
Profissionalismo
O xadrez na sala de aula
Elto Koltz

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Muito mais do que uma opção para dias de chuva, o xadrez é um jogo de tabuleiro considerado por muitas pessoas como um esporte. É um esporte que vai além das aulas de Educação Física, sendo, muitas vezes, uma atividade de sala de aula orientada por professores de Matemática por ser um jogo que ajuda muito no desenvolvimento do raciocínio lógico e promove relações interpessoais. Também há muitos grupos escolares que participam de campeonatos, e é nesses espaços que surgem relações de amizade pelo convívio e pela admiração que se tem por jogadores que estão em níveis superiores.
Em campeonatos escolares de xadrez, nas conversas entre pais, é comum professores e organizadores expressarem a importância do xadrez na consolidação desses relacionamentos, pois muitos dos participantes são introspectivos e encontram, nesses campeonatos, não só uma válvula de escape, mas uma forma de se inserir no mundo e chegar à vida adulta de forma saudável.
Os campeonatos envolvem a comunidade escolar como um todo: alunos, professores e pais. São eventos que promovem interação social e abrangem crianças a partir dos 6 anos de idade e adolescentes com até 18 anos.
Origens
Entre os historiadores, há um consenso de que a Índia é o provável berço do esporte. A principal diferença entre o jogo atual e seu antecessor fica por conta da limitação de movimento das peças. O atual bispo era conhecido como elefante, enquanto a dama, peça mais poderosa do xadrez moderno, era conhecida como vizir. Foi na França, no século XVIII, que surgiram os eventos de xadrez no formato que conhecemos atualmente. Os mestres da época se enfrentavam em partidas em casas de café e chá distribuídas pelas cidades europeias. No século XIX, os clubes de xadrez tiveram um rápido desenvolvimento, e surgiram partidas por correspondência entre cidades. Jornais passaram a destacar o jogo, e publicações foram feitas contendo estratégias avançadas dos mais célebres enxadristas da época.
Regras do jogo de xadrez
Um bom jogador de xadrez precisa dominar o tabuleiro, conhecendo cada lance desde o início. Ele é um estrategista que avalia cada lance seu e do seu adversário, prevendo uma, duas, três ou até mais jogadas, tentando descobrir cada lance do seu oponente e estabelecendo estratégias de defesa e ataque. O xadrez não é só um jogo — é um duelo de mentes, no qual até um peão pode decidir a partida.

O tabuleiro e as peças
O jogo é disputado em um tabuleiro quadrado com 64 casas, divididas em 8 colunas e 8 linhas. As casas são alternadamente brancas, ou claras, e pretas, ou escuras, e o tabuleiro deve estar posicionado de forma que a casa branca esteja no canto direito do jogador. São, ao todo, 32 peças, sendo 16 brancas e 16 pretas.
Cada jogador começa com 16 peças:
» 1 rei
» 1 dama (rainha)
» 2 torres
» 2 bispos
» 2 cavalos
» 8 peões
As peças são posicionadas nas duas primeiras fileiras de cada jogador. A linha mais próxima do jogador contém as peças maiores (torres, cavalos, bispos, dama e rei), e a segunda linha é preenchida pelos peões.
Movimento das peças
Rei

Move-se uma casa em qualquer direção (horizontal, vertical ou diagonal). O objetivo principal do jogador é proteger o rei para não levar um xeque-mate.
Dama (rainha)

Move-se em quantas casas quiser em linha reta — horizontal, vertical ou diagonal.
Torre

Move-se em quantas casas quiser, mas apenas na horizontal ou vertical.
Bispo

Move-se em quantas casas quiser, porém somente nas diagonais.
Cavalo

Move-se em “L”: duas casas em uma direção horizontal ou vertical e uma casa em perpendicular. É a única peça que pode pular outras peças.
Peão

Move-se uma casa para frente, mas captura na diagonal. No primeiro movimento, pode avançar duas casas.
Objetivo do jogo
O objetivo principal é dar o xeque-mate no rei adversário. Esse objetivo é alcançado quando o rei está em ataque (xeque) e não tem nenhuma casa para fugir nem pode ser protegido por outra peça. Quando isso acontece, o jogo termina, e quem aplicou o xeque-mate vence.
Movimentos especiais
Nas regras do xadrez, há movimentos especiais que ajudam muito nas tomadas de decisões em uma partida. São elas:
Roque
Movimento que envolve o rei e uma torre, movimentando ambos para aumentar a proteção do rei. Mas, atenção, o roque só pode ser feito diante de algumas condições:
» Nenhuma das peças tiver se movimentado antes.
» O rei não estiver em xeque.
» As casas entre o rei e a torre estiverem livres.
» O rei não passará por uma casa ameaçada.
Roque Maior

Roque Menor

En Passant
Uma jogada especial em que um peão pode capturar outro peão que avançou duas casas, mas só pode ser feita imediatamente após o avanço duplo.

Promoção
Quando um peão chega à última linha do adversário, ele pode ser promovido a qualquer outra peça (normalmente, à dama).
Regras de finalização

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Xeque-mate
Fim do jogo, o jogador que der o xeque-mate vence.
Empate
Há várias maneiras de ocorrer empate; são elas:
» Pode acontecer por acordo.
» Repetição de movimentos, ocorre quando a mesma posição no tabuleiro e a mesma sequência de lances legais são repetidas três vezes durante a partida.
» Empate por 50 lances, ocorre quando ambos os jogadores realizam 50 lances consecutivos sem que nenhum peão seja movido ou peça seja capturada.
» Falta de peças para xeque-mate ou se o rei não pode se mover sem ser capturado (empate por afogamento).
Dicas para quem está começando
» Conheça as aberturas.
» Sempre proteja o rei.
» Controle o centro do tabuleiro.
» Desenvolva suas peças (tire as peças da primeira linha rapidamente).
» Evite mover a mesma peça várias vezes no início.
» Pense em estratégias simples antes de tentar movimentos complexos.
Considerações finais
As regras aqui apresentadas são a base do jogo de xadrez, mas é importante estudar, principalmente as aberturas, e conhecer a história e as estratégias de grandes mestres do xadrez mundial, como Magnus Carlsen, Garry Kasparov, Bobby Fischer, Anatoly Karpov e Jose Raúl Capablanca y Graupera. Magnus Carlsen é considerado por muitos como o melhor jogador da atualidade, enquanto Kasparov é elogiado por sua genialidade e domínio do jogo. Bobby Fischer, conhecido por sua personalidade única, foi um jogador icônico que quebrou a hegemonia soviética no xadrez; Karpov, por seu estilo posicional; e Capablanca, por sua precisão e habilidade. No Brasil, também temos grandes mestres reconhecidos, entre eles Henrique da Costa Mecking (o Mequinho), Jaime Sunye Neto, Gilberto Milos Júnior, Rafael Leitão, Giovanni Vescovi e Darci Lima.
Mas não fica só por aí. Xadrez é estudar e praticar, participar de clubes de xadrez e de campeonatos. No Brasil, temos a Confederação Brasileira de Xadrez (CBX). Quem quiser participar de campeonatos deve fazer seu registro nessa confederação, no site disponível no final deste texto. Lá, há muitas informações sobre campeonatos. Existem também federações estaduais, que são ligadas à CBX.
O xadrez pode parecer monótono para quem assiste, mas, para quem participa de campeonatos, é um esporte empolgante e prazeroso, com resultados positivos para os jogadores. Uma escola que incentiva seus alunos a jogarem xadrez, criando clubes de xadrez e levando esses jogadores a campeonatos, pode obter resultados positivos não só para os estudantes, como também para toda a comunidade escolar que estiver envolvida, trazendo benefícios para a escola, os professores e os pais, que passam a participar de forma mais ativa na vida de seus filhos.
Para saber mais
O autor
Elto Koltz é formado em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife/Estácio; atua, há 20 anos, como diretor de Arte na produção de livros didáticos na Multi Marcas Editoriais e, há 12 anos, como psicólogo clínico, atendendo adolescentes e jovens adultos.
E-mail: elto.koltz@hotmal.com
