Edição 142
Como mãe, como educadora, como cidadã
Aviso: não suba no vaso!
Zeneide Silva
Outro dia, enquanto usava o banheiro fora de casa, meus olhos cruzaram com alguns avisos colados na parede: “Não suba no vaso sanitário”. Do outro lado: “Dê descarga”. Mais abaixo: “Não jogue papel dentro do vaso”. E ainda: “Feche a torneira após usá-la”, “Apague a luz ao sair”… só faltou um: “Lembre-se de respirar!”.
Fiquei ali, encarando aquela coleção de ordens, perguntando-me: “Quando foi que coisas tão óbvias precisaram ser ditas?”. Se existe aviso, é porque alguém já fez aquilo.
Esses avisos existem porque, por mais que a gente queira acreditar que certas coisas são óbvias, nem sempre todo mundo age com o bom senso que se espera. Eles surgem porque, em algum momento, alguém fez algo que não deveria; por isso, os lembretes diários de atitudes que deveriam ser automáticas, mas que, sem aviso, correm o risco de serem esquecidas.
Lembretes que nos guiam
Embora pareçam triviais, os lembretes são uma prova de como a convivência social se transformou em um grande manual de sobrevivência. Não basta confiar no bom senso, ele, às vezes, passa correndo. E é por isso que precisamos desses alertas para nos orientar.
Além dos avisos no banheiro, há muitos outros no nosso cotidiano. Como: “Jogue o lixo na lixeira”. Mas isso não é óbvio? Ou aquela sugestão básica — “Não fale alto” — que encontramos em bibliotecas ou salas de espera. Até as placas de trânsito, como “Respeite o semáforo” ou “Proibido estacionar na frente da garagem”, estão aí para nos lembrar do que é certo.
Talvez um dia a gente evolua a ponto de entrar no banheiro, lavar as mãos, dar descarga, fechar a torneira, sair e apagar a luz sem uma coleção de placas nos guiando ao óbvio. Até lá, seguimos convivendo com elas, que, no fundo, são pequenas aulas diárias de civilidade.
