Edição 143

Como mãe, como educadora, como cidadã

Descubra o que é realmente essencial em sua vida

Zeneide Silva

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Em uma das minhas visitas ao meu geriatra, Dr. Marcelo Cabral, ele me falou assim: Zeneide, leia o livro Essencialismo: a disciplinada busca por menos, de Greg McKeown, que está na lista de mais vendidos do The New York Times. Ele traz diagramas simples, frases destacadas e tem um texto leve com capítulos curtos de fácil leitura. E nos mostra como conviver e como liderar de forma extensionista.

Durante a consulta, conversamos sobre a vida, o que devemos fazer para ter uma velhice tranquila, o que é realmente essencial e a importância de dizer não sem culpa. Confesso que tenho muita dificuldade de dizer não, algumas vezes é como se me culpasse por ter vencido e fico querendo ser responsável por tudo e por todos. Fiquei curiosa e fui comprar logo o livro.

Na edição nº 142 da Construir Notícias (maio e junho), fiz dele a indicação para o Livro da vez, acredito que você gostou como eu.

Nesse livro, Greg McKeown mostra que o essencialista não faz mais coisas em menos tempo — ele faz apenas as coisas certas, equilibrando trabalho e vida pessoal, eliminando o que não é essencial e se livrando de desperdícios de tempo. Devemos aprender a reduzir, simplificar e manter o foco em nossos objetivos. Ainda estou tentando, mas vou conseguir.

Comecei a refletir sobre o que é realmente essencial. Está sendo difícil encarar esta mudança em minha rotina, mas vou conseguir.

Essencialismo é um daqueles livros que mexem com a forma como encaramos a vida, principalmente se somos daquele tipo de pessoa que se sente constantemente sobrecarregada por obrigações e atividades. Eu me vejo assim. Mas vou conseguir mudar.

Depois de ler, achei que ele trouxe um alívio quase imediato, porque dá permissão para simplificar e priorizar algo que muitos de nós ouvimos, mas raramente colocamos em prática.

É muito interessante como o autor nos leva a pensar sobre a pessoa se dar o direito de focar naquilo que, realmente, faz sentido. Na minha opinião, o livro vai muito além de teorias motivacionais, ele traz, de alguma forma, uma abordagem para tentar eliminar o que não agrega e resgatar o controle sobre em que investimos nosso tempo e nossa energia.

Devemos aprender a reduzir, simplificar
e manter o foco em nossos objetivos.

Deixo aqui alguns trechos do livro para que você sinta o desejo de tê-lo como senti ao conversar com o Dr. Marcelo Cabral.

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O essencialismo não trata de fazer mais; trata de fazer as coisas certas. Também não é fazer menos só por fazer menos. É investir tempo e energia da forma mais sábia possível para dar sua contribuição máxima fazendo apenas o essencial.

O caminho do essencialista rejeita a ideia de que se pode fazer tudo. Em vez disso, exige pesar bem as opções e tomar decisões difíceis. Em muitos casos, possibilita tomar decisões únicas que resolvem mil decisões futuras para, assim, não se exaurir fazendo as mesmas perguntas várias vezes.

Depois de refletir a respeito, aprendi esta importante lição: se não estabelecermos prioridades, alguém fará isso por nós.

Quando temos sucesso, conquistamos a fama de ser a pessoa que resolve. Somos vistos como alguém que está sempre a postos quando necessário, e, a cada vez, apresentam-nos mais opções e oportunidades.

O aumento de opções e oportunidades, o que, na verdade, significa mais exigências sobre nosso tempo e nossa energia, leva à dispersão do esforço. Quando isso acontece, ficamos muito sobrecarregados.

A ideia de que podemos ter e fazer tudo não é nova. Esse mito tem sido pregado há tanto tempo que acredito que praticamente todo mundo que está vivo hoje foi contaminado por ele. Ele é vendido na publicidade, defendido nas empresas e incorporado a descrições de cargos que mostram listas imensas de habilidades exigidas.

O essencialismo não é um modo de fazer mais uma coisa: é um modo diferente de fazer tudo. É uma maneira de pensar. Mas internalizar isso não é simples, porque determinadas ideias e aqueles que pregam essas ideias nos puxam constantemente para a lógica do não essencialismo.

Termino com A mentalidade básica do essencialista, retirada do livro.

Existem três realidades sem as quais o pensamento essencialista não seria pertinente nem possível. Há um capítulo dedicado a cada uma delas.

1. Escolha individual: podemos escolher em que aplicar nosso tempo e nossa energia. Se as escolhas não são feitas, não faz sentido falar em abrir mão de alguma coisa em troca de outra.

2. A prevalência do ruído: quase tudo é ruído, pouquíssimas coisas têm valor excepcional. Essa é a justificativa para investir tempo em descobrir o que é mais importante. Como algumas coisas são importantíssimas, vale a pena o esforço de distingui-las.

3. A realidade de perder para ganhar: não podemos ter tudo nem fazer tudo. Se pudéssemos, não haveria razão para avaliar e eliminar opções. Assim que aceitamos que é preciso abrir mão de algo, paramos de indagar “Como conseguir fazer com que tudo dê certo?” e passamos a fazer a pergunta mais significativa: “Que problema quero resolver?”. Somente quando compreendermos essas realidades poderemos começar a pensar como um essencialista.

Gostei muito de ter lido o livro; realmente, fez todo o sentido na minha cabeça, tudo que ele falou foram coisas que me fizeram mudar minha maneira de ver a vida.

O livro ainda inclui o conteúdo extra Desafio 21 dias de essencialismo. E você pode ainda baixá-lo em PDF no seu computador.

Boa leitura!
Feliz mudança!
Feliz descoberta do que é essencial para você.

cubos