Edição 139
Fique por dentro
Dia da consciência negra
Em 20 novembro, é comemorado o Dia da Consciência Negra. Por meio dele, lembramos o assassinato de Zumbi dos Palmares pelo exército colonial. Os quilombos eram espaços de liberdade onde negros, indígenas e brancos pobres conviviam cultivando a terra e se organizando em comunidades.
Sabemos que os senhores de engenho subjugavam os escravos usando a violência. Os quilombos surgiram no Brasil inteiro, no tempo da escravidão, pois eram formados principalmente por escravos que haviam conseguido fugir de seus patrões. Alguns quilombos tiveram grande destaque, como o Quilombo do Ambrósio, em Minas Gerais, que chegou a ter mais de 10 mil habitantes. Quando foi destruído, no mesmo local, foi erguido o Quilombo de Campo Grande, maior que o do Ambrósio. O Quilombo dos Palmares resistiu 100 anos! A origem do Quilombo dos Palmares é anterior a 1600: no local, havia 11 povoações conhecidas. Cada povoação tinha um chefe escolhido por sua força, inteligência e habilidade. Havia leis rigorosas, com penas para roubo, adultério, homicídio, etc. O que os unia era o fato de que todos lutavam pela liberdade.
A região do Palmares recebeu esse nome porque tinha grande quantidade de palmeiras e mata fechada, repleta de animais perigosos. Era formada de serras e precipícios. De acordo com documentos da época, Palmares era um verdadeiro Estado Negro. Os ataques e as perseguições eram muitas, porém todas as expedições dos colonizadores fracassavam: basta lembrar que, de 1670 a 1680, os portugueses fizeram 25 ataques aos quilombos palmarinos.
Domingos Jorge Velho, o bandeirante, juntou 5 mil homens e mais 6 canhões. Houve um grande combate. Em 1695, na mata, Zumbi, chefe palmarino, tentou reorganizar o exército. Foi visto em Penedo (AL) chefiando um grupo em busca de armas e munições. Havia vários grupos de negros armados no mato, um deles era chefiado por Antônio Soares, capturado pelos bandeirantes paulistas. Os paulistas atacaram, e os negros não se renderam e preferiram morrer. Em 20 de novembro de 1695, morre Zumbi. Sua cabeça foi cortada e exposta em praça pública; no Recife, vários palmarinos foram para a Paraíba, onde, com outros negros e indígenas, fundaram o Quilombo Cumbe, que era muito combativo e sobreviveu até 1731. As terras do Palmares foram divididas entre senhores de engenho.
Em 1986, atendendo às reivindicações da comunidade negra, as terras onde existiu o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, foram tombadas pelo Governo Federal. No local, foi criado o Memorial de Zumbi, onde, todos os anos no dia 20 de novembro, realizam-se atos públicos e celebrações. Nesse dia, lembrando o sacrifício heroico de Zumbi, levam-se em consideração a situação vivida pelo povo negro e a necessidade de os afrodescendentes se unirem e lutarem em defesa de seus direitos de plena cidadania.
Texto extraído da Revista O Mensageiro de Santo Antônio, novembro/2005.
