Edição 150
Socioemocional
Cognição Humana: As emoções ganham cada vez mais espaço nos estudos científicos, que destacam como as estruturas biopsicológicas da inteligência estão diretamente envolvidas com estado emocional do indivíduo.
Marta Relvas
Muitas pessoas pensam que a inteligência do cérebro humano funciona como um computador muito sofisticado e semelhante, de alguma maneira, aos computadores que são conhecidos. Sem dúvida, esses computadores contribuíram para entender o mundo da ciência de uma maneira revolucionária.
As ciências da computação contribuíram igualmente para a compreensão das neurociências cognitivas, desenvolvendo modelos que permitiram o avanço dos nossos conhecimentos sobre as propriedades dos neurônios e suas capacidades integradoras da informação, bem como o prognóstico, a partir de tais modelos teóricos, do funcionamento de um computador de neurônios, isto é, um circuito neural. Quando se trata de explicar o funcionamento do cérebro, certamente é útil a comparação com o computador, um sistema eletrônico que tem entradas de informações, um processador que as elabora e um sistema de saídas. Utiliza-se essa comparação para explicar que o cérebro funciona processando as informações que recebe por intermédio dos órgãos dos sentidos, sejam da visão, da audição, do tato, do paladar ou do olfato, e, depois de processar e elaborar os significados dessas informações, emite uma resposta motora ou, conforme o caso, memoriza-a para, talvez em outro momento, utilizá-la e emitir a resposta correspondente.

Gstudio – stock.adobe.com
Antes de embarcar em uma viagem ao entendimento dessa evolução humana, deve-se conhecer melhor o conceito, que, segundo a Enciclopédia Britânica, “É a habilidade de se adaptar efetivamente ao ambiente, seja fazendo uma mudança em nós mesmos, ou mudando o ambiente, ou achando um novo ambiente”. Essa é uma definição inteligente porque incorpora aprendizado (uma mudança em nós mesmos), manufatura e abrigo (mudança do ambiente) e migração (encontrando um novo ambiente). De modo a nos adaptar efetivamente, o cérebro deve usar todas essas funções. Portanto, “Inteligência não é um processo mental único, mas, sim, uma combinação de muitos processos mentais dirigidos à adaptação efetiva do ambiente”.
É importante destacar que as estruturas biopsicológicas da inteligência estão diretamente envolvidas com a emoção, pois se interligam por meio do estado emocional do indivíduo.
Durante muitos anos, o estudo das emoções não foi pauta da ciência. A presença do tema Emoções era comum entre músicos, poetas, cineastas, pintores, enfim… todos os profissionais que vivem de perceber e retratar a realidade para um público que ansiava conhecer e sentir emoção ao se reconhecer como parte desse todo.
Apesar de a emoção não ter sido o foco de estudo durante muitos anos, é por meio dela que as relações humanas se estabelecem e são amplamente construídas, afinal o que distingue o Homem da máquina é a emoção.
A Autora
Marta Relvas é membro da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento. Docente da Universidade Candido Mendes/AVM Educacional e da Universidade Estácio de Sá. Docente colabora
dora da UFRJ/Ipub. Docente convidadado Instituto de Neurociências Aplicadas (INA). Publicou livros pela Wak e pela Editora Qualconsoante de Portugal
RELVAS, Marta. Cognição humana. Psi
que, São Paulo: Escala, ano 12, ed. 166,
p. 5, dez./jan. 2020.
