Edição 134

Matéria Âncora

Projetos

 

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Campanha da Fraternidade 2024

1° Encontro – a Amizade Social: conceito, experiência e beleza

a. Objetivos do encontro:

• Refletir sobre a Amizade Social como uma construção da cultura do encontro.

• Fomentar nossa “vocação para formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros” (FT, n. 96).

• Considerar a Amizade Social como o “amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço” (FT, n. 1); “uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, independentemente da sua proximidade física” (FT, n. 1); “um amor desejoso de abraçar a todos” (FT, n. 3).

• Tecer um olhar de apreciação sobre os sinais de Amizade Social presentes: no coração de cada um, nas famílias, nas escolas, nas Igrejas, no bairro, na cidade, no país, etc.

• Refletir sobre a importância da Amizade Social nas relações humanas fraternas e saudáveis.

b. Competências e habilidades de referência (BNCC):

Competência 1: Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

Competência 4: Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

Competência 7: Argumentar, com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbitos local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si, dos outros e do planeta.

Competência 9: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos Direitos Humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

Sugestões de habilidades:

 

 

c. Sugestões de diálogo interdisciplinar:

• Artes: representar os símbolos de amizade em estrutura estética de cards.

• Ciências: observar animais que vivem em comunidade, como formigas e abelhas; conceito de simbiose, de organismo.

• Educação Física: participar de jogos e brincadeiras cuja finalização dependa da participação de todos.

• História e Geografia: entender o conceito de amizade em diferentes tempos e lugares, mantendo a centralidade no cuidado com o outro como um igual a mim.

•  Língua Portuguesa: pensar/escrever sobre o conceito de amizade e de Amizade Social.

•  Matemática: fazer o levantamento estatístico sobre meus amigos (número de amigos X lugares que frequento ou atividades que realizo ou tempo de amizade, etc.).

d. Ferramentas e materiais a serem utilizados:

•  Textos verbais e/ou não verbais (escritos ou imagéticos) com conceitos sobre amizade e Amizade Social.
•  Filipetas de papel (podem ser coloridas para expor!) para construção individual (escrever ou representar visualmente o conceito de amizade) e para construção de acróstico sobre amizade.
•  Modelo de planilha para construir o levantamento do número de amigos que cada criança tem.

1. Vem para a roda

•  A primeira proposta é apresentar o conceito de amizade. Iniciar pelo que as crianças sabem, provocar a troca de ideias e a percepção de que precisam refletir sobre o conceito para que, dele, possam apropriar-se e atuar de forma mais consciente sobre essa dimensão das relações pessoais.

•  A ideia é trazer para o centro do diálogo o que é amizade, como ela surge, o que é bom e o que não é, considerando linguagens verbais e não verbais como recursos provocadores de reflexão, como poema, música, texto, imagem, etc. Quanto maior a relação com o contexto cultural da comunidade, mais rica será a reflexão.

•  Assim, as crianças poderão relacionar sua própria experiência e, com base nela, construir o conceito de Amizade Social, tendo a importância do “encontro com o outro” como condição.

2. Conversando com Jesus

“Que o amor fraterno vos una uns aos outros, com terna afeição, estimando-vos reciprocamente. Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal (…) alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração. Mostrai-vos solidários com os santos em suas necessidades, prossegui firmes na prática da hospitalidade. Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Mantende um bom entendimento uns com os outros” (Rm 12,10.12.13-16).

3. Indo às irmãs e aos irmãos

A construção do conceito de amizade pode gerar uma exposição do que foi discutido inicialmente, na roda:

•  Produção de cartazes para transbordar para outros espaços, além da sala de aula, o que foi construído pela turma.

•  Partilha de imagens por meios físicos, como desenhos e gravuras, e mesmo digitais, nas mídias escolares, alcançando as turmas, as famílias, a comunidade… provocando reflexão, presença tanto local quanto no mundo virtual.

•  Brincadeiras infantis coletivas: portfólio de atividades do intervalo, com sentimentos pessoais.

4. Para nossa próxima aula

•  Vamos pesquisar sobre nossas amizades atuais? Elas são as mesmas do ano passado? Cresceram em número ou diminuíram? O que aconteceu para que crescessem ou diminuíssem?

•  Vamos convidar nossa família para refletir sobre a amizade: quantas amigas e amigos cada pessoa da nossa família possui? Como era a amizade quando eram crianças? Possuem amigas e amigos de infância ainda? São próximos? Se são, qual o “segredo” para ter uma amizade que dure da infância à vida adulta? Ou o que aconteceu para que as amizades da infância ficassem na infância e não continuassem na vida adulta?

•  Pedir que adultos ensinem uma brincadeira de quando eram crianças, participando também. Sugerir que esses momentos possam se tornar rotina na família.

Ouvindo o Papa

“Que todo ser humano possui uma dignidade inalienável é uma verdade que corresponde à natureza humana, independentemente de qualquer transformação cultural. Por isso, o ser humano possui a mesma dignidade inviolável em todo e qualquer período da história (…) Assim, a inteligência pode perscrutar a realidade das coisas, através da reflexão, da experiência e do diálogo, para reconhecer, nessa realidade que a transcende, a base de certas exigências morais universais.” (FT, n. 213).

2° Encontro – a amizade ameaçada: atitudes e comportamentos que ferem

a. Objetivos do encontro:

•  Identificar sinais que indiquem que a Fraternidade e Amizade Social se encontram ameaçadas.

•  Indicar situações concretas, atitudes e comportamentos que ameaçam a Amizade Social.

•  Observar atitudes pessoais, comunitárias e de grupos que ameaçam a Fraternidade.

•  Narrar as formas como ocorrem ameaças à Amizade Social na escola.

•  Especificar os obstáculos à Amizade Social e descrever as suas causas e consequências.

b. Competências e habilidades de referência (BNCC):

 

c. Sugestões de diálogo interdisciplinar:

•  Língua Portuguesa: Produção textual, interpretação e senso crítico.
•  Arte: Produção artística.
•  Ciências: As doenças desencadeadas pela prática de bullying e cyberbullying.

d. Ferramentas e materiais a serem utilizados:

•  Papel A4.
•  Caneta hidrocor.

1. Vem para a roda

•  Elaborar pegadas de papel e organizá-las em duas direções. No fim de um dos caminhos, colocar um cartaz escrito “AMIZADE SOCIAL” e, no outro, “BULLYING E CYBERBULLYING.

•  Entregar duas folhas para cada estudante e pedir que eles ilustrem ou escrevam algo sobre as palavras que se encontram ao final dos caminhos.

2. Conversando com Jesus

“Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, anunciando o Evangelho do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade no meio do povo. Sua fama também se espalhou por toda a Síria. Levaram a ele todos os que sofriam de diversas enfermidades e tormentos — possessos, epiléticos, paralíticos —, e ele os curava. Grandes multidões o acompanhavam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e do Além-Jordão” (Mt 4,23-25).

3. Indo às irmãs e aos irmãos

•  Conversar com a turma sobre as temáticas propostas, buscando extrair do grupo a visão que ele tem sobre a realidade atual e a realidade desejada.

Para refletir: A partir dos dados levantados nas entrevistas realizadas e com base em sua percepção, é possível afirmar que a sociedade tem caminhado na contramão da Amizade Social? Quais exemplos de situações nos ajudam a justificar nosso posicionamento? A partir das reflexões contidas na passagem bíblica e na Encíclica do Papa, quais mudanças concretas podemos adotar com base na mensagem de cada uma delas?

4. Para nossa próxima aula

Conversar com a família sobre as abordagens feitas até o momento e preparar uma relação com sugestões de filmes e séries que retratem boas atitudes para o fortalecimento da cultura do encontro e do diálogo em consonância com a Amizade Social e outros que retratem atitudes que ameaçam tal realidade.

Ouvindo o Papa

“Conta Jesus que havia um homem ferido, estendido por terra no caminho, que fora assaltado. Passaram vários ao seu lado, mas foram embora, não pararam. Eram pessoas com funções importantes na sociedade, que não tinham, no coração, o amor pelo bem comum. Não foram capazes de perder uns minutos para cuidar do ferido ou, pelo menos, procurar ajuda.

Um parou, ofereceu-lhe proximidade, curou-o com as próprias mãos, pôs também dinheiro do seu bolso e ocupou-se dele. Sobretudo, deu-lhe algo que, neste mundo apressado, regateamos tanto: deu-lhe o tempo. Tinha, certamente, os seus planos para aproveitar aquele dia a bem das suas necessidades, compromissos ou desejos. Mas conseguiu deixar tudo de lado à vista do ferido e, sem conhecê-lo, considerou-o digno de lhe dedicar o seu tempo” (FT, n. 63).

Ampliando horizontes…

No ano de 2018, a CF trouxe como tema: Fraternidade e Superação da Violência e como lema: Vós sois todos irmãos (Mt 23,8). Os temas que nós abordamos no encontro de hoje nos fizeram perceber que muitas atitudes que ameaçam a Amizade Social consistem em práticas que podem ser entendidas como violência física ou psicológica contra os irmãos. Nós, enquanto cristãos, primamos sempre pela vida, conforme nos exortou o Mestre Jesus, portanto cabe a nós não praticar nem compactuar com nenhuma forma de violência.

3° Encontro – fortalecendo a Amizade Social

a. Objetivos do encontro:

•  Apontar propostas e caminhos para fortalecer a Amizade Social.
•  Criar oportunidades que possibilitem construir pontes de aproximação e cuidado recíproco.
•  Discernir razões que motivem atitudes de acolhida, perdão e reconciliação.
•  Enfrentar o desafio de ajudar aqueles que não compreendem o valor da Amizade Social ampla e para com todos.

b. Competências e habilidades de referência (BNCC), competências socioemocionais e compromissos do Pacto Educativo Global:

 

c. Ferramentas e materiais a serem utilizados:

•  Papel.
•  Material para escrever e colorir.

1. Vem para a roda

Neste encontro vamos conversar sobre as medidas que podem ser assumidas por cada um de nós para o fortalecimento da Amizade Social. O Papa Francisco traz insistentemente, em sua Encíclica Fratelli Tutti, a necessidade de abrirmo-nos para o mundo, de percebermos os outros — os de perto e os de longe — como irmãos e irmãs, habitantes da Casa Comum.

Primeiro momento: O filme O Caçador de Pipas (2011) mostra que a força das relações que encantaram o coração resiste ao tempo, à distância e ao horror da guerra. Mostra, além disso, que nunca é tarde para cumprir as promessas que dão vida ao coração. O educador pode realizar uma roda de conversa trazendo as seguintes inquietações: quais os principais desafios das relações sociais e por que são tão frágeis na contemporaneidade?

Segundo momento: Lançando um olhar apreciativo sobre a realidade, convém que o educador convide os estudantes a fazerem um levantamento de comportamentos, atitudes e ações que fortalecem os laços de Amizade Social dentro do ambiente escolar.

Terceiro momento: Certa vez, Pedro se aproximou de Jesus e perguntou-lhe se havia limites para o perdão. Jesus, olhando em seus olhos, afirmou que o perdão é um gesto de amor e confiança e que não há limites. Quando somos capazes de perdoar, de refazer o caminho apesar do desencanto experimentado, é sinal de que as coisas boas vividas juntas são bem maiores que a dor da decepção. Foi isso que aconteceu com Jesus e Pedro. Por que temos tanta dificuldade em perdoar?

2. Conversando com Jesus

Lc 10,25-37- O bom samaritano. “No teu parecer, qual dos três fez-se o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele [o doutor da Lei] respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze o mesmo”.

Ouvindo o Papa

“O culto sincero e humilde a Deus ‘leva (…) ao respeito pela sacralidade da vida, ao respeito pela dignidade e pela liberdade dos outros e a um solícito compromisso em prol do bem-estar de todos’. Na realidade, “Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,8). (…) As convicções religiosas sobre o sentido sagrado da vida humana consentem-nos “reconhecer os valores fundamentais da nossa humanidade comum, valores em nome dos quais se pode e se deve colaborar, construir e dialogar, perdoar e crescer, permitindo que o conjunto das diferentes vozes forme um canto nobre e harmonioso (…)”
(FT, n. 283).

Pistas para reflexão: A vida humana é território sagrado. Para Jesus, a dignidade da pessoa humana é um dos principais campos para a sua demonstração de amor e cuidado de Deus. O seu pedido é que cuidemos e amemos aos nossos próximos. Em nossos espaços de vivência, como temos agido em relação ao próximo?

3. Indo às irmãs e aos irmãos

•  Promoção de jogos da amizade, para proporcionar a interação da comunidade escolar como um todo.

•  Dias de convivência e formação.

•  Troca de mensagens entre os colegas de classe, entre as turmas, entre escolas, entre membros da família…

•  Corrente do bem: compromisso pessoal em esforçar-se para perdoar e cuidar das relações interpessoais.

4. Para nossa próxima aula

Os estudantes devem providenciar exemplos de pessoas e de grupos que dedicam sua vida ao bem dos demais.

Ampliando horizontes…

Embora a Campanha da Fraternidade seja uma ação da Igreja Católica, desde o ano de 2000, a cada cinco anos, ela é realizada em uma perspectiva ecumênica. A propósito, vocês sabem a importância do ecumenismo para a vivência e o fortalecimento da Amizade Social? Sugerimos pesquisar se existe alguma ação ecumênica perto de onde você mora.


Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Campanha da Fraternidade 2014. CF na Escola. Ensino Médio. Brasília: Edições CNBB, 2023.

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