Edição 10
Matérias Especiais
Mitos e verdades
| Mitos
Filhos adotivos sempre têm problemas. Pais adotivos preferem não revelar a adoção para o filho. Filhos adotivos sempre pensam na família de origem e querem conhecê-la. Escolher a criança a ser adotada facilita o vínculo afetivo. A motivação para a adoção é sempre a infertilidade. A motivação para adoção é fundamental para o sucesso da adoção e adoções “por caridade” não dão certo. Somente pessoas ricas podem adotar. Pessoas mais esclarecidas são menos exigentes e têm menos preconceito. Os adotantes preferem bebês recém-nascidos. Adotar deve ser natural e não é preciso preparação especial. Atualmente as adoções são através do sistema legal. Atualmente ninguém mais discrimina os filhos adotivos. Filhos adotivos com a cor de pele diferente têm mais problemas em relação à discriminação. Pais com filhos biológicos e adotivos têm sentimento maior pelos biológicos. É melhor a criança adotada não saber de sua adoção. É melhor não falar muito do assunto com o filho adotivo para não potencializar a importância da origem. Adotantes que optaram pelo processo legal têm opinião positiva sobre os Juizados. Filhos adotivos têm dificuldade em amar seus pais adotivos. |
Verdades
O filho adotivo não tem dificuldades na escola, nem com a educação ou relacionamento afetivo. Os pais adotivos contam sobre a adoção, mas não gostam de falar sobre isso com mais freqüência com seu filho. O filho adotivo não quer ter muitas informações nem conhecer a família biológica, mas quer conversar com os pais adotivos sobre a adoção. A escolha da criança não determina maior ou menor qualidade no relacionamento afetivo. 63% dos adotantes adotaram por infertilidade e 37% alegaram motivações altruístas. A motivação (altruísmo ou infertilidade) não determina melhor relacionamento afetivo. Existem adotantes em todas as faixas econômicas, mas há predomínio de pessoas com melhor poder aquisitivo e melhor condição sócio-cultural. Adotantes de menor poder aquisitivo e nível sócio-cultural são os que mais fizeram adoções altruístas e apresentaram exigências menores em relação à criança. A proporção de pessoas das religiões espíritas e protestantes é mais alta entre os adotantes do que na população em geral. Sim, a maioria dos adotantes (71%) adotam bebês com até 3 meses e apresentam leve preferência por meninas de cor branca e saudáveis. Os adotantes e filhos adotivos afirmam que é fundamental ter uma preparação para a adoção. 52% das adoções são legais (feita nos Juizados) e 48% informais (registro da criança como filho biológico). Famílias por adoção sofrem discriminação e os filhos afirmam que ela vem quase sempre da extensão familiar e dos amigos, e não de estranhos. A cor da pele da criança adotada não traz maior discriminação ou tratamento preconceituoso. Pais e filhos biológicos afirmam que o tratamento é igual, mas os filhos adotivos dizem que, às vezes, os biológicos têm melhor tratamento. Um dos maiores problemas encontrados nas famílias foi quando houve ocorrência de revelação tardia (após os 6 anos) e/ou inadequada (feita por terceiros). Os pais devem sentir-se confortáveis ao falar da adoção com os filhos adotivos, pois estes dizem que o “diálogo” é um fato importante para o sucesso da relação. Tanto aqueles que fizeram adoções legais quanto informais têm uma imagem negativa dos serviços de adoção dos Juizados. 92,5% dos filhos adotivos afirmaram amar seus pais e os pais adotivos citam “ser afetivo” como o principal atributo em seus filhos adotivos. |
Lídia Natália Dobrianskyj Weber – mestre e doutora em Psicologia Experimental pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, pesquisadora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, especialista em Antropologia Filosófica e Origens Filosóficas e Científicas da Psicologia e professora no curso de graduação e pós-graduação em psicologia nas disciplinas Institucionalização, abandono e adoção, Análise do Comportamento e Desenvolvimento Infantil (lidiaw@uol.com.br)
