Edição 142

Editorial

Editorial

Prezado educador,
Prezada educadora

Agora é lei!

Foi assim, com essa frase, que começamos a organizar a pauta da Construir Notícias nº 142, maio e junho de 2025, e percebemos também que estaríamos concluindo o primeiro semestre do ano letivo.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei nº 15.100/2025, que proíbe os alunos de usarem telefone celular e outros aparelhos eletrônicos portáteis em escolas públicas e particulares, inclusive no recreio e nos intervalos entre as aulas.

Conversando com alguns docentes — e todos concordavam sobre a importância dessa proibição —, a um certo momento uma das professoras disse: “Estávamos perdendo nossos alunos para os celulares, até o nosso próprio interesse em enriquecer nossas aulas. Por alguns minutos, ficamos em silêncio refletindo sobre o perder e a falta de interesse por parte dos professores.“

Voltamos à nossa conversa e argumentamos. Argumentamos a favor da proibição, destacamos os benefícios de restringir o uso de celulares: mais atenção dos alunos, melhoria no desempenho e criação de um ambiente mais focado e propício ao aprendizado. Quando os celulares são proibidos, os estudantes tendem a se concentrar melhor nas aulas, reduzindo as distrações e aumentando a atenção às atividades propostas pelo professor. Além disso, essa medida ajuda a promover uma interação mais direta entre colegas e professores, fortalecendo o relacionamento e o clima de respeito na sala de aula. Também contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais e de concentração, essenciais para o crescimento acadêmico e pessoal dos estudantes. Então, essa proibição é uma forma de garantir que o tempo na escola seja mais produtivo e que os alunos aproveitem ao máximo as oportunidades de aprendizagem.

Falamos também sobre como são preocupantes os efeitos do uso prolongado de telas, ainda que não sejam inteiramente conhecidos. Mas podemos observar alguns deles em adolescentes, como dificuldade em dormir, mau desempenho escolar, danos cerebrais a longo prazo, obesidade, dificuldade de relacionamento, entre muitos outros.

Depois, argumentamos contra a proibição e apresentamos também os pontos de vista contrários, como a possibilidade de os celulares serem utilizados como ferramentas educativas ou a necessidade de ensinar os estudantes a usarem a tecnologia de forma responsável.

Finalizamos reforçando a importância de encontrar um equilíbrio por parte da família, da escola e da sociedade, talvez com regras que permitam o uso consciente dos celulares ou a implementação de atividades que integrem a tecnologia de forma positiva.

Portanto, precisamos estar juntos e dispostos a auxiliar as famílias e as próprias crianças, organizando debates sobre o tema, indicando sugestões de leitura, convidando especialistas sobre o assunto e, até mesmo, apresentando atividades para os pais realizarem com os filhos.

Gostaria de falar da edição nº 132 da revista Construir Notícias, quando indicamos um livro de grande importância para esse tema: A fábrica de cretinos digitais: os perigos das telas para nossas crianças, do neurocientista Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, que propõe a primeira síntese de vários estudos que confirmam os perigos reais das telas e nos alerta para as graves consequências de continuarmos a promover, sem senso crítico, o uso dessas tecnologias.

Esse livro faz um alerta ao demonstrar, por meio de estudos conduzidos em todo o mundo, como estamos colocando em risco o futuro e o desenvolvimento de nossos filhos.

Por que os grandes gurus do Vale do Silício proíbem seus filhos de usar telas? Você sabia que nunca na história da humanidade houve um declínio tão acentuado nas habilidades cognitivas? Você sabia que apenas trinta minutos por dia na frente de uma tela são suficientes para que o desenvolvimento intelectual da criança comece a ser afetado?

Termino este editorial com a esperança de que o tema da Lei nº 15.100/2025 nos ajude a criar novas estratégias de mudanças em prol de nossos estudantes e filhos.

Gratidão
Grande abraço,

Zeneide Silva
(@profzeneidesilva)

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