Edição 138

Construindo mais conhecimento

Filosofia na Educação Infantil: do pensamento à construção da comunicação

Você sabia que a Filosofia para as crianças é uma grande aliada do professor?

Bibiana Stohler S. de Almeida

A Filosofia pode ajudar as crianças a formularem seus pensamentos e expressarem melhor o que sentem. É um convite especial para uma reflexão sobre todos os assuntos. Há escolas que disponibilizam a disciplina em sua grade curricular às crianças de 4 a 5 anos de idade, na Educação Infantil. Outras, a partir dos 6 anos ou mais, no Ensino Fundamental. As crianças têm a oportunidade de serem autoras das suas próprias ideias e ações, sem medo de errar ou de serem julgadas.

Na sala de aula, o professor pode transformá-la em um ambiente de aprendizagem que incentive a interdisciplinaridade e a investigação, ampliando as noções de entendimento e sentido por meio das atividades individuais ou em grupo. Mas a aventura intelectual não se limita à escola. Ela se desloca para o ambiente familiar, porque o pensamento filosófico voltado às crianças estimula o conhecimento da história de vida dos seus pais, avôs e bisavôs, ou seja, da sua árvore genealógica, e, nesse sentido, elas se sentem cada vez mais responsáveis pela história que estão construindo.

O educar, como uma atividade do “pensar”, desperta o desenvolvimento das habilidades cognitivas, dentre elas: o diálogo (fala, comunicação, etc.) e o registro (escrita, desenho, etc.). Os processos dialógicos são motivadores para o aprendizado e a criatividade em um contexto significativo, além de proporcionar uma convivência saudável que viabilize a troca de opiniões, as ideias divergentes e a variedade cultural.

Nesse sentido, a escola vira um laboratório de investigação, onde as crianças questionam, pesquisam e respondem, de maneira reflexiva, sobre os assuntos de formação e base humanísticas. Elas podem pensar o que quiserem e usar a imaginação para prever os caminhos e, posteriormente, formular suas avaliações. Assim, investigar, refletir sozinhas, ser protagonistas de suas histórias e refletir em família são algumas das ações propostas pela Filosofia na infância.

O interessante é que as atividades propostas pelo professor possam ser realizadas de forma lúdica e descontraída, tendo em vista o envolvimento das crianças, bem como a escolha dos temas, cujos valores devem estar relacionados tanto à moral quanto à ética de uma formação cidadã, priorizando o respeito às diferenças, a autonomia, a família e a importância do “pensar” em diversos contextos. Essa visão colabora para que as crianças encontrem soluções e saídas criativas, inteligentes e apaziguadoras para resolver os problemas e conflitos.

Na cultura ocidental, por exemplo, a Filosofia foi introduzida na escola pelos EUA, no final da década de 1960, através de um programa filosófico para crianças e jovens. De lá para cá, algumas escolas no Brasil implementaram o pensamento filosófico ainda na Educação Infantil; outras, a partir do Ensino Fundamental ou somente no Ensino Médio. No entanto, esse movimento não foi homogêneo e ficou muito restrito à universidade.

A Filosofia é um saber dinâmico, e, por isso, novas ideias e novos intelectuais surgem a todo instante, ajudando em sua popularidade. Atualmente, observamos a notoriedade de alguns filósofos brasileiros que se destacam pela divulgação do pensamento filosófico nos veículos de comunicação de massa, tais como: Marilena Chauí, Viviane Mosé, Mario Sergio Cortella e Márcia Tiburi.

Desse modo, introduzir o pensamento filosófico na Educação Infantil requer um programa simples e um plano que contemple as aulas expositivas, sem abrir mão da ludicidade. Por exemplo: o professor pode planejar uma encenação teatral com as crianças para celebrar duas datas no calendário comemorativo brasileiro: o Dia do Filósofo, em 16 de agosto, dedicado aos profissionais que elaboram reflexões e questionamentos sobre as nossas instituições sociais, como a política, a religião, a saúde, a educação, os costumes; e o Dia Mundial da Filosofia, comemorado na terceira quinta-feira de novembro, que nos dá uma chance para conhecer mais sobre esse campo do saber, ou seja, de onde veio a Filosofia, para que ela serve e como ela pode nos ajudar.

O objetivo geral é preparar as crianças para a convivência em sociedade, nos variados contextos em que vivem. Na escola, quanto mais cedo elas tiverem contato com a Filosofia, melhor será para a organização dos seus pensamentos e para o seu desempenho escolar, além de conseguirem expressar seus sentimentos e, consequentemente, aprimorar sua comunicação.

… investigar, refletir sozinhas, ser protagonistas de suas histórias e refletir em família são algumas das ações propostas pela Filosofia na infância.

Portanto, criar espaços para a construção do conhecimento nas escolas brasileiras pode contribuir significativamente para a formação de cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com a sociedade, promovendo um ambiente educacional mais rico e estimulante. A Filosofia na Educação Infantil tem o seu legítimo valor e merece estar ao lado de outras disciplinas, sendo igualmente ministrada pelo professor e ofertada às crianças mais novas.

Benefícios do ensino filosófico às crianças:

1. Desenvolvimento do pensamento crítico: as crianças aprendem a questionar, analisar e argumentar de maneira lógica e coerente.
2. Fortalecimento da empatia e do respeito: ao exercerem a empatia, as crianças compreendem que há diferentes perspectivas para tratar um assunto ou problema.
3. Melhoria da comunicação: elas aprimoram as habilidades de expressão e argumentação, ampliando, de forma eficaz, sua capacidade de comunicação.
4. Aumento da autoconfiança: elas se sentem confiantes ao expressarem suas próprias ideias e opiniões.


Bibiana Stohler S. de Almeida é graduada em Pedagogia pela Universidade Estácio de Sá, Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e pesquisadora do grupo de estudos Caleidoscópio da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto.
E-mail: bstohler@gmail.com

Referências
WONSOVICZ, Silvio. Minha história no quintal (1º ano). 18. ed. Florianópolis: Sophos, 2019.
WONSOVICZ, Silvio. Minha história no quintal (2º ano). 18. ed. Florianópolis: Sophos, 2019.

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