Edição 139

Projeto Didático

Parceiros do aprender

Público-alvo

Estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental – anos iniciais.

Objetivo geral

Desenvolver atividades que estimulem os estudantes a terem empatia e respeito, facilitando a aprendizagem de forma significativa no processo de alfabetização.

Objetivos específicos

• Construir relações de amizade entre os estudantes.
• Desenvolver competências tornando os estudantes autorresponsáveis.
• Manter relações sociais de qualidade.
• Cumprir metas.

Desenvolvimento/Metodologia

As intervenções realizadas com a turma foram executadas uma vez por semana, sempre às sextas-feiras, com a professora regente.

Todo trabalho desenvolvido foi criteriosamente pensado para ser exposto junto à turma. Para cada mascote apresentado, foram confeccionados materiais e recursos específicos na cor referente ao personagem da Oficina das Emoções, complementando com leituras-deleite de livros didáticos, o que facilitou a aprendizagem dos estudantes.

As dinâmicas para cada sentimento foram gradativamente feitas em rodas de conversa, com apresentações e culminâncias, buscando sempre fazer relação com os conteúdos estabelecidos pela BNCC.

Foram abordadas as seguintes etapas:

• Apresentação da Alegrina utilizando a caixa da Gratidão.
• Confecção de cartaz (Cantinho da Amizade).
• Apresentação da Trista utilizando a caixa O que me deixa triste.
• Apresentação do Raivito e da caixa do Proibido, culminando com o pote de Lixo e a confecção do Vaso da Gentileza.
• Apresentação do Medino e do livro Medo de quê?, culminando com a caixa Meu Medo.
• Apresentação do Nojito utilizando o Envelope do Nojo, culminando com o potinho Descobrindo o Segredo.
• Rodas de conversa para a produção coletiva da história envolvendo os cincos personagens tendo o professor como escriba para a confecção de livro didático da turma.

Materiais

• Caixas de sapato.
• Cartolinas Colorset.
• Fitas durex e decorativas.
• Palito de picolé.
• Garrafa PET.
• Lápis de cor.
• Tesoura.
• Cola.
• Papelão.

Avaliação

Durante as atividades desenvolvidas, as crianças foram avaliadas de acordo com a participação individual e coletiva nas intervenções de cada dinâmica, através do comportamento, e nas resoluções dos conflitos que foram surgindo, dia a dia, no ambiente escolar.

Considerações finais

Diante de tantas demandas a cumprir, impostas pela rotina do dia a dia, as questões emocionais, muitas vezes, são deixadas de lado. Com o avanço tecnológico e as novas informações e atribuições, acompanhar esse ritmo nem sempre é fácil. De acordo com Wallon (2023, p. 13), “A inteligência, instrumento de conhecimento, parte da ação e a ela retorna”; ele enfatiza a inteligência, porém, para a acomodação dos conceitos pedagógicos, o indivíduo precisa estar emocionalmente bem.

A escola, como sendo a segunda casa dos estudantes, e os profissionais que nela atuam sentem os conflitos gerados pelas situações adversas. Nas palavras de Antunes (2002, p. 17), “É na escola, muito mais que no âmbito familiar, que o império do egocentrismo precisa ceder espaço para a aceitação do outro”, por esta razão torna-se pertinente trabalhar as emoções para uma boa convivência. E as intervenções feitas no currículo escolar desde a Educação Infantil trará impactos positivos na aprendizagem das crianças no processo de alfabetização. Como diz Magda Soares (2022, p. 253), “[…] recepção de mensagem ao ler, produção de mensagem ao escrever, para, assim, ampliar a inserção dela no contexto social e cultural”, tudo isso acontece no chão da escola, onde as crianças passam boa parte da vida.

Por essa razão, o trabalho socioemocional atrelado aos conteúdos obrigatórios das disciplinas estabelecidas bela BNCC facilita a consolidação das aprendizagens. Isso foi comprovado através das vivências em cada etapa trabalhada durante as intervenções nas aulas ministradas, adaptando as atividades de acordo com as demandas trazidas pelas crianças, principalmente facilitando a compreensão da leitura e da escrita, que é o foco central do trabalho.

PRODUÇÃO LITERÁRIA FEITA PELAS CRIANÇAS

Pérola e Pedrinho no Mundo das Aventuras

Em um planeta diferente chamado Caçulita, viviam cinco amigos em uma caverna. Alegrina, que vivia pulando e sorrindo; Trista, que chorava o tempo todo; Raivito, sempre zangado; Medino, assustado; e Nojito, com nojo de tudo.

Pérola e Pedrinho estavam brincando de pique-esconde na floresta encantada. De repente, uma planta diferente de todas as que existiam ao redor, Meli, com suas raízes longas e suas folhas bem largas, pegou Pérola sem Pedrinho perceber e a escondeu dentro da terra.

Pedrinho, ao sentir falta de Pérola, ficou triste e saiu a procurar; ao ver de longe uma caverna diferente, teve medo de entrar. No mesmo instante, viu sair da caverna, toda feliz, Alegrina, com uma cesta cheia de docinhos. Ao ver Alegrina, Pedrinho logo perdeu o medo e pediu ajuda.

— Perdi minha irmã, não sei onde procurar.

Alegrina o convidou para entrar e disse:

— Venha, que vou apresentar meus amigos, eles também vão ajudar!

Ao irem para a caverna, Alegrina pegou a alavanca e digitou uma senha para poder entrar; de repente, a Trista apareceu assustando o Pedrinho com seu choro, junto com ela o Raivito e o Nojito. O Medino, escondido no armário, não quis aparecer. Com isso, Alegrina ofereceu a todos um chá delicioso com sabor de coragem e uma porção de chocolate.

Depois do chá, eles saíram da caverna e fizeram uma
longa caminhada. Pedrinho viu de longe um castelo, porém não sabia que era de uma Bruxa. Chegando perto, caíram em um buraco feito por ela, que, na mesma hora, perguntou:

— O que vocês querem aqui?

Pedrinho respondeu:

— Não queremos nada seu, estamos à procura de minha irmã.

Alegrina, saltitante, não tinha caído no buraco; vendo a Bruxa conversar com eles, de longe ela percebeu que não era malvada. Alegrina foi se chegando enquanto elas estavam conversando. A Bruxa também estava procurando Meli, sua plantinha de estimação. A Bruxa deu uma corda para Alegrina, que, no mesmo instante, jogou para tirá-los de lá, porém a corda partiu com o peso deles. A Trista, desesperada, acabou-se em choro, e, com suas lágrimas, foi enchendo o buraco, ajudando a sair nadando.

Os amigos e a Bruxa saíram a procurar, caminharam por toda a floresta. No meio da trilha, a Trista viu o colar de Pérola e, perto, umas pegadas ao redor; o Medino ouviu um barulhinho — TIC, TIC, TIC —, era Meli escondida com Pérola. A Bruxa reconheceu sua plantinha; Pérola e Meli, toda suja de poeira, tornaram-se grandes amigas, e, com isso, todos juntos fizeram uma grande festa.


Referências
ANTUNES, Celso. Vygotsky, quem diria?!: em minha sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2002.
SOARES, Magda. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e escrever. São Paulo: Contexto, 2022.
WALLON, Henri, 1879-1962. Do ato ao pensamento: ensaio de psicologia comparada. Petrópolis: Vozes, 2023.


Tereza Raquel da Silva é mãe de duas filhas, professora desde 2015. Atualmente, leciona com turmas do 1o ano do Ensino Fundamental na Escola Lar de Clara. Graduada em licenciatura de Pedagogia pela (UVA). Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela Fepam, Especialista em Alfabetização e Letramento pela Alpha e estudante de Neuropsicopedagogia Institucional e Clínica pela Alpha Recife/PE.
E-mail: terezaalegria@hotmail.com

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