Edição 147
Construindo mais conhecimento
LEONARDO DA VINCI

Domínio público

GVS – stock.adobe.com
Você sabia?
Coube a Leonardo da Vinci lançar o princípio da construção de um aparelho mais pesado que o ar e capaz de voar graças ao vento. Para idealizar essa máquina voadora, ele se baseou na observação do voo dos pássaros. Mas essa engenhoca levou quase 400 anos para sair do papel!
Quanta versatilidade, Leonardo!
Da Vinci foi realmente um gênio!
Desenhista, escritor, biólogo, médico, engenheiro, arquiteto, geólogo, inventor e — ufa! — pintor. Ele também foi autor de algumas das mais famosas pinturas do mundo: a Mona Lisa e A Última Ceia.
Nascido em 1452, alimentou sua arte com os ideais estéticos do Renascimento e desenhou protótipos de máquinas voadoras e projéteis de guerra que o lançaram muito adiante de seu tempo. Quer ver?
A Mona é dele
Também chamado de Gioconda, esse quadro de Da Vinci não é apenas o belo retrato de uma mulher nobre. É um enigmático cartão de apresentação do artista. Afinal, por que será que a Mona Lisa faz sucesso há tanto tempo?
Um dos motivos é que esse quadro conseguiu retratar, pela primeira vez, uma pessoa tal como ela é. Até a Mona Lisa aparecer, faziam-se pinturas que se limitavam a reproduzir formas humanas.
Da Vinci inovou. Deu vigor emocional às suas telas.
A Mona Lisa tem sentimentos: é ora melancólica, irônica, ora serena e discretamente alegre — mas, acima de tudo, é gente: tem caráter, personalidade. E, como parece estar contendo suas emoções, é ainda mais interessante — e tão indecifrável — para quem a observa.
A Mona Lisa esconde um segredo: estará rindo para nós, por amabilidade, ou estará rindo de nós, com um leve desdém? Além disso, seu olhar é distante, embora mantenha os olhos fixos sobre nós. O fundo é amplo. E parece haver uma estrada, que se perde entre montanhas, numa paisagem esfumaçada.
Assim, o quadro propõe um contraponto entre o traço bem-definido da Gioconda e o cenário ao fundo, bastante difuso.
A Última Ceia: essa obra foi restaurada em uma igreja de Milão durante 21 anos.
O estudo da paisagem
Da Vinci chegou a comparar o sistema de circulação do sangue no corpo humano com o curso dos rios e percebeu que os líquidos se comportam de modo semelhante, seguem leis parecidas:
fluem por meandros, seja numa rede de veias e artérias, seja no delta de um rio.
Em seu caderno de anotações, o artista elaborou vários croquis, como este, que inspiraram suas pinturas.

Jievani – stock.adobe.com /Domínio público
Arte ou ciência?
Existe uma questão de época em torno da obra de Da Vinci. Imagine só:
enquanto viveu, no Renascimento, o conhecimento humano não era tão vasto como hoje. Nos dias atuais, quando alguém decide fazer uma faculdade, seja ela qual for, sabe que terá de deixar de lado grande parte do saber que não faz parte de seu campo de conhecimento. Naquela época, para projetar uma ponte, por exemplo, um engenheiro se apoiava em desenhos tão artísticos quanto os dos artistas. Da mesma forma, quando um pintor retratava a natureza, precisava estudar antes o relevo, o solo e os tipos de planta característicos daquela paisagem. Assim, devia ser também um pouco cientista. É por isso que se diz que, naquela época, a arte e a ciência faziam parte de um mesmo esforço para entender o mundo.
De olho no corpo humano
Se as figuras humanas de Leonardo da Vinci impressionam pela naturalidade, isto se deve principalmente a seu talento como pintor e desenhista, mas também aos estudos que fez sobre a anatomia humana.
Da Vinci esboçou vários desenhos que revelam seu interesse em pesquisar os mistérios do nosso corpo: assim, debruçou-se sobre os mecanismos de circulação do sangue, o funcionamento da visão, a gestação da mulher e a estrutura dos ossos. Aprendeu tanto sobre o corpo humano quanto um médico — e este conhecimento, por sua vez, permitiu-lhe desenhar melhor. Por isso, ainda hoje, seus desenhos são considerados, ao mesmo tempo, uma expressão artística e um trabalho científico.
Um apetite voraz pela ciência
Leonardo da Vinci (1452–1519) dedicou-se ao estudo da anatomia humana com muito interesse. Também lançou um olhar curioso sobre a física, a botânica, a geologia e a matemática.
Como prova de sua versatilidade artística, mostrou-se capaz de desenvolver um projeto para desviar o curso do Rio Arno, que corta o norte da Itália, ao mesmo tempo que pintava a Mona Lisa.
Isto o levou, então, a abandonar temporariamente a anatomia humana para dedicar-se à geografia. Chegou a novas conclusões: o que acontece no corpo humano — em escala muito reduzida — pode ser parecido com o que ocorre em nosso planeta, em escala bem maior.
Em 1516, foi nomeado pintor, engenheiro e arquiteto do rei e dedicou-se, então, ao estudo da estática, da dinâmica e da resistência dos fios metálicos à tração.
Também aprofundou-se em pesquisas sobre a lei da gravidade, antecipando–se a Galileu Galilei (1564–1642). Da Vinci organizou cadernos de anotações, nos quais fez valiosos croquis sobre os mais variados assuntos.

Sergey Kohl – stock.adobe.com
REFERÊNCIA
Quanta versatilidade, Leonardo! Estadão, São Paulo, 2000.
Revista semanal da lição de casa 2000, n. 21, p.14-16.
