Edição 139
Em discussão
O gestor emocionalmente inteligente
Luiz Carlos Moreno
Desde Aristóteles (384–322 a.C.), a emoção é uma preocupação humana.
Por emoções, quero significar os desejos, a cólera, o medo, a temeridade, a inveja, a alegria, a amizade, a saudade, o ciúme, a emulação, a piedade e, de um modo geral, os sentimentos acompanhados de prazer ou sofrimento
(Aristóteles, Ética a Nicômaco).
A novidade é que essa preocupação extrapolou o mundo dos pensadores, estudiosos do espírito humano, e entrou nas discussões das empresas e das salas de aulas. Elencamos, a seguir, algumas percepções sobre comportamentos de gestores emocionalmente inteligentes.
Autoconsciência
• Conhece quais situações/eventos criam fortes reações emocionais para si. Entende como os sentimentos afetam seu desempenho.
• Expressa claramente como está se sentido.
• Reconhece a ligação entre seus sentimentos, pensamentos e comportamentos.
Autoavaliação
• Aprende com suas próprias experiências e com as de outros.
• Busca oportunidades para o autodesenvolvimento.
• Tem consciência de suas potencialidades e fraquezas.
Autoconfiança
• Confia em suas habilidades.
• Demonstra segurança quando toma decisões.
• Fala mesmo quando sua opinião é minoritária.
Credibilidade
• Cumpre compromissos feitos a si e aos outros.
• É honesto e seguro em suas interações com os outros.
• Estabelece credibilidade por meio de sua honestidade e consistência.
• Estabelece altos padrões para si.
Adaptação
• É capaz de prever múltiplas demandas.
• Altera as prioridades quando a situação requer mudanças.
• Lida eficazmente com as mudanças rápidas.
• Mantém a mente aberta, mesmo quando confrontado com opostos.
Realização e iniciativa
• Enfatiza os resultados e possui forte estimulação para alcançar os alvos estabelecidos.
• Estabelece desafios e se compromete com a realização.
• Reconhece necessidades e faz acontecer.
• Vai além do que é esperado.
Empatia
• Avalia os sentimentos e as necessidades dos outros.
• Demonstra sensibilidade em relação ao que os outros estão vivenciando.
• É hábil em ver as coisas do ponto de vista de uma outra pessoa.
• Tem ativo interesse a respeito dos outros.

Consciência organizacional
• Avalia o contexto da organização.
• Conecta-se com quem tem o potencial para implementar o sucesso.
• Sabe como fazer as coisas ocorrerem por meio dos canais informais quando os canais formais não funcionam.
• Entende as regras não escritas da organização.
Desenvolvimento
• Desenvolve os outros explicando as habilidades relevantes.
• Efetivamente, orienta e aconselha o outro.
• Fornece frequente feedback para que os outros sejam claros sobre seus desempenhos.
• Sugere melhorias para o desempenho dos outros.
Catalisador de mudança
• Fornece uma direção clara e demonstra confiança nos outros para obter a tarefa pronta.
• Inspira os outros a trabalharem em direção a um objetivo comum.
• Lidera como exemplo, deixando padrões claros para os outros.
• Suporta mudanças positivas e modela a mudança esperada pelos outros.
Comunica e influencia
Comunica seu ponto de vista e permanece aberto a outras opiniões.
Lida com os problemas diretamente.
Ouve atentamente e busca entendimento mútuo quando interage.
Tem sucesso em expor (vender) suas ideias.
Administra conflitos
• É hábil em acalmar os outros em situações estressantes.
• Exterioriza as discordâncias e facilita suas resoluções.
• Manipula pessoas e situações difíceis eficientemente.
• Soluciona conflitos contemplando as necessidades de todos os envolvidos.
Cria vínculos
• Estabelece relações afetivas, efetivas e de confiança.
• Mantém ampla rede de contatos.
• Reconhece os outros por suas contribuições e celebra os seus sucessos.
• Reconhece os seus erros e adota ações corretivas.
Equipe e colaboração
• Abertamente compartilha informações.
• Está aberto para as perspectivas dos outros e demonstra isso fazendo perguntas, ouvindo as respostas e explorando opções.
• Identifica e promove colaboração.
• Modela atributos positivos da equipe, como respeito mútuo, comunicação aberta e participação.
• Ação: quais as suas características? Quais você destaca como forças e/ou potencialidades? Quais você identifica como necessidades de desenvolvimento?
Luiz Carlos Moreno é pedagogo, especialista em Educação, professor e coordenador no Centro Universitário Barão de Mauá e consultor de Educação e Recursos Humanos.
E-maill: lcmoreno@uol.com.br
Gestão Educacional – julho/2010
