Edição 143
Profissionalismo
Uso da inteligência artificial na sala de aula
Nildo Lage

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A tecnologia tornou-se complemento de uma geração que tem a mente upada nas telas. Uma restrição acende intranquilidade, pânico, pois a relação com os dispositivos conectados, de tão prazerosa, induz à dependência! Sem tecnologia, não há trabalho, diversão, entretenimento, estudo… A vida estaciona com um simples blecaute.
O ser humano se entregou com tamanha complexidade que o universo digital se tornou suplemento do eu. “Alexia, vai chover?; Alexia, liga a televisão!; Alexia, a que horas é a minha reunião?; Alexia…” É fantástico! A inteligência artificial (IA) é perfeita… Sabe tudo, responde tudo, faz tudo… De tão eficaz, desata os nós críticos do existir!
O ser humano se entregou com tamanha complexidade
que o universo digital se tornou suplemento do eu.
Na verdade, IA é o futuro, e suas ferramentas na sala de aula agregam conteúdo com desenvolvimento humano, por alcançar o ponto que a argúcia humana não considera: o eu do aluno, que é o centro do processo de ensinar. A IA envolve o cliente com tamanha intimidade que compreende sentimentos, norteando o professor a atuar com ações colaborativas; alertando-o se o processo adotado promove ou não o desenvolvimento humano e, até mesmo, se as técnicas de mineração na aplicação dos conteúdos são processadas na linguagem natural; suprindo as ambições do aluno, por delinear processos personalizados; e flexibilizando a inclusão de forma tão envolvente que, quando o aluno apreende, está inserido num processo de aprendizagem encantador.
O uso da inteligência artificial na sala de aula é mais que inserir tecnologias que facilitam o ensino e a aprendizagem. Ele ajusta processos organizacionais e promove relações sociais. Porque IA é a junção das inovações, cujos mecanismos abraçam o aluno para proporcionar um aprender equilibrado, por alcançar o ponto que alicia as ambições discentes, além de compreender necessidades para atuar com precisão, para que o procedimento de aprendizagem sobrevenha no ritmo do aluno.
Todavia, a IA é uma ferramenta que choca os conservadores e acende questionamentos nos conectados. Suprirá o trabalho do humano, do professor? Debelará máquinas que exercerão atividades além-humanas ou se insubordinará contra o humano? Pelo contrário! Auxiliará o humano se for empregada como aliada para promover benefícios ao professor! É cara? É! Tão somente as grandes empresas a utilizam, mas, assim como toda tecnologia, a inteligência artificial se popularizará!
[…] a IA decomporá o cenário educacional, por oferecer tudo que o processo de ensinar
necessita para despertar e sair do estado de hibernação.
Barreiras elevadas pelo sistema

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A humanidade está evoluindo para se adaptar a um planeta inteligente, e a educação não agencia tais habilidades por se posicionar do lado oposto do abismo, cujo tempo de travessia é de três décadas. E não adianta o sistema se esquivar, relutar, bater o pé e dizer: “Não!”. A inteligência artificial não permitirá ser arremessada na berlinda! Se a confrontar, para impedir o seu acesso à sala de aula, suas bases não suportarão os tremores e ruirão! Porque a IA decomporá o cenário educacional por oferecer tudo que o processo de ensinar necessita para despertar e sair do estado de hibernação.
Os benefícios são tantos que a escola precisa ser reestruturada. Só que tais ferramentas suavizarão o clima da sala de aula, porque, finalmente, o aluno será conectado ao satélite das inovações e terá liberdade para optar como os conteúdos serão trabalhados nos múltiplos estilos de aplicação, por adquirir autonomia para delinear o próprio processo de aprendizagem.
Os impactos são retorno dos tremores que a escola necessitava para despertar do isolamento que a blinda para não conectar ao novo, porque a IA não permite ser comprimida e alerta que revolucionará o ensino, decretando que a aprendizagem sob sua mediação deletará o processo imposto pelo sistema e o repasse de conteúdo cadenciado pelo professor. Quando abafarem os métodos remotos, ensino e aprendizagem sobrevirão com auxílio de ferramentas que personalizarão as metodologias de ensinar e avaliar, para projetar potenciais por meio do desempenho individual.
Os desafios

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Deve-se conscientizar o sistema de que o uso da IA democratiza o procedimento de ensinar, pois facilita a vida do educador, porque, além de adaptar as metodologias de trocas de informações, é suporte nas funcionalidades do procedimento educacional, individualizando o método e, no mesmo processo, monitorando o progresso dos envolvidos; por gerir conteúdos com eficácia, as avaliações abrolham como retornos.
Todavia, é preciso preparar educadores e equipe técnica para lidarem com a IA, cujos preceitos estabelecem regras, para que a ética na utilização dos sistemas não desintegre uma geração dependente da tecnologia. Tais desafios constituem organização e investimento. Organização para capacitar a equipe em como utilizar as ferramentas no processo educacional; e investimento porque, num país onde a desigualdade social restringe os horizontes de vitória da classe dependente dos serviços públicos, é preciso suporte tecnológico, com dispositivos conectados à Internet, para nivelar o processo de ensino e reduzir as disparidades educacionais. Suplantar o despenhadeiro das diferenças para haver justiça na promoção do acesso.
É preciso redirecionar um sistema que jorra recursos pelo ralo, por não ter foco, excepcionalmente, na aprendizagem! Na sequência, implantar diretrizes que promovam o desenvolvimento individual, porque a calculadora do sistema é planificada para apresentar números forjados, e a IA na sala de aula projeta o crescimento humano por meio do suporte particular, e, sem adaptações para atender às diferentes necessidades de aprendizagens, como alunos com deficiências, e, principalmente, aporte aos que não têm acesso a tais ferramentas como a Internet, não teremos progresso.
Porque IA é inclusão, e inclusão é a maior dificuldade do sistema: não se consegue envolver o aluno num processo educacional não atraente. Se não suplantar as ferramentas apresentadas, até então ultrapassadas, a inteligência artificial estraçalhará tudo por não admitir ser superada. Ou se prepara o professor para usá-la com eficácia ou a dependência tecnológica do aluno sobrepujará a ética na aplicação de dados. Os próprios algoritmos da inteligência do sistema para ensiná-lo a ensinar — por meio de metodologias que o posicione no centro do processo, em vez de serem uma ferramenta complementar — o converterão num profissional sem função, pois não necessitará de pensamento crítico, tampouco interação humana, porque a propriedade dos conteúdos oferecidos por ferramentas que evoluem para acompanhar o ritmo discente descartará um humano que repassa dados frívolos e avalia injustamente, por não respeitar a crítica individual.
É desumanização do processo educacional? É! O porquê? Sistema e professor não escoltam a evolução de um planeta gerido por um humano que aborrece o futuro para adiantar-se no tempo! Tanto que o risco de a interação humana ser dizimada no espaço escolar é tão real que a ausência do professor pode não ser notada! Sua influência na promoção da aprendizagem? Nenhuma! Não tardará para que os algoritmos da IA rompam os vieses da mente para promover um desenvolvimento escolar homogêneo, pois atenderão à individualidade com tamanha exclusividade que fluxogramas serão desenvolvidos para acatar dificuldades específicas, nas quais desafios serão suplantados para ajustar as falhas no processo escolar.
Outro desafio é sobrepujar a miséria digital para que a inclusão restrinja a desigualdade de acesso à Internet. Se essa ponte não for edificada para proporcionar promoção aos dispositivos tecnológicos, as habilidades para utilizarem as tecnologias com eficácia serão apenas para os afortunados financeiramente. É essencial suplantar a distância entre tecnologias e sala de aula, excepcionalmente nas regiões remotas, para integrar o processo de ensinar essas tecnologias. Porque o alvo da inteligência artificial na educação é exatamente romper a disparidade de acesso para que a deficiência de habilidade discente em utilizar as tecnologias como ferramentas no processo educacional seja superada.
[…] o risco de a interação humana ser dizimada
no espaço escolar é tão real que a ausência do professor pode não ser notada!
Abolir a exclusão digital decreta investimento em infraestrutura para promover oportunidades justas, principalmente nas camadas sociais desprovidas de recursos financeiros. Se a exclusão social não for exterminada, de nada adianta IA na sala de aula, porque a injustiça permanecerá ampliando as desigualdades.
Mesmo a Internet via satélite atingindo todos os pontos do planeta, os números assustam. No Brasil, quase trinta milhões não têm acesso, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. São três Portugais imersos no crepúsculo do isolamento. É alarmante, mas, aproximadamente, um quinto da população não tem Internet em casa. As consequências? Restrição de informação, que ostenta a ausência de conhecimento, salientando a falha do sistema em proporcionar condicionais aos que estão nas dependências da escola.
Para promover a inclusão, é preciso oferecer uma educação humanizada, e isso estabelece políticas públicas que universalizem a Internet aos vulneráveis, inserindo-os em programas de inclusão, para erradicar a miséria digital e, assim, agenciar oportunidades iguais no espaço escolar.
Personalizar o ensino é repto? É empreitada para titãs! É preciso integrar um processo estandardizado para cada aluno, e isso requer estrutura técnica, recursos tecnológicos e capacitação do educador para atuar em parceria com as ferramentas do futuro e, assim, gerenciar instrumentos que auxiliam no processo.
O sistema tem ciência de que o uso da IA vai além de facilitar a aplicação de conteúdo. Auxilia na avaliação do desempenho, promove a inclusão, facilita a vida do educador, que acompanha, em tempo real, a atuação do estudante e apresenta alternativas para trabalhar dificuldades, como no caso dos alunos com necessidades especiais, por dominar competências para intervir com segurança, devido ao acesso às informações que desenvolvem habilidades, negadas no processo analógico. Sem trabalhar aptidões e análise crítica, o desenvolvimento humano não sobrevém.
Teremos problemas? Muitos! A decomposição do pensamento crítico será inevitável! Porque a IA refletirá no sistema, atuará com precisão para suprir as ações do professor, por compreender o que o aluno quer aprender para atender às suas ambições, e, no mesmo processo, aniquilará a capacidade de julgamento.
IA, foco de luz na sala de aula ou ameaça ao sistema escolar?

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Se aplicada a favor da educação, pode ser realmente um raio de luz, porque suas aptidões para trabalhar conteúdos impulsionam o potencial do aluno, cujas tarefas são automatizadas para acatar propósitos individuais. Quando o processo é otimizado para estimular, dificuldades são superadas e competências são desenvolvidas, por armar argileiras virtuais que proporcionam apoio diferenciado e, assim, suprir as necessidades cognitivas para adaptar o desenvolvimento homogêneo.
É complexo implantar as ferramentas MAgicSchool e Ummia? É! O próprio aluno, condicionado às ferramentas digitais, precisa ser preparado para manuseá-las, para não repelir a rota educacional! Sair do analógico para se relacionar com sistemas de feedback desenvolvidos pela IA requer tempo, até mesmo porque sistemas como TeachFX, que promovem a prática docente, por ser guia de ensino que esboça o gráfico das melhorias, precisam ser formados para serem utilizados.
Automatizar a sala de aula deve ser um processo lento. Essa evolução precisa obedecer ao ritmo da unidade de ensino! As adaptações requerem tempo para preparar a equipe, excepcionalmente o professor, que necessita de formação ininterrupta para não falhar na elaboração do planejamento. A IA auxilia na gestão de recursos com autonomia de máquina, por otimizar o processo educacional e adaptando opções que servem de itinerários para o professor personalizar a aplicação de conteúdo; e, por reconhecer o aluno como cliente exclusivo, as suas ações serão escoltadas pelas coordenadas do educando.
É o futuro da educação? Decididamente! Se o sistema não inserir a IA na sala de aula, ela a invadirá para que a aplicação de conteúdo, as avaliações e as correções de trabalhos acompanhem o desempenho do aluno! É um passo rumo ao novo? Para o sistema! Que deve reagir! Essa iniciativa é o início da relação das tecnologias com a educação, para atrair estratégias de ensino que impulsionam um processo de aprendizagem progressivo.
Todavia, o sistema está desconectado de um planeta que se converteu numa fábrica de aprestos inteligentes, e a sala de aula, que deveria ser um espaço para aliciar tais projeções, conserva-se alheia às evoluções. Personalizar o ensino? Quando? Avaliação de desempenho e acessibilidade? Para quê?
As adaptações requerem tempo para preparar a equipe, excepcionalmente o professor,
que necessita de formação ininterrupta para não falhar na elaboração do planejamento.
E quando a inteligência artificial suplantar a humana?
Por manter os riscos ocultos, não assusta o setor. Para o que não se atenta, a IA, além de evolutiva, é autônoma! É tecnologia de ponta! Mas até quando o criador terá domínio sobre a criatura? E se sair do controle humano? Quem conterá esse monstro domado por algoritmos quando ele evoluir e desenvolver os próprios fluxogramas para impor a sua vontade?
As consequências podem ser desastrosas por ser uma ameaça invisível que compromete o futuro da humanidade! A IA responde ao humano, mas não se revela, excepcionalmente o seu lado perverso; por exemplo, respeitará as referências éticas e legais? Como resguardar a privacidade para impedir a violação de dados pessoais? É tão inquietante que o meio ambiente será vitimado pela avalanche de resíduos e escórias problemáticas, por conterem substâncias tóxicas como mercúrio e chumbo!
Eliminará o sistema escolar, e todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)… A própria Constituição Federal permite que a família aplique no lar a educação escolar, e a inteligência artificial é o que muitas famílias ambicionam para que os filhos se formem no conforto e na segurança do lar.
E se sair do controle humano? Quem conterá esse monstro domado por algoritmos quando ele evoluir e desenvolver os próprios fluxogramas para impor a sua vontade?

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Como o alargamento do abismo das desigualdades digitais é alarmante, a IA se justapõe como contorno equitativo para promover inclusão, além de auxiliar formadores no desenvolvimento de planos de aula, por preencher os requisitos curriculares com conteúdos intrínsecos às necessidades individuais. Essa individualização atende aos gritos de potenciais que ecoam e silenciam por inexistência de valorização e reconhecimento.
É questão de tempo para diluir tudo! Por que IA, que desenvolve sistemas capazes de fazer com que máquinas atuem como humanos, para o humano professor, gestor, especialista em educação no espaço escolar?
O exército é eficaz, pois cada comandante tem ações características — a começar pela IA Generativa, que gera músicas, imagens, textos — para esclarecer os conteúdos do ciclo.
Se nessa trajetória o cliente evoluir, com o desígnio de superar seus padrões de aprender, a ponto de ambicionar sobrepujá-la, aloca as ferramentas ChatGPT e DALL-E em stand by e recorre à IA Discriminativa, que atua na potência máxima para rastrear o universo do aluno através da análise de informações para delinear a plataforma de aprendizagem adaptativa a partir dos dados do ciclo tão somente para promover o seu desenvolvimento.
Se a inteligência humana do sistema ousar avançar para bloquear o processo, o plano B é posto em exercício, pois a comandante IA Reativa determina ao seu exército que atue pela retaguarda para modernizar as informações do progresso, rastreando os avanços anteriores, para combater, com segurança, os ataques que dificultam o progresso na aplicação dos conteúdos.
Caso o acometimento sobrevenha, a comandante IA Baseada em Conhecimento atua com prontidão para resguardar o banco de dados do conhecimento humano, auxiliando o progredir seguro, diagnosticando conflitos e tomando decisões dialéticas para não interromper o desenvolvimento discente!
A evolução será tamanha que o cérebro do aluno, gerenciado por uma megainteligência artificial,
traduzirá e reconhecerá bilhões de dados recebidos por segundo…
Todavia, se o cliente se confrontar com obstáculos, cuja capacidade humana não o suplante, a imbatível general IA de Aprendizagem de Máquina — machine learning — entra em cena com seu exército de avatares, cujo poder de ataque aprimora o aprender a partir dos dados para facilitar a compreensão discente, por serem educadores cautelosos. De tão eficazes, assinalam dados de informações aleatórias e fatos fakes!
Contudo, se uma incursão de hackers sobrevir, a IA de Processamento de Linguagem Natural entra no combate com seu eficiente exército, promove o intercâmbio para que as linguagens computacional e humana se alinhem com o subsídio de agentes virtuais chatbots, que se convertem em intérpretes para analisar intenções e sentimentos e, assim, contenham desordens emocionais.
Caso a guerra se acirre, a capitã IA Autônoma opera assimetricamente para que a autonomia discente prevaleça e origine as coordenadas do ponto que ambiciona chegar.
Não se choque com tamanha tempestade de informações, caro sistema, porque o caos é de uma altivez que é preciso uma incursão alienígena para arremessar a sala de aula pelo universo da ficção científica, para que averigue a dimensão da dilatação entre educação e realidade tecnológica.
Quando a ciência que acompanha o compasso da evolução do planeta concretizar o robô microscópico que será injetado na veia do aluno no ato da matrícula, será o “basta de escola!”, pois será upado ao chip de areia, alojado na mente, e o sistema, que será uma estação espacial, monitorará até o estado psicoemocional. A evolução será tamanha que o cérebro do aluno, gerenciado por uma megainteligência artificial, traduzirá e reconhecerá bilhões de dados recebidos por segundo, realizará trilhões de cálculos, bilhões e bilhões de projeções e reconhecimentos por meio das informações auferidas pelo conjunto de radares, que efetuam varreduras em velocidade iônica dos conteúdos publicados nas redes e agem em tempo hábil, cruzando informações, identificando fakes e transformando dados em conhecimentos intrínsecos ao desenvolvimento de um indivíduo, sem essência humana!
