Edição 136

Espaço pedagógico

Projeto SER

Renara Julião

Pensar em educação emocional é levar as mais variadas possibilidades de estratégias para o processo ensino-aprendizagem, é fazer com que o educando consiga conviver, aprender e superar os desafios do século em que estamos vivendo.

A educação emocional é um processo que, para se ter bons resultados, é necessário que seja contínuo, sendo desenvolvido através de competências emocionais trabalhadas na escola, afinal todo espaço na escola pode ser uma sala de aula.

A sala de aula é um espaço que tem uma dimensão incalculável.
É impossível medir o quanto uma reflexão muda o aluno, o quanto uma dinâmica estimula, o quanto uma aula ensina.
No papel docente, entregue sempre o seu melhor, você está tocando um ser em constante evolução.”
Renara Julião

De acordo com o próprio texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “A noção de competência é
utilizada no sentido da mobilização e aplicação dos conhecimentos escolares, entendidos de forma ampla (conceitos, procedimentos, valores e atitudes). De tal modo, ser competente constitui ser capaz de, ao se confrontar com um problema, ativar e utilizar o conhecimento construído”.

Nos desdobramentos da nova BNCC, as habilidades socioemocionais ganharam ênfase e espaço. Seis dentre as dez competências gerais da nova BNCC são de cunho socioemocional, sendo estas o pensamento científico, crítico e criativo; trabalho e projeto de vida; argumentação; autoconhecimento e autocuidado; responsabilidade e cidadania; empatia e cooperação.

O pensamento científico, crítico e criativo investiga, compreende e soluciona de forma estratégica. O trabalho e o projeto de vida compreendem-se como a capacidade de gerir a própria vida, fazendo escolhas alinhadas com o exercício da cidadania. A argumentação destaca a capacidade de construir argumentos, conclusões ou opiniões de maneira qualificada e de debater com respeito às colocações dos outros. O autoconhecimento e o autocuidado compreendem, na diversidade humana, o reconhecimento de suas emoções e das dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

A responsabilidade e a cidadania estabelecem a necessidade de desenvolver, na criança e no jovem, a consciência de que eles podem ser agentes transformadores na construção de uma sociedade mais democrática, justa, solidária e sustentável. E a empatia e a cooperação consistem em exercitar a solidariedade, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito.

Dessa forma, faz-se necessário colocar em prática tudo aquilo que chega para agregar ao trabalho da escola: a melhoria na formação dos nossos alunos e o ambiente escolar.

Quando um educador reconhece as emoções de seus alunos e busca ajudá-los a lidar melhor com tais sentimentos, a probabilidade é que tais alunos consigam ter um maior controle das emoções e do comportamento. Quando tais emoções são ignoradas, o que pode acontecer? Vamos pensar? Quando não lançamos para fora algo que nos incomoda muito, como nos sentimos? Sentimo-nos reprimidos, sufocados, não é mesmo? Pois bem, dessa forma, a criança fica vulnerável, gerando a dificuldade de ter confiança em si mesma e, principalmente, nas relações para com o outro.

É visível a importância e a necessidade do socioemocional na vida de nossos alunos devido
às lacunas presentes na vida de cada um. Aprecio demais a troca de vivências e o despertar de sentimentos positivos proporcionados em sala.”
Coordenador Anderson Luz
Centro Educacional São Matheus

 

O projeto trouxe para nós a oportunidade de conhecer melhor os nossos alunos.
Eles tiveram também um momento de falar sobre si e refletir sobre as suas atitudes.”
Professora Adliny Lima
Centro Educacional São Matheus

As escolas buscam que seus alunos sejam protagonistas da sua própria história, que possuam pensamentos críticos, que sejam capazes de solucionar problemas de maneira colaborativa. Com isso, com tais educandos seguindo estratégias e desenvolvendo um conjunto de competências, é possível chegar aonde se quer.

Com o engajamento, a dedicação e a entrega de cada profissional que faz o Centro Educacional São Matheus e o Colégio Marina Santos, aqui, todo esse trabalho é possível.

Ao se falar em educação socioemocional para o desenvolvimento de competências e habilidades, fala-se na preparação do aluno com um aprendizado mais completo e amplo. É esse aluno que chegará em breve ao mercado de trabalho, aos cargos públicos, em sala de aula atuando como professor… e muitos ainda atuarão como pais, ou seja, esse aluno é o ser que irá compor a sociedade.

A educação focada somente no cognitivo não supre mais as necessidades da sociedade e não prepara mais o ser humano para a sociedade. Por isso, reforça-se o papel das habilidades socioemocionais. Habilidades estas que ajudarão o aluno a SER o melhor que ele pode SER.

Públicos-alvo

Alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio.
Professores e funcionários da área da Educação.

Objetivo geral

Trabalhar, de forma indissociável, as habilidades cognitivas e socioemocionais, para a formação de alunos mais seguros, mais preparados para as frustrações, para vencer os obstáculos e para se relacionar com o próximo.

Objetivos específicos

• Construção de relações saudáveis.
• Gerenciamento das emoções.
• Incentivo ao trabalho em equipe.
• Construção de valores como a empatia, o respeito e a cidadania.
• Formação de seres humanos melhores, para uma melhor atuação na sociedade.

 

Cada turminha construindo a teia da amizade, fortalecendo as relações.”
Coordenadora Ticiane
Centro Educacional São Matheus

Trabalhando a emoção alegria! Nosso maior objetivo é favorecer a autoestima do nosso aluno, fazendo-o refletir e entender seus sentimentos.”
Professora Eveline
Colégio Marina Santos


Aprendi a manter relacionamentos saudáveis e reforcei a capacidade de poder trabalhar a empatia e cooperação em sala, promovendo reflexões sobre o respeito às diferenças.”
Professora Ildenaide
Colégio Marina Santos

Desenvolvimento

Todo o conteúdo do Programa Socioemocional SER é entregue aos professores com o planejamento e as atividades prontas para execução. Sendo 1h/aula mensal, ministrada da Educação Infantil ao 5° ano pela professora polivalente e do 6° ao 9° ano por um professor pré-selecionado, por mim e/ou por nossa psicóloga, com o apoio de nossos coordenadores.

As aulas são compostas por vídeos, momentos reflexivos, atividades lúdicas, atividades práticas e atividades em folha, sempre trazendo o aluno para uma reflexão sobre o tema abordado, fortalecendo os valores necessários para se viver em sociedade de forma íntegra e ser uma pessoa do bem, contribuindo, diretamente, para a construção de um mundo melhor.

Com o corpo docente, é feito um trabalho prévio com a mesma temática que será proposta ao aluno, de modo que o professor repense suas atitudes e sua atuação no tema determinado, para, em seguida, conduzir essa reflexão em sala. O projeto vai além da sala de aula, ele passa pela secretaria, pela limpeza, pela zeladoria, pela coordenação, pelo pátio e pelos corredores. Envolve todos os ambientes, todos os funcionários, todos os projetos, como também todas as vivências escolares.

 

Considerações finais

Hoje a maior preocupação da escola não é simplesmente preparar o aluno para a aprovação em um vestibular, mas prepará-lo para a vida, formando um cidadão capaz de atuar e contribuir com a sociedade. Com isso, a escola reforça ainda mais o seu papel na vida de cada aluno, trazendo para si as questões socioemocionais, não se limitando apenas ao cognitivo. “A gente está falando de uma mudança de cultura, de compreensão de vida, do que a gente acredita que é o ser humano, o conhecimento, a aprendizagem e de qual é o papel da escola”, explica Anita Abed (2014), consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco). “O conhecimento em si deve ser amplamente significativo e prazeroso, algo da ordem socioemocional”, afirma Abed (2014).

Segundo Caballo (2008), as habilidades socioemocionais são um conjunto de comportamentos emitidos em um contexto interpessoal que expressam sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos. Entende-se, ainda, que tais habilidades muito contribuem, tanto para os contextos diários quanto para resoluções de conflitos e/ou reflexões e ainda mais em contextos futuros, nos quais o aluno, já tendo o contato com as diversas possibilidades de comportamento a partir dos conteúdos propostos nas habilidades socioemocionais, passa a ter decisões mais assertivas, e a escola ganha em vários aspectos.

Dessa forma, tais habilidades são sugeridas não somente como conteúdos propostos pela BNCC, mas como pré-requisitos para uma gestão pautada na formação de valores éticos e morais, uma educação pautada na formação integral, e não apenas parcial, desses alunos.
Aqui, mais do que apresentar um projeto que está amadurecendo para se tornar um programa, estamos mostrando que, a cada momento, existem novas possibilidades para se atuar em sala de aula, para somar na vida do aluno, para contribuir para uma sociedade mais justa e humana. A todo momento, temos, em nossas mãos, a vida de seres únicos, insubstituíveis e especiais: nossos alunos, nossos filhos, nós mesmos.


Renara Julião é mãe, supervisora escolar, pedagoga com pós-graduação em Gestão e em Educação Socioemocional, coach e administradora.
E-mail: renarajuliao@gmail.com

Referências
DILNEI, Renara. A compreensão dos coordenadores pedagógicos sobre as habilidades socioemocionais indissociáveis à educação: um caminho para uma gestão significativa. Agosto, 2019.
COSTAS, Ruth. Modelo de escola atual parou no século 19, diz Viviane Senna à BBC Brasil. São Paulo, 5 de junho de 2015. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150525_viviane_senna_ru.
LÜCK, Heloísa. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Curitiba: Positiva, 2009.
Revista Nova Escola. 01 de agosto de 2018. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/12178/competencias-socioemocionais-de-a-a-z?gclid=CjwKCAiAu9vwBRAEEiwAzvjq–0NbwoTWoDKsZl1IBcofpUPJgl9_2QgHGGSi-Ti0p0IRvCzyM1kYxoCE_QQAvD_BwE.

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