Edição 147

IAprendizagem

CADA ESTUDANTE É ÚNICO:

O PAPEL DA IA NA INCLUSÃO E NO APRENDIZADO

 

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Isadora Bandeira de Melo Altoé
Mariana Vieira de Araújo

Introdução

A diversidade sempre esteve presente no ambiente escolar, ainda que nem sempre tenha sido plenamente reconhecida ou contemplada pelas práticas pedagógicas de maneira adequada.
Nesse sentido, é notório que estudantes com diferentes formas de aprender, de se comunicar, de interagir e de perceber o mundo fazem parte da realidade das escolas e desafiam, diariamente, os educadores a repensarem suas metodologias, estratégias e concepções de ensino.
Reconhecer que cada estudante é único implica compreender que os processos de aprendizagem não seguem um padrão linear. Vygotsky (1991) já destacava que o desenvolvimento ocorre de maneira singular e é mediado pelas interações sociais.
Dessa forma, reforça-se a importância de práticas pedagógicas que considerem o contexto e as potencialidades de cada sujeito. Para estudantes atípicos, essa mediação precisa ser ainda mais intencional e direcionada, respeitando tempos, linguagens e modos de expressão diversos.
Mantoan (2003) defende que inclusão não é adaptar o estudante à escola, mas transformar a escola para que ela acolha todos os estudantes. Essa perspectiva exige um olhar atento para as diferenças e para a construção de ambientes de aprendizagem flexíveis e diversos.
Apesar de ser algo desafiador, com o avanço das tecnologias digitais, especialmente da inteligência artificial (IA), novas possibilidades se abrem para tornar esse ideal mais concreto no cotidiano escolar, transformando não só as ferramentas de acessibilidade, como também a maneira de pensar dos profissionais da educação.
Pensando nisso, abordaremos soluções tecnológicas e formas de estruturar aulas e dinâmicas que podem oferecer mudanças significativas no processo de ensino-aprendizagem de estudantes atípicos e oportunizar a consolidação de um trabalho inclusivo.

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IA, acessibilidade e inclusão: contribuições práticas

A inteligência artificial surge como uma ferramenta capaz de auxiliar na personalização do ensino. O ChatGPT, aplicativo de IA amplamente conhecido, pode ser um recurso de fácil acesso e que, quando bem direcionado, permite que o docente adapte atividades, personalize enunciados e, até mesmo, encontre suporte pedagógico sobre quais objetivos de aprendizagem devem ser esperados por cada criança. Além dele, há outras plataformas educacionais inteligentes que podem analisar o desempenho dos estudantes e sugerir atividades ajustadas ao nível de compreensão, ritmo e estilo de aprendizagem. Essa personalização contribui para que o estudante não seja constantemente confrontado com frustrações, mas, sim, incentivado a avançar a partir de suas próprias possibilidades.
É importante ter em mente que a inclusão escolar não se limita apenas à permissão da matrícula do estudante, mas envolve garantir acesso, participação e aprendizagem significativa (Brasil, 2015). Para estudantes atípicos, as barreiras pedagógicas e comunicacionais ainda são recorrentes. Nesse sentido, recursos tecnológicos baseados em IA podem atuar como importantes mediadores.

[…] inclusão não é adaptar o estudante à escola, mas transformar a escola para que ela acolha todos os estudantes

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Alguns exemplos práticos de aplicativos e ferramentas* que podem ser utilizados no contexto educacional inclusivo:

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Duolingo
O Duolingo pode ser utilizado como uma importante ferramenta de inteligência artificial para promover a acessibilidade na escola, especialmente no trabalho com estudantes atípicos.
Por meio de recursos adaptativos, o aplicativo ajusta o nível de dificuldade, o ritmo das atividades e o tipo de estímulo conforme o desempenho por estudante, respeitando diferentes for mas de aprender. O uso de imagens, áudios, repetição espaçada e feedback imediato favorece a compreensão e a autonomia de estudantes com TEA, TDAH, dislexia e outras necessidades educacionais específicas, tornando o processo de aprendizagem mais inclusivo, motivador e personalizado.

PicTalk
Aplicativo de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) que auxilia crianças no desenvolvimento da comunicação funcional, muito utilizado com estudantes dentro do espectro autista.
Por meio de pictogramas (imagens/símbolos), é possível formar frases e se expressar com voz sintetizada. Com ele, o estudante pode criar diálogos personalizados com palavras e imagens, escolher vozes e sotaques. Ele também pode auxiliar na redução de frustrações e crises, porque possibilita ao estudante uma forma clara de se fazer entender.

Seeing IA
Ferramenta de inteligência artificial que contribui significativamente para a acessibilidade na escola, principalmente no atendimento a estudantes atípicos, proporcionando que aqueles com deficiência visual participem. A partir do uso
da câmera do celular, o aplicativo descreve imagens, lê textos impressos e digitais, reconhece rostos, cores e objetos, promovendo maior autonomia. Esse recurso possibilita que os estudantes acessem materiais didáticos, identifiquem espaços e participem de atividades pedagógicas com mais independência. Seu uso favorece, de forma direta, a inclusão, a equidade e o respeito às diferentes necessidades de aprendizagem.

Essas ferramentas não substituem o trabalho pedagógico, mas ampliam as possibilidades de intervenção, tornando o planejamento mais responsivo às necessidades reais dos estudantes. É importante dizer que algumas dessas soluções oferecem tanto recursos gratuitos quanto pagos. Porém, em muitos casos, é possível usar de maneira satisfatória sem custos.
* A revista Construir Notícias não tem parceria com as ferramentas e os aplicativos apresentados. Os exemplos têm apenas um fim educativo.

A inteligência artificial pode oferecer dados, relatórios e sugestões, mas cabe ao professor interpretar essas informações à luz de sua prática e do contexto social do estudante.

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Considerações finais:
o papel do educador diante da tecnologia
A mensagem que reafirmamos é de que, apesar dos avanços tecnológicos, o papel do educador permanece central no processo de inclusão. Freire (1996) enfatiza que ensinar exige sensibilidade, escuta e compromisso ético com o educando. A inteligência artificial pode oferecer dados, relatórios e sugestões, mas cabe ao professor interpretar essas informações à luz de sua prática e do contexto social do estudante.
Assim como o planejamento pedagógico contemporâneo é entendido como um processo dinâmico, que envolve prever, refletir, ajustar e decidir, o uso da IA na educação inclusiva também exige reflexão constante. A tecnologia deve estar a serviço da pedagogia, e não o contrário. Quando utilizada de forma crítica, ela fortalece a autonomia docente e contribui para práticas mais equitativas.
Ao reconhecer que cada estudante é único, a escola reafirma seu compro misso com uma educação inclusiva e humanizada. A inteligência artificial, integrada de maneira ética e consciente, pode contribuir significativamente para a personalização do aprendizado e para a redução de barreiras enfrenta das por crianças atípicas. Mais do que inovação tecnológica, trata-se de uma mudança de olhar: um movimento em direção a uma escola que acolhe, respeita e aprende com as diferenças.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei no 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 7 jul. 2015.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér.Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
VYGOTSKY, Lev Semionovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

OS AUTORES

Isadora Bandeira de Melo Altoé atua como assessora de editoria digital no Grupo Editorial Construir e é licenciada em Letras (Português) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Mariana Vieira de Araújo atua como assessora de editoria digital no Grupo Editorial Construir e é licencianda em Letras (Português) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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