Edição 140

Mulheres Educadoras

Herpe genital

Dr. João Ricardo Lima

O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível, tendo como causa o herpesvírus humano, HSV-1 ou HSV-2. O predomínio do HSV-2 é duas vezes maior no sexo feminino em comparação com o sexo masculino. No ano de 2016, o herpes genital HSV-2 contaminou mais de 400 milhões de pessoas, na faixa etária dos 15 aos 49 anos em todo o mundo, sendo a maioria dos casos causada pelo HSV-2, porém o número de casos provocados pelo HSV-1 tem aumentado significativamente.

Após a contaminação, o HSV permanece silencioso em gânglios nervosos, podendo se reativar periodicamente. O vírus reativado pode ou não causar sintomas, e a contaminação ocorre pelo contato de pele com pele nos parceiros sexuais; apesar de não haver lesão aparente, a propagação acontece de forma assintomática.

A gestante contaminada com herpes genital pode transmitir o HSV-2 ao feto ou neonato. O HSV é transmitido no parto por contato com secreções vaginais contendo o HSV. O vírus raramente é transmitido pela placenta. A infecção neonatal pelo HSV é uma infecção grave e potencialmente fatal. Por não apresentar sintomas visíveis, as pessoas não sabem que estão contaminadas.

As lesões genitais primárias eclodem 4 a 7 dias após a contaminação; as vesículas evoluem com ulcerações que podem ocorrer na glande, nos homens; nos grandes e pequenos lábios, clitóris, períneo, vagina, colo do útero, nas mulheres; e em torno do ânus e no reto, independentemente do sexo, para os que praticam o sexo anal receptivo.

O diagnóstico do herpes genital é sempre clínico com base nas lesões (vesículas ou úlceras com base eritematosa), mas em muitos casos essas lesões não estão presentes. Fazem-se necessários exames sorológicos, culturas e reação em cadeia da polimerase (PCR (polymerase chain reaction)); a ausência de HSV na cultura não descarta a infecção pelo HSV, em especial sem lesões ativas; na infecção por HSV, a disseminação viral é intermitente. O tratamento é à base de antivirais: aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir; o antiviral tópico tem pouco valor. A melhor maneira é evitar ser contaminado. O risco de contágio pode ser diminuído por uso de preservativos de látex, sabendo que não protegem totalmente. A pessoa com herpes genital deve se abster de relações quando tiver lesões ou outros sintomas de herpes genital e sempre lembrar que pode transmitir a infecção mesmo quando não tem nenhum sintoma.


Dr. João Ricardo Lima é médico do trabalho.

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