Edição 146
Socioemocional
AS TRÊS BASES DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Tiago Brunet


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Motivação
Sem inteligência emocional, não há motivação. Sem motivação, não é possível ir longe!
Defino motivação como o entusiasmo para ir adiante. Entusiasmo vem do grego, en + theos, que literalmente significa em Deus. No original, significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus. Hoje, pode ser entendido como um estado de grande arrebatamento e alegria. Seja com o significado original ou o atual, a verdade é que é indiscutível sua importância para a inteligência emocional.
Uma pessoa entusiasmada, motivada, está disposta a enfrentar desafios para alcançar seu objetivo, não se deixando abater por qualquer situação e transmitindo confiança aos demais ao seu redor. O entusiasmo pode, portanto, ser considerado um estado de espírito otimista. Variações repentinas de humor não são comuns a quem está motivado. Estar entusiasmado ou motivado equivale a ter uma conexão divina tão intensa que a realidade atual não determina seu humor ou a forma como se veem as coisas.

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Autocontrole
Quem não governa a si mesmo não pode governar mais nada. Sim, autocontrole não deve estar apenas no início de sua jornada para desenvolver inteligência emocional, deve virar uma das bases sólidas de sustentação para equilibrar todo o seu ser. Lembre-se:
todo pensamento gera um sentimento; todo sentimento gera um comportamento. Se você não domina seus pensamentos, eles determinarão seus sentimentos. Se não governa seus sentimentos, eles determinarão seus comportamentos. E, sem o domínio de seus
pensamentos, sentimentos e comportamentos, você se perderá no caminho. A falta de autocontrole é uma das piores consequências para quem não optou por desenvolver a inteligência emocional. Sem ela, você estará sujeito a agir de forma desenfreada, podendo prejudicar a si mesmo e a todas as pessoas à sua volta.

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Empatia
Eis um megaproblema social!
[…] atualmente, quase ninguém quer se colocar no lugar do outro. O problema é que o ser humano foi projetado pelo Criador para ser sociável, e sem empatia isso é impossível. Quando somos empáticos, mudamos o mundo.
No mínimo, o mundo das pessoas com quem interagimos. E, claro, o nosso mundo Certa vez, estava com minha esposa no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, pronto para embarcar para um fim de semana em Londres. Estávamos ansiosos, pois esperamos muito tempo por aquele descanso. Para passar o tempo, antes de embarcarmos, decidimos tomar um café. Sentamo-nos nas cadeiras disponíveis de um estabelecimento e fizemos sinal na esperança de sermos atendidos. Dez minutos se passaram e ninguém veio retirar nossos pedidos. Eu, então, levantei a mão ainda mais alto e perguntei a uma funcionária com um tom de voz firme:
— Ei, pode nos atender?
Ela veio em nossa direção com cara emburrada e perguntou:
— Quê?
Rimos para não chorar! Mas respiramos e fizemos nosso pedido.
Dez minutos se passaram e nada aconteceu. Outra vez me dirigi a atendente:
— Olá! Nosso voo vai sair logo!
Ela veio quase na sequência com a bandeja nas mãos trazendo os dois cafezinhos e praticamente jogou tudo em cima da mesa. Minha esposa, que é ultrapaciente e detesta conflitos, ficou vermelha de raiva e já estava preparando para ter uma grande reação quando a olhei nos olhos e disse:
— Amor, vamos praticar o que ensinamos?
— Como assim? — perguntou ela, pronta para tirar satisfações com a atendente.
— Estamos aqui para ter um lindo fim de semana de passeio e descanso. Aquela moça está atrás de um balcão de atendimento desde as cinco horas da manhã. Não sabemos se ela deixou um filho doente em casa ou o que pode estar acontecendo na vida dela. Sabemos que ela está com um problema sério, pois ninguém é capaz de ferir se não estiver ferido. Ela está ali atrás vendo pessoas passarem sorridentes e embarcarem para realizar sonhos. E talvez ela esteja se sentido presa onde está.
Eu me levantei e fui pedir a conta.
Depois que a funcionária disse o preço e eu separei o dinheiro, olhei bem nos olhos dela e agradeci. Ela, com espanto e até com ar de revolta, respondeu:
— Obrigada pelo quê? — falou com uma cara cheia de sarcasmo. Eu sorri e com delicadeza respondi:
— Obrigado, pois, mesmo em um dia claramente difícil, você ainda assim nos atendeu. Quero lhe dizer uma coisa: o que você está passando hoje é parte do seu caminho, não o seu destino. Vai passar!
Ela começou a chorar, e eu tive que sair, pois estava na hora do meu voo.
No avião, comentei com minha esposa:
— E se, em vez de sermos empáticos, tivéssemos reclamado, chamado o gerente, feito um escândalo? No mínimo, iríamos afundar ainda mais quem já estava mal.
Ter empatia, colocar-se na posição de uma pessoa, é respeitar o momento dela e enxergar suas dores, em prol de sua transformação. Somos capazes de mudar o mundo de uma pessoa — e o nosso também ao renunciar ao nosso direito de reclamar ou de ficar chateado.
BRUNET, Tiago. Emoções inteligentes:
governe sua vida emocional e assuma
o controle da sua existência. São Paulo:
Buzz, 2024.
