Edição 126

Como mãe, como educadora, como cidadã

Feminicídio— a realidade brasileira. O que está acontecendo conosco, mulheres?

Zeneide Silva

Mulher, mulher,
na escola em que você foi ensinada,
jamais tirei um 10.
Sou forte, mas não chego aos seus pés.
Mulher, mulher.
Mulher, mulher.
Mulher, Erasmo Carlos

126-como-maeÉ lamentável e muito triste tantos feminicídios acontecendo em nosso país. O noticiário diariamente apresenta novos casos, cada um mais violento que o outro. Tantas famílias destruídas, tantos filhos órfãos, tantos sofrimentos por tantas mulheres.

Acredito que tudo isso venha dos desajustes familiares. Filhos desobedientes, autoritários, possessivos, imediatistas, que, algumas ou muitas vezes, presenciam cenas de violência dentro de casa e começam a reproduzi-las na escola, na sociedade, com os amigos e, futuramente, com a pessoa que jurou amar, por ciúmes, por achar que é dono dessa pessoa e, principalmente, por nunca ter aceitado um não como resposta.

Como educadores, temos que trabalhar esse tema com nossos alunos e a cada instante lembrar o verso de uma música que diz “Em mulher não se bate nem com uma flor”. Também não devemos ofendê-la com gestos e palavras.

A escola é um espaço para discutir todo tipo de preconceito e violência justamente porque é lá que formamos os cidadãos. Somos educadores para formar cidadãos e cidadãs.

E o que é feminicídio?

Feminicídio é o termo que foi proposto inicialmente na década de 1970 pela pesquisadora e ativista Diana E. H. Russel para diferenciar o assassinato de mulheres do termo neutro homicídio. Posteriormente, na década de 1990, Marcela Lagarde trouxe o termo feminicídio com a definição de morte de mulheres por questão de gênero, a morte de mulheres por serem mulheres. No Brasil, o feminicídio é tipificado pela Lei nº 13.140, de 2015, que atribui a esse crime, no art. 121 do Código Penal, uma pena nova. A pena do homicídio parte de seis anos, e a do feminicídio vai de 12 a 30 anos. A própria lei do feminicídio traz uma interpretação autônoma do que seria a condição de sexo feminino no contexto da violência familiar e da violência doméstica ou então em decorrência da discriminação e do menosprezo pela mulher em sua condição de ser mulher. Daí o feminicídio ser considerado um crime de ódio.

Como trabalhar o tema feminicídio na escola?

126-como-mae-1Deve-se propor à gestão escolar que inicie um projeto, da Educação Infantil ao Ensino Médio, envolvendo também todos os que fazem parte do ambiente escolar, incluindo as famílias, sobre o feminicídio ou sobre algum caso de violência dentro da própria escola em que uma aluna/mulher não teve seus direitos respeitados. A violência contra a mulher deve ser discutida em seus vários aspectos, pois a luta contra o preconceito, os estereótipos de gênero e o tratamento agressivo também é vivenciada no espaço escolar. Mais do que um lugar onde se transmitem conteúdos, a escola deve oferecer aos alunos as bases para o pleno exercício da cidadania e dos seus direitos e deveres. Dialogar, realizar ações culturais e mobilizar as comunidades escolares de forma continuada são algumas das atividades propostas para compreender essa problemática e contribuir para que todos possam atuar na promoção de vidas livres da violência. Sempre que possível, deve-se voltar a falar sobre o assunto e, quando surgir uma nova violência contra as mulheres, levar a discussão para as classes maiores por meio de debate, podendo até se criar um júri simulado.

É necessário conscientizar nossos alunos da prática da violência doméstica e familiar contra a mulher, valorizar a presença de todas as mulheres que fazem parte do convívio escolar e familiar e capacitar os educadores para desenvolver atividades no âmbito escolar com a finalidade de desconstruir a cultura de violência em desfavor do gênero feminino, a qual é historicamente arraigada no seio social.

A sala de aula é o espaço em que podemos, sim, diminuir a distância entre a desinformação e o conhecimento, o que ajuda na clarificação, no respeito e na transformação cultural necessária para que possamos construir uma comunidade melhor e, com isso, reduzir a violência contra as mulheres, respeitando e valorizando todo e qualquer ser humano, independentemente de seu gênero, contribuindo para diminuir a violência contra as mulheres e os índices de feminicídio do País.

Termino perguntando: vocês acreditam que abordar essas questões em sala de aula pode contribuir para uma sociedade menos violenta com as mulheres?

Eu acredito e peço a Deus que Ele ilumine nossa mente e nos permita, juntos, respeitar, valorizar e, principalmente, amar todas as mulheres.

VAMOS VENCER!!!

Grande abraço.

cubos