Edição 121

Projeto Didático

Projeto o fantástico reino dos sonhos

Aluizio Moreira

Introdução

Diante de um problema sanitário mundial tão sério como a pandemia do novo coronavírus, as escolas e os professores tiveram de buscar formas para continuar com a linda missão de educar. Uma preocupação foi: como realizar atividades em grupo através da Internet? O projeto O Fantástico Reino dos Sonhos surgiu com o objetivo de incentivar a leitura e a produção de escrita colaborativa do gênero textual multimodal conto fantástico em ambiente virtual, quando os estudantes tiveram a possibilidade de construir os textos deles em grupo através da ferramenta Google Docs sem sair de casa.

A Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018, p. 71) aponta que a leitura “[...] compreende as práticas de linguagem que decorrem da interação ativa do leitor/ouvinte/espectador com os textos escritos, orais e multissemióticos e de sua interpretação”. O documento traz a reflexão no que concerne aos novos gêneros textuais, que vêm se tornando cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos, sugerindo novas formas de produzir e de interagir.menina_lendo_AdobeStock_290086226_svetabelaya_[Convertido]_3-01

Justificativa

Pretende-se, por meio deste projeto, não só promover uma atividade de leitura e de produção textual, mas também criar uma interação entre os discentes, mesmo que seja através da Internet.

A culminância do projeto foi reunir todos os contos fantásticos, produzidos em grupo de maneira colaborativa em ambiente virtual, e transformá-los em um e-book, que recebe o nome do projeto apresentado.

Objetivo Geral

Compreender a linguagem (verbal e não verbal) como forma de expressão e de comunicação, ampliando o repertório linguístico e semiótico, valorizando todo o processo de construção dos jovens escritores.

Público-alvo

Alunos do 7o ano do Ensino Fundamental.

Objetivos Específicos

• Despertar o prazer pela leitura de contos fantásticos.

• Desenvolver a imaginação e a criatividade dos estudantes.

• Produzir textos multimodais colaborativamente.

• Utilizar a ferramenta de edição de textos Google Docs.

Diante da modernidade, essa fase chamada de cultura digital faz com que não apenas novos gêneros surjam, como também novas formas de comunicação, tanto na escrita quanto na oralidade.

Fundamentação teórica

Os gêneros textuais são um ramo de estudo fértil na atualidade, principalmente no que concerne ao uso da linguagem, apresentando aspectos culturais e sociais. Como são variáveis, não se sabe ao certo a quantidade existente, pois, por se estruturarem a partir da sua esfera comunicativa e de suas necessidades distintas com a finalidade de haver um diálogo com o leitor/ouvinte, são constituídos de princípios sócio-históricos.

Diante da modernidade, essa fase chamada de cultura digital faz com que não apenas novos gêneros surjam, como também novas formas de comunicação, tanto na escrita quanto na oralidade.

A BNCC (2018, p. 68) cita que:criancas_lendo_livros_AdobeStock_288352040_svetabelaya_[Convertido]-02

[...] as práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de configurar, de disponibilizar, de replicar e de interagir.

Para Antunes (2017, p. 131), os gêneros são “textos materializados”, ou seja, são textos concretos, situados e datados.

Na década de 1990, diversas abordagens sócio-históricas começaram a ser desenvolvidas sobre a leitura, como pontua Kleiman (2004). Para os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a relação entre leitura e escrita não é mecânica, ou seja, significa dizer que nem sempre um indivíduo que lê muito será um bom escritor.

Koch e Elias (2018, p. 11) apontam que:

[...] a leitura é uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo (KOCH; ELIAS, 2018).

Para compreender qualquer texto, não basta ao leitor apenas apreender os significados literais das palavras, visto que compreender não significa apenas decodificar, baseando-se na língua como atividade. Ela abrange também a compreensão como inferência ou como um processo de construção baseado em uma atividade mais ampla e com base na interação social.

Metodologia

O desenvolvimento deste projeto surgiu da preocupação em fazer nossos estudantes interagirem no ambiente virtual utilizado pela Instituição (Google Meet) e em incentivar o processo leitor nos jovens alunos. Para a criação do e-book, foram utilizadas estratégias de leitura de contos fantásticos em aulas dialogadas, identificando as características do gênero textual para depois, em grupos, construírem seus próprios contos fantásticos.

Atividades

Iniciou-se o projeto apresentando um conto fantástico que consta no livro didático adotado pela Instituição: Projeto Contextualizando Saberes, da Editora Construir. Após a leitura, os alunos foram instigados a descobrirem as características desse gênero e a interpretarem o texto como um todo. Em seguida, os discentes realizaram as atividades propostas referentes ao conto fantástico em questão.

Em outro momento, foram apresentadas as características do gênero textual multimodal conto fantástico e, na ferramenta Google Docs, compartilhou-se o documento entre os grupos formados, para o início da produção escrita colaborativa do gênero proposto. Como o professor tem acesso aos documentos, foi possível acompanhar todo o processo de construção.

Culminância

O e-book O Fantástico Reino dos Sonhos foi divulgado em live através do canal do YouTube da Instituição para os alunos, as famílias e a comunidade escolar como um todo.

Considerações finais

Trabalhar a interação com os alunos em tempos de pandemia não tem sido fácil, entretanto os professores têm se reinventado e conhecido diversas ferramentas para interagir e integrar seus alunos às aulas. A BNCC (2018, p. 70) busca contemplar “[...] a cultura digital, diferentes linguagens e diferentes letramentos, desde aqueles basicamente lineares, com baixo nível de hipertextualidade, até aqueles que envolvem a hipermídia”. Tudo isso foi possível realizar neste projeto.

colégio santa maria – recife e cabo de santo agostinho/pernambuco

 

Referências
ANTUNES, Irandé. Textualidade: noções básicas e implicações pedagógicas. São Paulo: Parábola, 2017.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, v. 2. Brasília, Secretaria de Educação Fundamental, 1997.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/SEB, 2018.

KLEIMAN, Angela B. Abordagens da leitura. Scripta. Belo Horizonte, v. 7, n. 14, p. 13-22, 1o sem. 2004.

KOCH, Ingedore Villaça, ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3. ed. 13a reimpressão. São Paulo: Contexto, 2018.

Coordenador do projeto: Aluizio Moreira

Coordenadora da área de Linguagens:
Valdênia Barbosa

Coordenação pedagógica: Carolinne Didier e Priscila Lira

Coordenador-geral: Rodrigo Muniz

Gestores: Antônio Gouveia e Rosa Amélia Muniz

www.stamaria.com.br

stamaria@stamaria.com.br

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