Edição 137

Profissionalismo

Como lidar com a ansiedade em sala de aula?

Nildo Lage

Ansiedade? O que é realmente ansiedade? Essa nuvem tenebrosa que paira sorrateiramente no universo da mente, dispersando pontos sombrios que incitam arritmias cardíacas, medo e insegurança, por reter poderes de converter uma simples brisa num tsunâmi devastador? Sua eficácia origina sismos, que estremecem o íntimo, desequilibra o emocional e atormenta o psicológico, deixando todo o ser à mercê de suas influências.

De tão perspicaz, conserva a mente da vítima em constante estado de conflito, estimulando ataques de nervos consecutivos. Nos casos críticos, a irritabilidade abeira-se da agressividade, e, no instante seguinte, há lágrimas e soluços, pois o humor é inconstante. Nesse estágio, a angústia atua como vilã, defraudando a paz, desvirtuando a segurança, inserindo a instabilidade e, quando dá uma trégua — entre uma crise e outra —, deixando a expectativa que exprime receio e incerteza.

É loucura? Não! Mas deixa a cabeça em revulsão. É exatamente assim que funciona a mente da vítima, que se conserva em constante estado de alerta, como se um surto de nervos fosse explodir a cada cobrança, crítica ou contratempo, porque o estresse aborda o ápice com os primeiros pressentimentos de dor, que iça a impaciência. Reações essas que são consequência da cadência de pensamentos contraditórios que dominam a mente da vítima, a ponto de se autocriticar ininterruptamente, pois o receio de cometer desacertos é de uma altivez que se culpa pelo erro do outro ou pelos que poderia cometer.

Quando o transtorno converge para o emocional, torna-se mais difícil a vida, porque o medo é intensificado, e a constante apreensão promove a gravidade, impelindo o avanço para o psicológico; e, quando esse ponto é cingido pelos seus agentes, descontrola-se tudo, e até hábitos rotineiros, como banho, são interrompidos.

A partir desse tirocínio, a vítima se torna uma presa fácil e navega pela rota apontada pelos agentes nervosismo, problemas digestivos, falta de ar, taquicardia, medo, fome excessiva, respiração ofegante e irritação. Muitas, na estuação de superar as barreiras disseminadas pelo próprio eu, tropeçam, imergindo no abismo da depressão, arrastando mente e corpo para receberem os impactos dos distúrbios mentais, ativando o alarme, principalmente quando aqueles que as cercam principiam as cobranças; e cada exigência é um julgamento que intensifica a inquietação.

Como não poderia deixar de incidir, o coração precipita as batidas para seguir o compasso das crises que acendem tremores, tensão, angústia; como os batimentos cardíacos não amortizam o ritmo, se não houver acompanhamento clínico podem sobrevir outros males, como hipertensão arterial e arritmias.

A origem

Tudo se inicia com a ansiedade adaptativa. Sabe quando o instinto alerta ante problemas comuns, que só perduram naquele instante, como se expor em público, um simples exame em sala de aula e até subir numa árvore para colher aquela manga no quintal do vizinho? É isso! Tudo passa quando apoiamos os pés no chão!

O fato é que esses incômodos, com o passar do tempo, despertam emoções e más emoções, que provocam o encadeamento de “medinhos” que vão crescendo, conquistando território em pontos específicos do cérebro até ganharem coerência, principiarem o saque da atenção até acordarem outros medos, a ponto de deixar a mente em alerta para, logo depois, atormentá-la e instigá-la a criar suas trincheiras de defesa para se defender do imaginário.

Sorrateira, a ansiedade progride com estratégias precisas e, à medida que granjeia território, subdivide-se em tipos específicos, para que seu desenvolvimento prospere com a mesma argúcia que fisga uma vítima, bifurcando suas ações para que o paciente não tenha espaço para se esquivar.

Como seu processo é evolutivo, se não for identificado e refreado a tempo chega a transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Quando o temor impulsionado pelos pensamentos contraditórios acende medos irracionais, ele induz a vítima a comportamentos compulsivos, como gerar conflitos com quem a cerca, só porque aquele objeto não foi depositado na posição ou no lugar correto, pois seus agentes se encarregam de mantê-la em constante atenção no seu ambiente e, à medida que as manias se tornam automáticas, despertam outros medos, como o de bactérias, que intensificam ações protetivas, para ostentar psicoses, como manter tudo esterilizado ou milimetricamente aparelhado.

Como todo transtorno evolutivo, a próxima parada é o transtorno do pânico (TP), cujas características se exibem quando o estágio do TOC evolui, apresentando crises de ansiedade bruscas, com uma intensidade que pode acarretar mal-estar, por provocar desconfortos e até sensação de engasgo, vertigens e, se o indivíduo for contrariado ou desafiado, podendo chegar à instabilidade postural.

Como a mente principia a elevação das argileiras de defesa, a torturante confusão, provocada por um sentimento que é alimentado por preocupações e medo, esboça o conjunto de tribulações, que é o sinal de que a mente perdeu o controle do próprio pensar, pois os pensamentos antecedem tudo, até mesmo o próprio viver, com receio de ser ceifado no meio do caminho.

Quando o transtorno se generaliza, na maioria das vezes incitado por agentes ambientais, comportamentais e até fatores hereditários e genéticos, é sinal de que ele abordou o seu pico mais elevado; e é a partir desse estágio que as crises granjeiam amplitude máxima, interferindo em todas as ações da vítima, seja no campo pessoal e familiar, seja o profissional, e, assim como na síndrome do pânico e no transtorno obsessivo-compulsivo, nervosismo, agitação e percepção de conflito são constantes, o que implica dificuldades para se concentrar em atividades cotidianas, energizando a lassidão física devido à inquietação que aviva o sistema nervoso.

O nível de ansiedade generalizada é tão distinto que é possível abstraí-lo da própria ansiedade. O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) se individualiza por ser caracterizado pela inquietação exagerada, na maioria das vezes por perspectivas apreensivas que seguem no cotidiano do indivíduo, até que tais situações saem do controle, provocando vertigens, instabilidade, sensações de atordoamento, falta de ar e até desmaio. Ao passo que a ansiedade provoca reações circunstanciais de medo, expectativa e imprecisão, como a expectativa de alguém distante e até o período que antecede a uma entrevista de emprego.
Se a vítima for predisposta — alteração coronária —, o acúmulo de estresse, que provoca a exaustão mental e a fadiga física, pode induzir ao infarto e até a finais trágicos, como se enfastiar da própria vida de subterfúgios e subversões e se chegar ao suicídio.

De tão ardilosa, a ansiedade mobiliza o eu, o aprisionando no próprio existir. Pois as suas ferramentas — medo, insegurança e angústia — cingem a mente como muralhas intransponíveis, impossibilitando qualquer reação. De tão altivas, bloqueiam o próprio viver, instigando os pensamentos a tomarem uma forma degenerativa, convertendo-se em armas que ferem o coração e a alma, até alcançarem o alvo final: a rendição da vítima, que é acossada por um medo que a impele inclinar o olhar para contemplar o estado deplorável do espírito.

O poder do transtorno sobre a mente

É surpreendente o poder desse transtorno para desequilibrar. De tão capcioso, a vítima vive o amanhã num ontem que passa na velocidade dos próprios pensamentos, a ponto de esses instantes transcenderem a razão. Os medos, de tão reais, convertem-se em monstros que instigam a vítima a anteceder o próprio fim, pois a mente, em constante estado de excitação, cria e recria situações e é debelada pelos pensamentos depressivos; o íntimo entra numa convulsão intensa, cujas projeções visualizam a própria desgraça.

Como íntimo e mente permanecem upados, em meio às tentativas de superação e fracassos, muitos se entregam por não conseguirem se proteger dos ataques que partem do próprio eu. E como ser forte quando os acometimentos vêm do eu? Como conter os tremores da mente que prenuncia consecutivamente que tudo vai desmoronar? Estar além do ser, porque, nos casos extremos, a crise se energiza por uma angústia incitada pela ansiedade de quando a presente crise se dissipará.

É tanta instabilidade que a vítima se vê no chão antes mesmo de se levantar e ensaiar o primeiro passo. É como chorar uma dor que não sente, pois tem a certeza de que virá. Basta a mente desfechar uma corrente de pensamentos contraditórios que o íntimo estraçalha, e rui tudo. Há casos críticos em que a vítima chora a perda do que não tem e, assim, permite que a ansiedade aufira consistência para ceifar o que mais ambiciona o humano: ser feliz.

Esse antecipar da mente tortura alma e coração de uma forma tão homogênea que o maior desafio é lutar para se libertar de uma prisão em si mesma, e não encontrar uma rota de fuga. A angústia é tamanha que contrafaz o corpo e progride até o espírito, porque a vítima não consegue seguir uma realidade decretada pelos pensamentos, por avançar numa velocidade tão rápida que é preciso sofrer no ontem um amanhã que ameaça a própria existência.

O discorrer é tão acelerado que a necessidade de soluções instantâneas antecipa a infelicidade, porque o imaginário é de uma fertilidade que é capaz de aceitar a dor e prantear, sem sentir nada, procurar de forma desesperadora o que não perdeu e desistir de tudo, sem um gesto que possa estimular a derrota. Basta o peito palpitar pela inquietação que a incerteza grita: “Não vai dar certo!”. Porque, na vida do ansioso, “talvez” é a bússola que nunca indica uma direção a seguir.

Como tem medo de encarar o maior oponente — a mente —, essa arquiteta reproduz… multiplica os medos, triplica os fardos do futuro para atormentar um hoje que, para a vítima, é insuportável, por afetar o ponto mais vulnerável — o coração, que se nega a acreditar que tais flechadas são arremessadas pela mente.

É o momento da entrega. As batalhas de mim comigo abateram o fragilizado eu. A partir desse estágio, o cerco se fecha sincronicamente, e todas as setas são arremessadas contra o íntimo. Medo, desengano e insegurança se tornam advertências desfechadas num volume ensurdecedor, prenunciando as perdas emocionais que decorrerão para ceifar de vez todas as possibilidades de superação.

Nessa transição do processo de degeneração da esperança, a ansiedade vai ao pântano do desespero e desperta todos os monstros, salientando um passado que se converte numa intimidação eminente, transformando o presente numa realidade que intimida a ponto de o futuro se aproximar como arma para consumar todos os ultimatos, pois as crises são tão constantes que não dão tempo ao íntimo de se refazer da crise anterior, pois a hesitação mental não se interrompe, desfechando sinais de que tem que se preparar para receber os conflitos de um silêncio inquietante.

É como chorar uma dor que não sente,
pois tem a certeza de que virá.

O que transita no íntimo?

Como a mente já está infestada, com um elevar de olhos imagens são geradas com tamanha velocidade e clareza que vislumbram os horizontes se cerrarem e as hipóteses de vitória se restringirem, como se o passo seguinte fosse o tempo crucial para que os agentes da ansiedade se apossassem do que o humano tem como bem mais precioso: a alegria.

O íntimo entra em convulsão, porque a mente está cingida num nível altivo, e seus agentes delineiam coordenadas para que os movimentos da vítima convirjam para o mesmo lugar: o abismo. Porque o eu, aprisionado numa teia cruciante, não encontra respostas aos gritos de socorro do íntimo, cuja dor não cessa porque o centro operacional — a mente — não tem mais armas nem estratégias de defesa, apenas atitudes que se dissolvem instantaneamente, salientando que o único refúgio é a fuga para se esquivar dos fardos de uma vida de turbulências, prenunciados por um amanhã que acende reversão.

É surpreendente como a maestria das atuações
dos sentimentos acendem transtornos.

Como lidar com a ansiedade em sala de aula?

Trabalhar as emoções é organizar o alicerce do humano para que o indivíduo cresça à medida que a maturidade emocional granjeia consistência. O crescimento escolar sobrevirá a partir da capacidade discente para superar conflitos, gerenciar as próprias emoções e, assim, auferir coesão, para que o estresse do cotidiano no próprio espaço não antepare seu avanço no processo de aprendizagem.

A ansiedade bloqueia a compreensão e acende dificuldades de aprendizagem, uma vez que o transtorno absorve a concentração, dificultando a assimilação das informações disseminadas pelo professor.

Para compreender a complexidade desse transtorno, que impede a aprendizagem, é fundamental uma viagem ao fantástico universo denominando cérebro humano, esquematizar coordenadas exatas para se acercar, com exatidão, do marco zero e conceber de qual ponto desse centro operacional que comanda o corpo abrolha o transtorno; assim, descobrimos a genealogia da ansiedade.

É surpreendente como a maestria das atuações dos sentimentos acende transtornos. Por isso, é essencial uma parada nas amígdalas cerebrais, que, na verdade, são uma dupla de gânglios circulares substanciais, que exibe alfarrábios desproporcionais para o espaço que ocupa detrás da úvula, a chamada campainha, que desfecha os alertas, principalmente de medo; por ser responsável por conectar medos e sensações de desconforto à memória, seu relacionamento estreito com o hipocampo é essencial à defesa da vítima, uma vez que o hipocampo gerencia memória e aprendizado.

Nesse processo, o córtex cerebral, a chamada massa cinzenta, que se posiciona como gerente, administra a capacidade de pensamento, e este entra em conflito, porque sua competência de pensamento forma o conjunto de capacidades de julgamento, percepção, movimento voluntário, linguagem e percepção, compondo o sistema imunológico.

Como o processo viver é obrigatório, promovendo ou não o crescimento humano do indivíduo, não poupa erros e desacertos, porque os detrimentos que deixaram efeitos não passam por reciclagem. Por ter uma relação topográfica e funcional com o hipocampo, o sistema emocional do cérebro promove a interligação com o córtex pré-frontal, que integra a percepção de sentimentos contraditórios, muitas vezes em atos simples do cotidiano, gerando confusão íntima.

Todavia, responde no impacto de uma emoção e, como as estruturas do hipocampo sofrem mutações cada vez que o indivíduo se envolve em situações de estresse, incita os retornos que atentam alterações comportamentais e fisiológicas, por serem estimulados pelos conflitos das reações da memória, que faz o checklist no baú do subconsciente, despertando tragédias e traumas, porque a flexibilidade mental é interrompida pelos inúmeros processos cognitivos, que, nos casos generalizados, podem interromper o procedimento de aprendizagem.

Assim, tais setores do cérebro gerenciam as ações do indivíduo, acondicionam a memória, administram emoções e, num ininterrupto processo de cautela, estruturam as situações incômodas no dia a dia. De tão sensível às situações, a pessoa envolve-se com um simples acontecimento, e isso pode trazer à tona momentos de um passado distante tão somente para recordá-lo de que os passos errados e o envolvimento em situações extremas deixaram sequelas que marcaram e que estas não serão deletadas.

É desse entendimento que a educação tem que encontrar o norte para lidar com a ansiedade em sala de aula, porque a síndrome de Cushing, a depressão, o transtorno de ansiedade e até mesmo o transtorno de estresse pós-traumático provocam o encolhimento do hipocampo e, à medida que este perde dimensão, restringem a capacidade de aprender.

 

O que a sala de aula tem a ver com isso?

Tudo! É complexo? É! Todavia, quando se enveredam pelos labirintos da sala de aula, as pessoas com transtornos de ansiedade se confrontam com barreiras que, para a maioria, são intransponíveis, porque o primeiro obstáculo bloqueia o processo que é o alvo da educação: a aprendizagem.

Sobrepujar essa argileira de desordens, suportes e aportes de profissionais como psicólogo, psicopedagogo e psiquiatra é indispensável para auxiliar na superação das crises que afastam o aluno do próprio universo, porque a cadeia alimentar da ansiedade é o que sustenta o humano: o equilíbrio emocional e psicológico.

A gama de pensamentos negativos colide com os aleatórios e redireciona a atenção, desviando do foco e sem foco; e, sem foco, o aprendizado não sobrevém, porque outros fatores, como insônia, estresse e fadiga, despontam para arrebatar a vítima do ambiente escolar, impedindo-a de conciliar conteúdos aplicados com aprendizagem.

O desafio de arraigar as vítimas das tribulações obstina nas práticas pedagógicas existentes, que não atendem a uma geração inquieta, intensificando as crises com a própria rotina num ambiente sobrecarregado, o que dificulta aplicar um processo de ensino que facilite a sua vida, cujo fardo de problemas familiares e sociais eleva a pressão psicológica, refletindo no desenvolvimento escolar, e o mais grave: nosso sistema é conteudista e, quando o temporal de conteúdos desaba, sobrecarrega um indivíduo que busca socorro para se auto-orientar no próprio universo.

Como não absorve os conteúdos, não acompanha o ritmo da turma, e é a partir desse ponto que se principiam os descompassos, porque o isolamento social se converte em rota obrigatória por se tornar trincheira de defesa, e tais retraimentos intensificam os problemas que acossam a sociedade contemporânea, como doenças cardíacas e depressão.

Sem programas que amparem as vítimas no ambiente escolar, a ansiedade se energiza, acionando o gatilho que desfecha o projétil que atinge o principal mecanismo da aprendizagem, porque o roteador do ansioso é conectado à mente; e, como aprender estabelece centralização para que a memória armazene os conteúdos das atividades aplicadas, a preocupação em não avançar excita o transtorno, porque a vítima transita entre fugas e conflitos e estaca ao se deparar com a razão que é a causa do próprio conflito: não conseguir encontrar a saída para se evadir da desordem psicoemocional.

Por não conseguir debelar as barreiras, o psicológico, cuja mola é automática, contrapõe no ato das ações para escapar da pressão externa e, por não refletir nos detrimentos, retrocede, impelido pelo instinto que obedece ao sentimento, excepcionalmente, de medo, que alça a vulnerabilidade.

Assim, a mente ansiosa não escolta o processo de aprendizagem por recuar ante uma simples aproximação, que, para a vítima, pode ser ameaçadora, pois sua memória funciona como um antivírus: qualquer comando direcionado à sua pessoa tem uma atuação de defesa, até mesmo o do professor para atraí-lo, no intuito de envolvê-lo na aplicação dos conteúdos.

Para muitos, os superpoderes do transtorno bloqueiam o desempenho em sala de aula. Para avançar, é preciso mais que ferramentas digitais, profissionais, recursos e técnicas pedagógicas. Porque a ansiedade atua com tamanha astúcia que desperta questionamentos: é biológico? Tem relação com o meio em que o indivíduo convive? Cognitivo? Ou todos? Por que muitos pacientes salientam os sintomas somente na fase adulta? Como justificar pessoas que passaram por tragédias, cresceram em ambientes recheados de ansiosos e não foram fisgadas pelo transtorno? Temos que descartar as hipóteses genéticas, sociais, familiares e cognitivas? O que é melhor: ansiosos que cumprem metas com receio de fracassar ou acomodados, que deixam a vida levá-los?

É desafio sobre desafio, pois para compreender como a ansiedade localiza a fresta para enveredar pelo íntimo humano é preciso esboçar uma linha do tempo para visualizar o marco zero. Se despontou do ambiente tenso social, onde os desafios do dia a dia afetam o emocional e o psicológico; se do familiar, com relações íntimas carregadas; ou, até mesmo, se a origem foi impulsionada por uma personalidade vulnerável, cuja trajetória foi caracterizada por tragédias que incitaram o surgimento de traumas não superados, que flecharam o psicológico e o emocional.

O fato é que quando os primeiros sinais emanam é o alerta de que o automático do eu foi acionado, e o da família deve desfechar na mesma cadência, com ações preventivas, para impedir que a vítima desabe na armadilha que arrebata a própria aspiração para viver.

Em meio às instabilidades, o concreto é que os impactos do transtorno no eu dependem da estrutura emocional e psicológica da vítima para superar. Do contrário, uma gama de desordens entra em cena para converter a vida numa existência sem horizontes de vitórias. Pois, em meio a turbulências de um mundo que convive com guerras, violências e epidemias, é inevitável que transtornos como de pânico e agorafobia se convertam em caminhos entrelaçados para desnortear as vítimas.

Nesse processo, transtorno de ansiedade de separação generalizada e fobia social afetam o humano num todo. O alvo é arrebatado do seu universo e arremessado num mundo de alterações intestinais e estomacais, insônia, tensão muscular, dores de cabeça, que, se não forem cuidados a tempo, tornam-se letargos. Pois, quando o progresso dos transtornos estaciona no transtorno de ansiedade generalizada, os abismos se dilatam para que seus agentes atuem com precisão e, assim, arrebatam a qualidade de vida da vítima.

O que nos resta? Implorarmos pelas bênçãos do Criador, como único caminho para obter estrutura para gerenciar as expectativas incitadas pela ansiedade, por ser exatamente no intervalo entre uma crise e outra que muitos não resistem e permitem ser levados por essa onda de instabilidade.

Todavia, é preciso encarar o futuro, mesmo que o hoje seja de desordens que arrebatam o equilíbrio para conservar a autoestima, por ser a estrutura que ostenta a paz interior. Permitir que a ansiedade nos reprima é negarmos inclinar o olhar e focarmos na força que habita em nós para que a serenidade prevaleça como blindagem de um eu que se escuda na âncora da fé para conter a ansiedade, pois ter ciência de que esperar o tempo da vida para que as coisas aconteçam no momento de Deus é crer que a vitória está a caminho.

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